Fim da Vila Olímpica?

Terreno doado pela Prefeitura para PC acaba com o sonho da Vila Olímpica de Cacoal

03/02/2020

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O município de Cacoal comemorou, no ano passado, resultados brilhantes na participação da Capital do Café nos Jogos do Interior de Rondônia, fato que coloca a cidade em uma posição de destaque no esporte estadual. Ainda no ano passado, a prefeita Glaucione Rodrigues comemorou o fato de Cacoal receber a notícia de que será construído no município o Complexo Administrativo e Operacional da Polícia Civil de Rondônia. Segundo a prefeita, a obra, com valor estimado em 10 milhões de reais, vai gerar emprego e renda no município. As conquistas são significativas! Os recursos para a construção do citado complexo foram garantidos através de uma emenda parlamentar da deputada federal Jaqueline Cassol, no valor de 10 milhões de reais.

Aparentemente, não existe nenhum problema na ideia da construção e certamente vai gerar empregos, porque, segundo as autoridades estaduais responsáveis pelo projeto, a previsão é que o complexo seja construído num prazo de três anos e vai abrigar todos os setores da Polícia Civil de Cacoal. Quanto ao investimento, não há como discordar.

O grande problema está relacionado com o local da obra! Conforme pode ser constatado na Lei Municipal número 4.367/PMC/ 2019, de autoria da prefeita Glaucione Rodrigues e aprovada, por unanimidade, pelos vereadores de Cacoal, o município doou para o estado toda a área onde será construído o Complexo Operacional da Polícia Civil. É justamente aí que começam os problemas, porque a prefeita e os vereadores doaram para o estado a maior parte da área que constitui o terreno do Centro Esportivo de Cacoal, conhecido como “Vila Olímpica” e localizado exatamente no local doado pelo município. Embora muita gente não saiba, a Vila Olímpica é uma obra que teve a primeira parte inaugurada e que teve os recursos liberados para a construção da segunda etapa.

 
A primeira fase da Vila Olímpica foi inaugurada em 14 de maio 2016, com investimentos em torno de R$ 2.000.000,00(Dois milhões de Reais), recursos oriundos do Ministério do Esporte. Esta parte da obra contemplou a construção de um estádio com muro, uma pista de atletismo, duas arquibancadas, os vestiários, uma guarita, a sala de Administração, o alambrado, a iluminação e campo de futebol tamanho oficial. Antes de encerrar o mandato, o ex-prefeito Francesco Vialeto entregou à população esta primeira parte.

Já para a construção da segunda parte da obra, foram disponibilizados R$2.500.000,00(Dois milhões e quinhentos mil reais). Este valor seria para a construção da terceira arquibancada do estádio, totalmente coberta e com 10 cabines para a imprensa, além de melhorias na iluminação. No terreno em anexo ao estádio, o projeto previa a urbanização do local, estacionamento, lanchonetes, ginásio poliesportivo, quadras de tênis e de volei de areia, pista de skate, parque aquático e campo de futebol society. É muito provável que os valores disponibilizados para a segunda fase da Vila Olímpica tenham sido devolvidos pela administração anterior, ou pela   atual administração, porque não houve a continuidade da obra e o local agora vai abrigar a cadeia e toda o Complexo Administrativo e Operacional da Polícia Civil em Cacoal.

Vereadores defensores do esporte apoiaram o fim da Vila  Olímpica 

Uma curiosidade sobre a doação da área para o estado é que existem, dentro da Câmara de Cacoal, vários vereadores que se intitulam defensores do esporte. Não houve nenhum voto contrário à doação. Além dos vereadores que carregam a bandeira do esporte, Mário Angelino Moreira, o Jabá, é conhecido na cidade como ferrenho defensor das obras do Padre Franco e da continuidade dessas obras. Mas até ele votou favorável à doação e fez ainda vários elogios ao projeto da prefeita Glaucione Rodrigues. É lamentável que o município abra mão de uma área destinada ao esporte! E o estado não precisou dar nenhuma contrapartida ao município, foi tudo obra da generosidade das autoridades municipais. A construção do complexo da Polícia Civil não é condenável e, de fato, vai gerar empregos e dar maior conforto aos funcionários, além de proporcionar um atendimento com maior qualidade à população, mas não precisava doar justamente a área onde seria construída uma obra fundamental e necessária para a prática esportiva. Essa o esporte perdeu de goleada, porque o placar contra o esporte foi 13 a zero. E isso tem chateado muito àqueles que há muito tempo se dedicam em prol do desenvolvimento e fortalecimento do Esporte em Cacoal. Muito deles já acreditam que agora sim, a Vila Olímpica permanecerá sendo apenas um sonho, uma vez que a área conquistada e destinada à ela, já foi repartida e começa a ser distribuída.

Construir uma estrutura para a segurança pública em uma cidade como Cacoal é realmente muito importante, mas também é necessário que as coisas sejam analisadas. Muitos cacoalenses estão questionando! Afinal, até onde vale a pena prejudicar um setor também carente, para beneficiar outro?

Faltou melhor estudo
Certamente, se os vereadores e a prefeita tivessem estudado melhor a situação, poderiam ter doado para o estado outros terrenos, como aquele que fica próximo ao Ministério Público e que há anos serve apenas para acumular lixo, insetos e animais peçonhentos. Ou até mesmo achar um destino para o prédio abandonado da Unidade Mista, que tem apenas trazido transtorno aos comerciantes e moradores das proximidades. São quase rotineiros os relatos de invasões, principalmente para o consumo de entorpecentes naquele local. Se a estrutura já não serve, então que passe logo pelo processo de demolição e que um novo projeto seja executado em uma área tão nobre de Cacoal. 

Uma sugestão, por exemplo, para aproveitar bem o espaço, é que fosse construído um prédio com cinco ou seis andares para abrigar todos os órgãos da segurança em Cacoal. Além de resolver o problema do município e do estado, daria um aspecto de urbanidade ao local, seja onde jaz a Unidade Mista, ou naquele terreno inutilizado próximo ao MP. O que resta agora é a torcida de apaixonados pelo esporte, para que a Câmara e a Prefeitura possam ao menos tentar rever a decisão que tomaram. Afinal, por que o terreno destinado ao Complexo Administrativo e Operacional da Polícia Civiltem que acabar justamente com o sonho de uma Vila Olímpica em Cacoal?

(Da Redação – Tribuna Popular)

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Categorias: Cacoal, Esportes, Geral, Rondônia

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