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Coluna Papudiskina – A eleição no Peru é uma amostra de que a polarização é um fenômeno global

11/06/2021

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Papuzzzz

O Peru foi às urnas no último domingo para escolher, em segundo turno, o seu próximo presidente. Os resultados apurados até aqui mostram queo país está praticamente dividido ao meio, onde uns falam de esperança e outros de medo. Enquanto uns comemoram, muitos, naquele país, tem manifestado nas redes sociais o seu desalento com o futuro da nação.

As eleições peruanas se apresentam como um espelho para o que vem no Brasil no próximo ano, caso o processo eleitoral transcorra dentro da esperada “normalidade”. No Peru, vença quem vencer, a diferença de votos será apenas de uma fração centesimal. Isto quer dizer que a sociedade se dividiu entre dois projetos, duas perspectivas. E por que isso acontece, mesmo quando em um primeiro turno se apresentam tantos candidatos e tantas opções?

Obviamente, para quem defende o segundo turno, é natural que, em algum momento, dois candidatos tenham votação idêntica e o eleito seja conhecido nos detalhes. Só que, para além disso, o que se percebe é que, com o advento das redes sociais, o processo de escolha de um governante deixou de ser algo trivial, uma singela manifestação de vontade. Em todos os países onde há eleições “livres” o que se percebe é uma intensa radicalização ideológica, entre esquerda ou direita, ou de quem tem medo de uma dessas ideologias.

Por aqui, a radicalização não parece muito diferente da que vimos no país vizinho. Nas redes sociais, as pessoas estão se digladiando virtualmente e as pesquisas mostram que o Brasil também está rachado meio a meio, mesmo que vários sejam os partidos políticos que prometem lançar candidatos a presidente.

Com mais de 30 partidos registrados, em teoria, a população teria uma saída, uma forma de fugir dos extremos.A coisa, porém, não é tão fácil assim. O ser humano gosta de competitividade, de embates, e as redes sociais criaram um ambiente favorável para que os eleitores se aglutinem em torno de dois campos opostos. Parece um imã que atrai uns para um polo e outros para o polo contrário.  Isso mostra, para todos nós, que é praticamente impossível uma eleição sem trauma e nos remete à seguinte indagação: “será que o modelo de segundo turno, pensado para corrigir distorções e representar a verdadeira vontade popular, não estaria na hora de ser repensado?

No passado, não importa quantos candidatos se apresentassem, o eleito seria o que tivesse o maior número de votos. A sociedade cobrou o segundo turno, alegando que esse modelo levava um dos candidatos a ser o escolhido, sem representar a verdadeira vontade, visto que, em uma eleição com dezenas concorrentes, como costuma ocorrer em países com milhões de eleitores, alguém poderia ser eleito com menos de um terço dos votos.

Mas será que em um segundo turno teríamos, mesmo, a legítima expressão da vontade popular? A resposta é um rotundo não. No segundo turno o mais provável é que quem votou em um dos dois candidatos repita o seu voto e os eleitores que não votaram em nenhum deles decidam entre anular o seu voto ou escolher aquele que julguem menos ruim entre os dois.

Talvez voltarmos ao modelo anterior, onde o eleito seja quem tiver mais votos, independente de ter ou não obtido a maioria absoluta, poderia distender um pouco esse clima de beligerância entre os cidadãos, diminuindo o fenômeno da polarização. A ideia de um segundo turno para que a verdadeira vontade popular seja respeitada falhou. Esse modelo só transformou um processo eleitoral em uma histeria coletiva, agora exacerbada pelos monstruosos embates nas redes sociais.

Enfim, está claro que não há um modelo perfeito para que os cidadãos decidam o destino de seu país sem traumas. Não há uma solução mágica. A vida em comunidade sempre terá sobressaltos e escolher um dentre tantos que governe a todos não é nada fácil. Talvez a educação consiga preparar-nos para que, no futuro, encaremos o processo de escolha de quem nos governará de uma maneira menos traumática e sem agressões verbais e até física entre os cidadãos por quem, certamente, vai nos desapontar quando eleito.

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Categorias: Colunistas

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