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Coluna do Xavier – Cacoal: A Pandemia, o Heuro e os Papagaios de Pirata… (24/07/2020)

Coluna de opinião de autoria do Professor Francisco Xavier, na edição impressa de TRIBUNA POPULAR do dia 24 de julho de 2020

24/07/2020

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A população de Cacoal e principalmente os servidores do Hospital de Emergência e Urgência de Rondônia ( HEURO) estão muito assustados, nos últimos dias, em virtude do aumento excessivo do número de pessoas infectadas pelo coronavírus na Capital do Café. Entre as maiores vítimas estão justamente dezenas de servidores do setor de saúde, situação que devemos lamentar profundamente, pela dedicação com que os trabalhadores da saúde têm atuado para salvar vidas, colocando em risco suas próprias vidas e de seus familiares. Esta situação em Cacoal poderia estar menos dramática, porque muitas pessoas alertaram, desde o início da pandemia, pedindo que o governo de Rondônia criasse uma estrutura capaz de atender as demandas. Os próprios servidores chamaram a atenção, incontáveis vezes, para o risco de uma tragédia anunciada, como declarou esta semana uma servidora do HEURO nas redes sociais. Infelizmente, o descaso das autoridades estaduais foi geral e os problemas podem se tornar muito sérios em Cacoal…


A problemática começa quando o Governo de Rondônia transforma Cacoal em um “polo” para atendimento de pessoas contaminadas pelo coronavirus. Em tese, esse polo atenderia cerca de 34 municípios, o que significa, na prática, uma população estimada de 800 mil pessoas. O problema é que o governo criou esse polo, mas não fez absolutamente nada para oferecer a estrutura necessária e apenas colocou todos os trabalhadores do setor de saúde do Hospital Regional de Cacoal e do HEURO numa situação de risco total, porque esses servidores, muitas vezes, tiveram que trabalhar sem que houvesse sequer os equipamentos de proteção individual e outros equipamentos sem os quais não é possível fazer um trabalho satisfatório. Até mesmo os medicamentos e insumos mais básicos chegaram a faltar no polo de saúde criado por Marcos Rocha e Fernando Máximo. Até mesmo um bolsominion embriagado sabia que, para o problema aparecer concretamente, era apenas uma questão de tempo…

Durante todo o período em que a pandemia crescia, muitas pessoas alertaram para a necessidade de instalar no polo de Cacoal uma estrutura de hospital de campanha, para atender vítimas da Covid-19. Isto implicaria um efetivo maior, a aquisição de equipamentos, insumos e até mesmo medicamentos. Nada disso aconteceu, mas o secretário de saúde do estado fazia vídeos e áudios diariamente, informando que o polo de Cacoal estava uma maravilha. Esse teatro todo contava sempre com a aquiescência de diversos políticos e lideranças da Capital do Café. Tratar a Covid-19 como objeto de propaganda e marketing político não é o melhor caminho e isso já tinha ficado claro com os problemas ocorridos na Europa e nos Estados Unidos. Mas o governo de Rondônia ignorou o flagrante avanço da doença e fez um palanque que pode custar caro para a população e que já custa muito caro para dezenas de trabalhadores da saúde em Cacoal.


Muitas pessoas certamente não irão lembrar, mas o governo fez um “drive thru” em Cacoal para servir de palanque político. Na ocasião, o secretário declarou que o drive thru serviria para avaliar a possibilidade de implantação de novas medidas de prevenção e combate ao coronavirus. Durante o drive thru, os deputados estaduais de Cacoal atuaram apenas como plateia para o secretário de saúde e o governador. Em momento algum o secretário e o governador foram cobrados sobre a necessidade de instalar no polo de Cacoal uma estrutura compatível com a quantidade de municípios a serem atendidos. E para que serviu o drive thru?? Para absolutamente nada!! Os servidores da saúde do Hospital Regional de Cacoal e o HEURO continuaram fazendo tudo que estava ao alcance deles, mas o governo não percebia o avanço do problema.

Cada vez que o governo renovava os decretos relacionados com a Covid-19, as restrições eram mais flexibilizadas, inclusive permitindo a reabertura de igrejas. Não existe nenhuma necessidade de fazer abertura de igrejas neste momento de pandemia e a própria bíblia garante isso no livro de Mateus, capítulo 6, versículos 5-6, trecho que pode ser acessado por todas as pessoas. Qual a diferença que existe entre fazer aglomerações em bares, restaurantes e residências e realizar atividades religiosas que reúnem dezenas de pessoas?? Os dois filósofos da honestidade bem sabem que não existe nenhuma diferença…


A situação de Cacoal, no dia do drive thru era de 143 infectados e 02 óbitos. Hoje esses números são quase cinco vezes maior. As estruturas do HEURO e do Hospital Regional permanecem as mesmas do início da pandemia: faltam equipamentos, falta apoio aos servidores, faltam insumos e falta representação política. A única coisa que aumentou foi o número de vítimas da Covid-19, incluindo-se dezenas e dezenas de servidores. Aliás, os médicos, enfermeiros, auxiliares, técnicos e agentes administrativos fizeram tudo que podiam para evitar o caos. E o que foi feito pelas autoridades?? O governador se recolheu com a família em quarentena e os deputados estaduais continuam brincando de trancar a pauta da Assembleia Legislativa de Rondônia, em período de recesso.

O descaso com a saúde é tão visível, na hora de cobrar do governador mais respeito com a população e com os servidores da saúde, não aparece nenhum político. Eles aparecem apenas para fazer fotos no drive thru. Ah, sim!! E quando o governo resolve atender o clamor popular ou as justas reivindicações dos servidores, mandando alguma migalha, em equipamentos e medicamentos para o polo de Cacoal, é normal aparecer algum político para fazer as vezes de papagaio de pirata… Tenho dito!!!

FRANCISCO XAVIER GOMES – Professor da Rede Estadual e Articulista

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Categorias: Colunistas

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