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A POLÍTICA NAS TERRAS DE RONDON

28/05/2020

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Lúcio Albuquerque, Consultoria historiador Abnael Machado de Lima e pesquisador Anísio Goraieb

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Quando 1964 chegou, a política nas terras de Rondon já estava mais que cinquentenária. Ela se inicia em 1912, quando foi instalado o município mato-grossense de Santo Antonio, que em 1945 deixou de existir e foi anexado ao município de Porto Velho. Em 1914, em Santo Antonio, foram eleitos o primeiro Superintendente (prefeito) e os Intendentes (vereadores), todos do Partido Republicano Conservador. Em 1914 foi criado o município amazonense de Porto Velho, tomando posse como superintendente o Major Fernando Guapindaia de Souza Brejense, com os intendentes. Em 1916 foi realizada a primeira eleição, e eleitos prefeito (Joaquim Augusto Tanajura) e vereadores empossados dia 1 de janeiro de 1917.

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Depois de Tanajura, até 1929, Porto Velho teve 4 prefeitos eleitos, inclusive ele próprio, em segundo mandato  – neste último (1923), Tanajura foi também eleito deputado estadual no Amazonas, sendo cassado dos dois mandatos, mas voltando a ambos por decisão judicial. A partir de 1930, com o fechamento das Câmaras, os prefeitos voltaram a ser nomeados, um total de 26, o último, já com Rondônia na condição de Estado, foi José Alves Vieira Guedes, que passou o cargo ao prefeito eleito, em 1985, quando assumiu o ex-deputado federal Jerônimo Garcia de Santana. Em Guajará-Mirim, desde a instalação do município em 1928, quando José Boucinhas de Menezes, tomou posse na condição de nomeado pelo governador de Mato Grosso, até 1983, quando foi eleito  Isaac Bennesby, foram 24 prefeitos nomeados.

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Em 1930, depois de alguns anos homiziado num seringal trabalhando como guarda-livros, no Rio Guaporé, e se apresentado para cumprir pena no 26º Batalhão de Caçadores, em Belém, por ter sido um dos rebeldes da Revolução de 1924, e reintegrado à tropa em 1929, Aluízio Pinheiro Ferreira chega a Porto Velho, sendo nomeado primeiro diretor brasileiro da ferrovia Madeira-Mamoré, tornando-se a principal figura local, assumindo forte liderança, apesar de ter pedido as eleições de 1954,  voltando a ganhar em 1958, quando foi eleito pela terceira vez deputado federal, não disputando mais eleições, mas mantendo forte liderança política até depois de 1964 .

No período até 1943, quando o Território do Guaporé foi criado, tanto em Porto Velho, município do Amazonas, quanto em Guajará-Mirim, município matogrossense, a atividade política era praticamente nula, mas em 1937 aconteceria um fato político, quando comerciantes da região dos rios Guaporé e Mamoré, liderados pelo coronel Paulo Saldanha Sobrinho, se movimentaram tentando junto ao presidente Getúlio Vargas a criação de um Território, abrangendo apenas a área de Mato Grosso – até Santo Antonio, com a capital em Guajará. Em 1940 o presidente Getúlio Vargas veio a Porto Velho e, conforme o escritor Esron Penha de Menezes, o presidente mandou buscar numa “avioneta” o governador do Acre, Epaminondas Martins. Numa conversa, que Esron dizia ter testemunhado, Vargas perguntara a Epaminondas sua opinião sobre criar um Território, e a resposta – “certamente já induzida pelo coronel Aluízio”, conforme Esron, foi positiva, mas sugeriu que a capital fosse Porto Velho, alegando que aqui era a sede da maior empresa existente então, a Ferrovia Madeira Mamoré.

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Três anos depois Vargas criava o Território, com a capital conforme o governador do Acre sugerira, iniciando aí uma animosidade política com Guajará.
Aluízio  foi nomeado governador, instalou o Território  em 29 de janeiro de 1944, deixando o governo para se candidatar a deputado federal, e em 1947 assumia como o primeiro deputado federal eleito pelo Guaporé, numa disputa que ficou marcada por denúncias de corrupção eleitoral, reeleito em 1950, quando derrotou seu ex-correligionário Joaquim Vicente Rondon que o próprio Aluízio indicara para substituí-lo no governo, mas passou a ser seu adversário, iniciando então uma disputa política em que os partidários de Aluízio eram chamados “cutubas” e os de Rondon, mais tarde no grupo liderado pelo médico Renato Medeiros, de “peles-curtas”, uma disputa fraticida que começa a sumir a partir de 1964. E aí começaria outra história.

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