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COLUNA DO XAVIER – CACOAL: A EDUCAÇÃO, A GREVE E OS TRAIDORES…

6 minutos de leitura

Por Francisco Xavier Gomes

CACOAL: A EDUCAÇÃO, A GREVE E OS TRAIDORES…

Os profissionais da educação do estado de Rondônia iniciaram, na última quarta-feira, uma greve que poderia muito bem ter sido evitada, caso o comando da SEDUC e o próprio governador não tivessem tratado com tanto descaso a situação da educação em nosso estado. Os motivos que culminaram com o movimento grevista são inúmeros, mas muitas pessoas, entre elas políticos com mandato, fingem que não sabem de nada. Alguns inclusive reagiram imediatamente após o início da greve e fizeram duros ataques contra os profissionais de educação, numa clara tentativa de tentar justificar toda a incompetência da cúpula da SEDUC e a disposição de puxar saco do governo. E, como “argumento” de defesa do governo, muitos desses traidores resolveram declarar que os profissionais da educação “estão prejudicando” 170 mil estudantes. Argumento ridículo, covarde e cínico, cuja finalidade é proteger aqueles que efetivamente prejudicam os alunos e a educação do estado…

Inicialmente, cabe esclarecer que uma greve não pode começar do nada, sem que haja várias ou muitas tentativas de encontrar as soluções. No caso desta greve, especificamente, desde o mês de fevereiro, a direção do Sindicato da Educação (SINTERO) fez inúmeras tentativas de conversar com o comando da SEDUC e tentar colocar na pauta de discussões algumas das reivindicações que já são feitas pela categoria desde o primeiro ano do governo Marcos Rocha, mas que nunca foram ouvidas pelo governo ou pela Secretaria de Estado da Educação. Um dos principais motivos da greve é a necessidade de se realizar em Rondônia um concurso público, para preencher centenas de vagas que hoje causam grandes transtornos para todos os trabalhadores da educação. A falta de professores em diversas áreas específicas é muito ruim, compromete o trabalho de todos e contribui para diminuir a qualidade que todos desejam na educação. Ignorando esses fatos, a SEDUC criou um mecanismo de contratar professores emergenciais que, muitas vezes são obrigados a ministrar aulas de outras áreas, muito diferentes de sua formação, para não perder o emprego. Há muitos professores com formação em História dando aulas de Inglês; com formação em Geografia dando aulas de Biologia e assim por diante. Isso é péssimo para a qualidade do ensino!

O governo, por sua vez, criou a ilusão de que fez investimentos gigantescos na valorização dos professores. Alguns bajuladores do governo chegam a dizer que esta valorização foi de 100%. Tudo mentira! O que faz o estado de Rondônia é o que fazem todos os demais estados: pagar o salário dos professores, conforme estabelece a Lei do Piso Salarial da Educação, uma lei federal criada em 2008. Durante o governo de Marcos Rocha, não foi criada em Rondônia nenhuma lei de valorização de professores. A lei estadual de valorização dos profissionais da educação que existe em Rondônia é o Plano Decenal, aprovado em 2014 e que tinha vigência prevista para 10 anos. Isto significa que esta lei teve seu tempo de validade vencido no ano passado. Mesmo assim, o governo de Rondônia, entre 2014 e 2024, nunca aplicou nenhum dos itens de valorização dos profissionais até hoje. Quem declara que o governo de Rondônia pratica a valorização de professores não passa de um grande mentiroso. Os benefícios que os profissionais possuem são decorrentes dos efeitos da lei criada em 2008. É inadmissível ver, por exemplo, um deputado estadual falar que o governo valoriza os professores, se a Assembleia Legislativa do estado nunca aprovou, nos últimos 10 anos, nenhuma lei sobre esse assunto.

Para se ter uma ideia, o Auxílio Alimentação que o governo de Rondônia paga a um professor é de R$ 253,00. Esse valor é o mesmo desde 2016, quando uma cesta básica custava três ou quatro vezes menos do que hoje. Em janeiro de 2016, um litro de gasolina, por exemplo, custava R$ 3,00. O mesmo governo que faz isso com os profissionais de educação elevou os valores do Auxílio Alimentação de outras categorias para valores próximos de 2 mil reais. Diversas empresas privadas de Rondônia pagam Auxílio Alimentação para seus empregados que representam o dobro ou triplo do valor pago pelo governo de Rondônia aos professores e técnicos. Não dá para aceitar esse argumento fajuto de que os profissionais de educação têm sido valorizados pelo governo, porque isso não é verdade. Desde o ano passado, a SEDUC informou ao SINTERO que havia criado uma equipe para “estudar” a possibilidade de aumentar o valor do Auxílio Alimentação. O Auxílio Saúde que o governo de Rondônia paga a um professor é de R$ 50,00. Quem foi que disse que alguém consegue cuidar da saúde com 50 reais? A mesma SEDUC que prometeu “estudar” o assunto, há mais de um ano, também prometeu criar uma comissão para “estudar” a possibilidade de fazer um concurso. Mas tem deputados que não aceitam as reclamações dos professores…

Um dia após o início da greve, um deputado que, até pouco tempo atrás, fazia parte da Comissão de Educação na Assembleia Legislativa teve a cara de pau de dar uma entrevista e declarar que o problema é que os professores não aceitam o diálogo e que a secretária de educação é muito aberta ao diálogo. Além de ser um mentiroso, esse deputado não sabe absolutamente nada sobre o assunto. Inúmeras vezes, o SINTERO tentou se reunir com a secretária da SEDUC, nos últimos 7 ou 8 meses, mas ela sempre fechou as portas. Em algumas ocasiões, ela mesma marcou reuniões e desmarcou, por pura falta de compromisso. Essas declarações de políticos, visando apenas agredir os profissionais, revelam a covardia e o descaso das autoridades de Rondônia sobre a educação. Quem faz esse tipo de declaração é traidor da educação!

O pensador francês Alexandre Dumas, que viveu no século XIX, declarou, certa vez, que “há favores tão grandes que somente podem ser pagos com a ingratidão”. Quem acompanhou as eleições de 2022 sabe muito bem que Marcos Rocha jamais teria sido reeleito, sem o apoio dos profissionais da educação.  Na prática, os profissionais da educação de Rondônia fizeram um favor muito grande, apoiando a reeleição do governador. Hoje está provado que Alexandre Dumas tinha razão. E a ingratidão do governo está muito bem representada pelos deputados que sobrevivem da troca de favores. Esses são, além de ingratos, grandes traidores da educação… Tenho dito!!!

 

FRANCISCO XAVIER GOMES

Professor da Rede Estadual e Jornalista

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