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TEIXEIRA (2) – Rondônia Além da História

06/06/2021

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É preciso evitar que o homem seja superado pelo “retrato” que se faz dele e que gera desinformação

Por Lúcio Albuquerque, repórter – jlucioac@gmail.com

Coleegio Militar De Manaus 1 800x445 1
Colégio Militar de Manaus

Antes, um fato que justifica minha preocupação. Há alguns anos eu estava atuando como uma espécie de consultor de uma grande reportagem televisiva sobre Rondon. A repórter abria sua fala sobre o Marechal citando o que, se pronunciada conforme registros históricos, seria a repetição do grande manto do homenageado. Dizia ela:  “O lema de Rondon era “matar, se preciso for, morrer nunca”. E parou porque o cinegrafista cortou a gravação em meio a risos. E explicou: “Você acabou de mudar todo o lema do Rondon”.

Nomes importantes da nossa História costumam serem colocados em tal situação que, basta uma leitura mais profunda, é possível (isso) causar prejuízos à imagem da pessoa, ainda que são inumeráveis os benefícios que sua passagem por Rondônia tenham feito com que se diferenciem dos demais. Rondon, Aluízio Ferreira, Paulo Leal, Dom Rey, Teixeira e alguns poucos mais podem ser colocados em tal rol, de tal modo que está mais que necessária a discussão sobre cada um deles entre o Homem e o Mito criado por fatores como: a excessiva admiração, o desconhecimento do fato ou a pura vontade de elogiar.

Antes um registro: seguidamente tenho  ouvido, inclusive de pessoas com grande conhecimento da nossa história, quando falam da Madeira-Mamoré, citações como “cada dormente era um homem morto na construção da ferrovia (quem está lendo essas linhas com certeza já ouviu).

O governador com dona Aída e assessores numa de suas muitas visitas pra inspecionar obras.

Que Teixeira, Rondon, Aluízio Ferreira, Paulo Leal, Dom Rey e alguns outros merecem as homenagens, disso não há dúvida. No caso de Teixeira, o “mais moderno” de todos, e o único, até pelo momento em que esteve entre nós, em que os meios de comunicação ofereciam uma oportunidade maior de divulgar seus trabalhos, aliada à percepção que ele sempre teve da necessidade de se comunicar usando tais meios, ficou mais fácil saber o que fez, e o que a ele é atribuído.

Quando eu cito desconhecimento atribuo, por exemplo, ao que disse no dia 1, data dos 100 anos do Teixeira, um repórter de televisão em Porto Velho, citou que ele veio mandado para a região Norte do país com a  missão de “transformar” o Território em Estado. Qualquer um que conheça um pouco da história do ex-governador sabe que 13 anos antes de vir para o Território ele estava em Manaus onde instalou o CIGS, instalou o colégio Militar e foi prefeito de Manaus de abril de 1975 a 21 de março de 1979.

Leio com atenção tudo que vejo com relação a história de Rondônia, especialmente quando o assunto seja o período de transição de Território a Estado, que eu, como repórter, tive a oportunidade única de acompanhar bem de perto, sem nunca ter trabalhado com o Teixeira, em Manaus e aqui, onde cheguei quatro anos antes dele vir, apesar de, inclusive jornalistas e historiadores insistirem, ao me apresentar para um grupo, como fez um apresentador de programa de rádio, citando que eu fui “assessor do Teixeira”. Em Manaus eu estava num jornal critico de sua administração e aqui, onde eu também trabalhava num jornal de cunho nacional, sob censura militar desde 1968.

1984 – Em 1984 o presidente João Figueiredo, entre Teixeira e o ministro Mário Andreazza na inauguração do asfalto da BR-364 em Porto Velho (F. Machado)

Aliás, uma sugestão para nossas várias Academias: a de Letras de Rondônia, Rondoniense de Letras, a de Letras Maçônica, a de História Militar de Rondônia, o Instituto Histórico e Geográfico de Rondônia, para que se realize um grande debate sobre cada uma das figuras citadas há pouco, entre o Homem e o Mito, isso para evitar que personagens como Teixeira, que reputo sem qualquer medo de errar ter um enorme serviço prestado a nós por aqui, a Manaus e ao próprio país pelo seu trabalho no Cigs, continuem sendo citados de forma errada talvez por desconhecimento, talvez por açodamento em creditar a ele o que não consta de seu currículo.

Além daquela citação sobre o repórter de TV, alegando que Teixeira fora mandado para o Norte para transformar Rondônia em Estado, é apenas uma das muitas que andei lendo esses dias comemorativos do centenário do governador.

Há quem credite a Teixeira trabalho sobre as terras de Rondônia que, em realidade, foram feitos pelo Incra desde o final da década de 1960 pela equipe comandada pelo capitão Sílvio Farias e pelo agrônomo Assis Canuto, a cuja ação pode ser atribuída o que hoje se conhece por “fronteira agrícola estratégica” de Rondônia.

Afirmações tais como “foi o Teixeira que mandou abrir a BR”, já ouvi não sei quantas vezes; só que o governador chegou aqui 19 anos depois dela ser aberta, e 13 anos depois do BEC ter assumido o protagonismo de mantê-la, apesar de tudo, aberta ao tráfego.

Rose Vieira, professora de História, publicou num site uma matéria homenagem, onde cita: “Não conheci, ainda, nas andanças como pesquisadora, alguém que não gostasse de Teixeirão ou que tivesse algo ruim para apontar em seu comportamento e gestão”. É uma questão discutível. Eu, por exemplo, sei de casos que podem diminuir essa afeição pelo ex-governador, mas isso não reduz o que sei da importância dele para a criação do Estado.

A mesma professora cita que Teixeira “trouxe a telefonia com a Teleron”. Bom, a telefonia chega a Porto Velho no final da década de 1960, e ganha corpo a partir da década de 1970 quando a Embratel instala suas antenas. Cito: No dia 4 de junho de 1975  a Empresa Teleron instala um posto telefônico na vila de Cacoal, na rodovia BR-364 (ver em https://www.rondoniaalemdahistoria.com.br/bom-dia-27-de-maio-o-dia-na-historia/). Em novembro de 1975 transmiti de Vilhena minha primeira matéria sobre Rondônia, por telefone. Teixeira chegou aqui em março de 1979.

A PRÓXIMA

TEIXEIRA (3)

 A difícil relação com a política e vários dos muitos causos que vi ou soube

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