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TEIXEIRA (I) – Rondônia Além da História

02/06/2021

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Por Lúcio Albuquerque, repórter

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Homem de muitas missões – cumpridas – deixou um bom legado, mas não fez tudo que dizem

Em 1966, a designação do major EB Teixeira – Jorge Teixeira de Oliveira, para cumprir a missão de instalar o Centro de Instruções de Guerra na Selva, criado pelo presidente João Goulart a 2 de março de 1964 (*), começaria uma nova etapa para a Amazônia Ocidental, devido à ação constante daquele oficial nos vários projetos que esteve envolvido na região.

Manaus – onde eu morava ainda – foi o primeiro local a sentir o impacto das ações do oficial. Graduado pela Escola das Américas, Teixeira passou a fazer do Cigs um ente-referência, e não só no Brasil, quando o assunto seja guerra na selva, e isso fez com que seu comandante mantivesse um novo tipo de relacionamento com a sociedade local, inclusive pela importância que ele dava à mídia. E dali que o conheci.

Em 1971 implanta a oitava unidade de Colégio Militar, desta feita em Manaus e em 1974 seria nomeado prefeito de Manaus, uma cidade que não recebia modificações necessárias, devido ao desenvolvimento, desde muitos anos.

Com a esposa senhora Aída Fibiger, Teixeira participa de
um evento festivo
 
(F. Machado)

Àquela  altura eu viajava muito e era comum, ao chegar em outras cidades, perguntarem se eu conhecia o prefeito de Manaus, e quem visitava a cidade, na época estava no auge do comércio de produtos importados na a Zona Franca, havia quem procurasse saber quem era o prefeito que “está modernizando a cidade”.

Em 1979 eu tive a informação privilegiada, através de um irmão residente em Manaus e conhecido de Teixeira, de que ele viria governar Rondônia, e o governador Guedes mandou me chamar para saber se eu conhecia seu substituto. E quando ele chegou para uma visita, antes de tomar posse, eu fiz as apresentações, por que os dois não se conheciam; pelo menos é o que me foi contado – do governador Humberto Guedes com seu substituto Jorge Teixeira, debaixo da asa do jato da Cruzeiro do Sul. Na ocasião Teixeira já mostrou seu estilo fazedor: “Vim com a missão de transformar Rondônia em Estado”, disse aos jornalistas debaixo de um sol imenso no espaço entre o prédio do aeroporto e o avião.

Levado até a Câmara Municipal, Teixeira parece não ter-se incomodado com a recepção fria da bancada do MDB, orientada pelo deputado federal Jerônimo Santana, contumaz crítico de todos os governadores do Território desde quando chegou aqui, e até dos que não haviam assumido ainda, caso do Teixeira. Ainda na Câmara Municipal o vereador Cloter Mota, líder do MDB, declarou: “É mais um coronel desempregado”.

O tempo e a história provariam o contrário a Cloter que tinha uma parente bem próxima, dentre os servidores importantes da prefeitura manauara quando Teixeira era o alcaide.

Naquela primeira vinda Teixeira conheceu várias regiões do Território, em avião cedido pelo governador Humberto Guedes, e pelo que fiquei sabendo depois da posse, teria mandado mostras as informações e projetos que vinha desenvolvendo fossem disponibilizados a seu substituto.

O presidente da Assembleia Constituinte, deputado José Bianco entregando encadernação com a primeira Constituição ao governador Jorge Teixeira (F. Marcos Grutzmacher/acervo Assembleia Legislativa)

Talvez imaginando que não havia quadro suficientemente adequado aos projetos que pretendia desenvolver, Teixeira trouxe de Manaus vários assessores, o que causou críticas de segmentos diversos, aproveitando alguns nomes já inseridos na administração Humberto Guedes, casos dos agrônomos William Cury e Luiz Carlos Menezes, da professora Janilene Melo, do administrador José Gomes de Melo, do médico Jacob Atallah, dentre outros.

Teixeira foi o governador mais longevo de Rondônia, ficando cinco anos na função, sendo dois anos e oito meses no comando do Território. Uma testemunha narrou que na primeira reunião com os assessores mais diretos, incluindo os admitidos aqui, alguém falou sobre o projeto do Estado e Teixeirão perguntou onde estava a proposta. Alguém respondeu que se encontrava em Brasília. Ele destacou dois funcionários para irem buscar e, pelo visto, fez as necessárias adequações para aplicar.

Enumerar as obras que ele desenvolveu em Rondônia eu prefiro deixar para outros que falem a respeito dele. Mas tenho em mente que, não fosse a proximidade de Teixeira com o ministro Mário Andreazza, do Interior, e com o presidente João Figueiredo, dificilmente ele teria condições das realizações que fez, inclusive de ver, em sua administração, Rondônia tornar-se a 23ª  estrela “no azul da União”.

Mas é preciso evitar que o mito supere o que fez o homem.

(*) https://www.google.com/search?q=hist%C3%B3ria+do+cigs&oq=hist%C3%B3ria+do+cigs&aqs=chrome..69i57.3674j0j4&sourceid=chrome&ie=UTF-8

DOMINGO – TEIXEIRA (*)
É preciso evitar que o homem seja superado pela admiração simples.

Prédio do comando do Cigs, em Manaus, que tem como patrono Jorge Teixeira ((https://www.cigs.eb.mil.br)
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