Café especial transforma pequena produtora rural de Rondônia em uma mulher de negócios reconhecida nacionalmente

ROBUSTA AMAZÔNICO FORTALECEU A CAFEICULTURA RONDONIENSE E ALAVANCOU A PRODUÇÃO NO ESTADO

“Principalmente o início foi muito difícil, minha nossa! Viemos no escuro! Sem saber nem mesmo o que a gente ia encontrar aqui em Rondônia. Era 1986 e a gente se arriscou com a cara e a coragem mesmo. Deixamos tudo para trás acreditando que aqui a gente podia ter uma chance de crescer, construir uma família, de ser alguém na vida”, relembra Nilcinéia
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Uma busca que valeu a pena e agora, quase quarenta anos depois de chegar a Rondônia, a Família da Luz tornou‑se uma referência no estado, ganhando inclusive destaque no cenário nacional.

Família da Luz recebeu um trator cafeiro como prêmio pelo 1º lugar no Concafé – Foto: Seagri

Com uma propriedade pequena, o “Sítio Coração de Mãe”, Nilcinéia e João viram suas vidas serem verdadeiramente transformadas quando decidiram apostar em um tipo de café que ainda era novidade no estado e em todo o país. O Robusta Amazônico (Coffea canephora) foi desenvolvido justamente para se adaptar à realidade da Amazônia Brasileira.

Esse tipo especial de café, como explica a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), é resultado da mistura entre cafés conilon trazidos para Rondônia ainda na década de 1970 por produtores imigrantes dos estados de Minas Gerais, Paraná e Espírito Santo e materiais genéticos 100 % Robusta, trazidos pela Embrapa Rondônia em 1990, diretamente do Instituto Agronômico de Campinas (SP).

“Já produzíamos café, mas foi a partir de 2008 que iniciamos as nossas lavouras de café especial, do tipo Robusta Amazônico. Iniciamos devagar, primeiro fizemos uma experiência! Plantamos mil pés de café e conseguimos colher 42 sacas. Isso nos animou e, desde o início, o objetivo foi produzir um café especial, de qualidade e com foco na sustentabilidade”, afirma a cafeicultora.

Assim como aconteceu com a Família da Luz, o início do plantio do café Robusta Amazônico em Rondônia foi tímido. Apenas na última década a produção de cafés especiais começou a ganhar mais destaque no estado, especialmente quando o governo estadual criou o primeiro Concurso de Qualidade e Sustentabilidade do Café de Rondônia – Concafé, em 2016. O Concafé surgiu justamente com o objetivo de incentivar e premiar os produtores, e a partir daí o avanço tem sido constante e a produção segue aumentando ano após ano
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“Hoje a nossa média de colheita é de 100 sacas de café por hectare plantado. Aqui no sítio temos 12 mil pés plantados em três hectares, então alcançamos uma média de 300 sacas por colheita. Isso porque nem todos os pés plantados estão em produção”, explica a cafeicultora. Vale destacar que cada saca de café pesa 60 quilos.

O compromisso com a produção de um café especial, como relata Nilcinéia, traz grandes desafios e a família se mantém unida desde o início. Nilcinéia e João têm três filhas – Janaine, Janiele e Larissa – e dois genros, Nério e Magaiver. Todos se dedicam ao Café da Luz.

“Para uma propriedade pequena e familiar como a nossa, os desafios são muitos e, para dar conta, toda a família se empenha em algum momento. Desde o plantio, o cuidado com a lavoura, a colheita, a separação dos grãos, o empacotamento, as vendas, as redes sociais. Enfim, às vezes até os netinhos querem ajudar”, orgulha‑se a produtora rural. A filha Janiele e o genro Magaiver, inclusive, mudaram‑se para a propriedade para ficarem mais próximos da produção e do trabalho.

Em 2024, Nilcinéia da Luz conquistou o 2º lugar no prêmio nacional Sebrae Mulher de Negócios – Foto: Cintia Nunes

Além do trabalho árduo, ao longo de todo esse percurso, Nilcinéia e a Família da Luz nunca se acomodaram. A matriarca entendeu que era preciso buscar conhecimento, aprendizado e formalização. Com apoio do Sebrae RO, em 2022 deram início ao registro da marca para garantir a identidade e os direitos da agroindústria. Hoje a família garante o direito exclusivo da marca Café da Luz no Brasil
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“Eu sempre falei para o João, para minhas filhas e genros se manterem em constante busca por conhecimento, técnicas e informação. Tudo o que a gente aprende, o que vai buscar só soma na nossa produção. Ainda há muito a ser feito, mas temos orgulho de dizer que nosso café é praticamente artesanal, produzido com muito carinho por uma família humilde que acreditou e não desistiu. E que as pessoas gostam porque é um produto de qualidade”, pontua.

O reconhecimento pelo trabalho veio em forma de prêmios: em 2021, a família conquistou o 3º lugar em Qualidade no Prêmio Concafé.

No ano seguinte, na 7ª edição do Concafé, foi campeã e 2º lugar em qualidade. Na mesma ocasião, levou o título de segundo melhor café do Brasil no concurso Coffee of the Year Brazil. Em 2024, o Robusta Amazônico da família levou o 1º lugar no Prêmio CNA de Torra Artesanal do Brasil e, no Concafé 2024, conquistou 2º lugar em Sustentabilidade e 4º lugar em Qualidade. Esse reconhecimento mostra que a família conquistou seu espaço nacional e internacionalmente.

Troféu Estrelas Empreendedoras foi concedido à Nilcinéia pelo Conselho Estadual da Mulher Empreendedora e da Cultura – Foto: CMEC/RO

Em novembro de 2024, Nilcinéia foi agraciada com o Troféu Estrelas Empreendedoras, concedido pelo Conselho Estadual da Mulher Empreendedora e da Cultura de Rondônia (CMEC/RO). No mesmo mês, a cafeicultora rondoniense se destacou entre quinze empreendedoras de todo o país, entre mais de mil concorrentes, que foram premiadas com o Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, em cerimônia realizada na capital de Santa Catarina. A premiação é composta por três etapas – estadual, regional e nacional – e Nilcinéia Rubim da Luz, do interior de Rondônia, conquistou o segundo lugar nacional na categoria Produtora Rural.

“Minha esposa sempre foi companheira. Sempre trabalhamos juntos, desde os tempos das crianças pequenas com lavouras longe, na fundiária. Hoje continuamos juntos na roça, na seleção dos grãos e na agroindústria. Tenho maior orgulho da esposam, amiga e companheira, dos momentos difíceis e momentos de alegria. Agradeço sempre a Deus pelas conquistas que tivemos juntos e pelas conquistas que ela tem alcançado. É uma mulher merecedora, empreendedora uma mulher de negócios”, emociona‑se o cafeicultor João da Luz.

João reconhece diariamente o esforço, a dedicação e o amor da esposa pelo Café da Luz – Foto: Giliane Perin (Texto: Giliane Perin)

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