Coluna do Xavier de 08 de maio de 2020

08/05/2020

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CACOAL: OS PATRIOTAS, OS COMUNISTAS  E  O  HINO NACIONAL…

A decisão de inventar um modelo de ensino que não existe em lei nenhuma, adotada pelo governo de Rondônia, desnuda uma situação que foi muito discutida, nos últimos dois anos e meio, quando alguns brucutus resolveram aderir à CBF e pregar conceitos que eles jamais entenderam o que significa, mas que tinham como ideologia. Este fato  promoveu uma série de distorções semânticas que hoje estão praticamente sem cura. Palavras como patriota, comunista, cristão e muitas outras perderam completamente o significado, mas não existe nenhuma possibilidade de ensinar os conceitos verdadeiros para as pessoas que distorcem, porque, para elas, o mais importante é negar tudo que existe em termos científicos e impor a onagrocracia, a qualquer preço. Não há como tentar explicar sobre ideologias para pessoas que usam a camisa da CBF como sinônimo de honestidade e patriotismo. Esta é a marca da obtusidade…

As distorções começam, quando milhares de brasileiros colocam na cabeça a ideia de que as pessoas que usam amarelo são honestas; e as outras são desonestas. As pessoas que andam com a bandeira do Brasil nas costas são honestas; e as outras, desonestas. As pessoas que não votam em Bolsonaro são comunistas e, por isso, desonestas; apenas quem votou em Bolsonaro é honesto. Esses são alguns dos conceitos. Quem agride mendigos, jornalistas, enfermeiros ou médicos é patriota. Quem não concorda com as agressões é comunista ou esquerdista. A violência tem prevalecido como sinônimo de patriotismo. Quem vai às ruas exigir o fechamento das instituições democráticas é patriota; quem defende o Estado Democrático de Direito é comunista. Quem come pão com mortadela é desonesto. Engraçado que essas pessoas se declaram como cristãos e como defensores dos valores familiares. Quem já leu a bíblia, algum dia, sabe muito bem que o pão é um dos principais símbolos de alimento citados por Jesus Cristo. Aliás, Jesus Cristo é o principal comunista que já viveu na face da Terra. Não dá para entender a razão pela qual há pessoas que se dizem cristãos; e odeiam comunistas ou o comunismo, porque isso revela uma contradição sem precedentes. Os mais desinformados costumam dizer que Cuba, Venezuela e China são países comunistas. O filósofo grego Platão, que concebeu o comunismo, mais de 2.370 anos atrás, jamais imaginou que o conceito seria tão distorcido, neste período de onagrocracia…

Esse patriotismo de distorção é algo muito esquisito na cabeça de muitas pessoas. Lembram da história do Hino Nacional nas escolas??? Pois, é! O ex-ministro da educação do Bolsonaro, Ricardo Vélez, um colombiano que não fala português, resolveu determinar que as escolas deveriam colocar alunos em filas, cantar o Hino Nacional, gravar em vídeo e mandar para ele. Segundo o ministro, ele queria fazer do Brasil uma Colômbia ao estilo “Pablo Escobar”. Escobar foi um dos traficantes mais asquerosos do mundo.  Quando os profissionais da educação se manifestaram, alegando que a medida não tinha eficácia para melhorar a qualidade de ensino, o ministro ficou magoado e declarou que todos os brasileiros gostavam de viajar para roubar objetos nos aviões e hotéis. A turma de amarelo bateu palmas e disse que o ministro tinha razão. Muitos defensores da teoria do ministro colombiano, nomeado pelo patriota brasileiro, foram às redes sociais dizer que estavam dispostos a entrar em fila com seus filhos e cantar o Hino Nacional para o ministro, todos os dias, nas escolas.  Tudo para furado!!! Essas pessoas não frequentam escolas nem para buscar os boletins dos filhos. Os dois filósofos da educação conhecem bem o ambiente escolar e sabem que esse discurso de cantar o hino com os filhos é a mesma coisa que o discurso do Bolsonaro de combater a corrupção: só acontece nas redes sociais; na prática, nunca existiu…

Os patriotas da atualidade são tão confusos que, se alguém mostrar a eles o brasão de Cacoal e o brasão de Maringá (cidade natal do herói da onagrocracia), eles não saberão distinguir. Aliás, é muito comum ouvir e ver pessoas de Maringá declarando a frase: “Nossa bandeira jamais será vermelha”, em todos os lugares, sem saber que a cor predominante na bandeira de Maringá é o vermelho. Na verdade, essas mesmas pessoas idolatram a bandeira dos Estados Unidos, onde o vermelho também está destacado. Agora, com esta imprevisível pandemia, os filhos desses patriotas certamente devem ser enfileirados todos os dias em casa para entoar o Hino Nacional, como queria o colombiano. Mas não podemos considerar nenhuma surpresa, se eles estiverem cantando, todas as manhãs, com os filhos, o hino dos Estados Unidos… Tenho dito!!!!!

FRANCISCO XAVIER GOMESProfessor da Rede Estadual e Articulista

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Categorias: Colunistas

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