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Coluna do Xavier – Cacoal: Os Políticos, Os Inimigos e A Infantaria… (27/08/2020)

28/08/2020

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A população de Rondônia certamente tem razão, quando reclama que os políticos eleitos no estado desconhecem as demandas e as prioridades da sociedade e dos municípios. Na realidade, o uso do vocábulo “desconhecem” é apenas um eufemismo cuja finalidade é poupar os já desgastados políticos de nosso estado de algumas verdades mais cruas, sem deixar de registrar que falta neles a capacidade de tentar enxergar pelo menos o óbvio, para evitar situações vexatórias. Essa intensa luta de vários políticos de Ji-Paraná pela construção de um Batalhão de Infantaria de Selva no município deixa claro que as pessoas escolhidas pelos eleitores de Jipa estão na contramão da história, ou então fazem parte do Incrível Exército de Brancaleone, porque não é possível acreditar que eles consideram um quartel de infantaria do Exército Brasileiro como a principal prioridade do município… 

O leitor pode considerar um absurdo alguém falar que Ji-Paraná não precisa de um Batalhão de Infantaria do Exército, porque certamente os deputados, senadores, vereadores e o prefeito da cidade colocaram na cabeça do eleitor que, sem um batalhão de infantaria, Ji-Paraná não pode crescer. Todavia, antes de defender essa tese descabida, é necessário entender algumas informações muito claras que não estão sendo colocadas pelos defensores da infantaria ji-paranaense. Primeiro, é necessário esclarecer que a missão do Exército Brasileiro é defender a pátria, os poderes constitucionais a lei e a ordem. Claro que um estado no qual a dentadura de um político custa 60 mil reais é desprovido de lei e de ordem, mas esse tipo de situação não justifica a instalação de um batalhão de infantaria. Apesar disso, o senador Acir Gurgacz e outros defensores do Estado Mínimo querem construir um quartel de infantes, para quase 1.000 militares do exército, na cidade “Coração de Rondônia”. Pelas informações que circulam na imprensa do estado, o quartel custaria 120 milhões de reais. É possível que exista em Rondônia muitas pessoas que tenham fetiche por militares do Exército Brasileiro; é possível até que políticos de Ji-Paraná tenham esse tipo de fetiche, porque a ciência prevê essa possibilidade. Agora, gastar 120 milhões de reais, apenas para realizar uma fantasia, é uma coisa absolutamente esquisita. É mais fácil o “príncipe” Luiz Philipe de Orleans e Bragança assumir o “trono” do que a Infantaria do Exército Brasileiro cumprir suas atribuições constitucionais em Ji-Paraná…

Agora, vamos separar as coisas!! Aqui se fala das atribuições do Exército Brasileiro. Aqui se fala da infantaria. Não vamos confundir com outras instituições que também usam farda. O Corpo de Bombeiros, a Polícia Militar, os Bombeiros Civis, as Guardas Municipais e a própria Polícia Federal, que muitas vezes usa uniforme, são instituições absolutamente necessárias e muito importantes para Rondônia e para todos os municípios de nosso estado. A Aeronáutica é uma instituição também muito importante, porque atua no sistema de navegação aérea do país e tem indiscutível importância para a Amazônia. Mas instalar um Batalhão de Infantaria em Ji-Paraná não parece ser a prioridade deste município. Podemos até aceitar a ideia de que Rondônia é um estado de fronteira e a segurança precisa existir, mas em Guajará-Mirim existe o Batalhão de Infantaria de Selva, desde 1932, e nunca o Brasil foi invadido. Os militares do Exército Brasileiro estão, há quase 100 anos, em Guajará-Mirim esperando o “inimigo”. Como na cabeça do Bolsonaro o inimigo do país é o “comunismo”, então o governo brasileiro se prepara para gastar 120 milhões para combater o comunismo em Rondônia.

A discussão sobre essa ideia precisa ser ampliada. Caso os políticos de Ji-Paraná e de Rondônia tivessem lutando para construir um Batalhão de Engenharia do Exército em Ji-Paraná, seria muito diferente, porque a Engenharia seria muito útil para construir obras de pavimentação no estado. Caso o governo brasileiro estivesse lutando para construir um Hospital do Exército em Ji-Paraná, seria uma ideia excelente, porque o EB tem profissionais de saúde muito qualificados. Um hospital do Exército na região central de Rondônia seria uma coisa absolutamente útil. Agora, construir um Batalhão de Infantaria de Selva só pode ser brincadeira dos idealizadores… Os senadores e deputados federais de Rondônia deveriam brigar para duplicar a BR-364, para evitar o alto número de acidentes fatais na rodovia todos os anos. Os deputados e senadores de Rondônia deveriam lutar para construir as pontes sobre os rios Ribeirão e Araras, na região de Guajará-Mirim, porque as pontes que existem nesses locais foram construídas entre 1907 e 1912. Muitas pessoas evitam viajar para a fronteira, porque querem evitar aquelas pontes. Instalar um Batalhão de Infantaria em Ji-Paraná, cuja principal função vai ser pintar os meios-fios das calçadas, é uma coisa que não tem o menor cabimento; enquanto o estado sofre com muitas outras situações que são prioridades e que não são vistas pelos políticos.

Os dois filósofos da honestidade certamente hão de concordar com a tese de que um Batalhão de Infantaria não está entre as prioridades de Jipa. Nessa densa selva de corrupção que existe em Rondônia, não se pode esperar soluções vindas de um Batalhão de Infantaria, mesmo porque o inimigo rondoniense pode até ser o comunismo, mas o estado tem inimigos muito piores. Depois de criar a infantaria em Ji-Paraná, a sugestão que fazemos para os políticos de nosso estado é que peçam para entrar como oficiais do Quadro Maior no Incrível Exército de Brancaleone… Tenho dito!!!!

FRANCISCO XAVIER GOMESProfessor da Rede Estadual e Articulista

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