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Agosto Laranja: Saiba como a reabilitação cognitiva está ajudando pacientes a manter autonomia e qualidade de vida

5 minutos de leitura

Neuropsicóloga da NeuronUP alerta para os desafios cognitivos da doença e compartilha orientações práticas para familiares, cuidadores e pacientes

Agosto é o mês dedicado à conscientização sobre a luta diária dos pacientes que enfrentam os sintomas da Esclerose Múltipla (EM), doença autoimune crônica que afeta o sistema nervoso central, especificamente o cérebro e a medula espinhal. Caracteriza-se por inflamação e degeneração da bainha de mielina, que protege as fibras nervosas, resultando na interrupção da comunicação entre o cérebro e o resto do corpo, segundo o Ministério da Saúde.

A doença vem ganhando maior visibilidade entre a população desde que a Federação Internacional de Esclerose Múltipla e a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgaram que, no Brasil, existem cerca de 40 mil casos, dado que representa uma média de 15 casos por 100 mil habitantes. Essa visibilidade aumentou após atrizes brasileiras, Guta Stresser (A Grande Família) e a Claúdia Rodrigues (A Diarista) revelarem publicamente que convivem com a condição.

A neuropsicóloga Martha Valeria Medina Rivera, da NeuronUP, multinacional espanhola de neurorreabilitação cognitiva, explica que a Esclerose Múltipla, apesar de ser uma doença neurológica autoimune e progressiva, não atinge apenas o corpo. “Alterações cognitivas como esquecimentos, lentidão mental e dificuldades de atenção também estão presentes em mais de 65% dos casos — e podem surgir já nos estágios iniciais”, diz.

Martha ressalta que os avanços da neurociência aplicados à reabilitação cognitiva, como os usados pela NeuronUP, têm se mostrado grandes aliados no tratamento. “Com a terapia cognitiva, percebemos que os exercícios têm ajudado a preservar as funções mentais, fortalecer a autonomia e melhorar a qualidade de vida dos pacientes”, afirma.

Com objetivo de apoiar pacientes, familiares, amigos e cuidadores, a especialista reúne 6 dicas práticas para auxiliar quem convive com a Esclerose Múltipla. Confira:

1. Ampliar o olhar além dos sintomas motores

É crucial que as pessoas fiquem atentas aos principais sintomas, já que a Esclerose Múltipla vai além da dificuldade de andar ou da fadiga física. Em alguns casos, os prejuízos cognitivos são uma das primeiras manifestações clínicas, mas costumam passar despercebidos por não serem evidentes – ou por serem atribuídos ao estresse ou ao estado emocional.

“Nesse contexto, a fadiga cognitiva se caracteriza por um cansaço mental intenso após a realização de tarefas cognitivas, mesmo as mais simples, mesmo aquelas que, anteriormente, eram consideradas simples pelo paciente. Ela afeta a qualidade de vida e interfere diretamente no funcionamento cognitivo — prejudicando a atenção, o processamento da informação, a memória, o planejamento, a retenção de dados e a tomada de decisão. Muitas vezes, é confundida com desinteresse ou falta de motivação, o que atrasa sua identificação e tratamento”, explica Martha.

2. Atenção aos sinais cognitivos

Alguns sinais pedem atenção especial: episódios de esquecimento recente, dificuldade para compreender instruções simples, perda de foco em tarefas rotineiras, problemas com habilidades visoespaciais – perceber e interpretar informações ao redor -, dificuldade de expressão em conversas do dia a dia, cansaço mental após leitura de textos e dificuldades na organização da rotina podem ser indicativos de comprometimento cognitivo.

3. Buscar avaliação neuropsicológica individualizada

A reabilitação cognitiva pode ser recomendada tanto diante de sintomas já identificados quanto de forma preventiva, especialmente em pessoas recém-diagnosticadas com EM. Iniciar o tratamento nas fases iniciais pode ajudar a retardar o declínio cognitivo e fortalecer – ou até melhorar – funções mentais, garantindo uma boa qualidade de vida.

Cada paciente com EM apresenta um perfil único, com variações nas funções afetadas e no grau de comprometimento. “A avaliação neuropsicológica é essencial para identificar com precisão os pontos fortes, os aspectos a serem trabalhados e o impacto funcional no cotidiano. Essa análise permite definir objetivos terapêuticos personalizados e um plano de intervenção adaptado às necessidades específicas do paciente”, comenta.

4. Reorganizar o cérebro com a reabilitação cognitiva

A reabilitação tem como principal objetivo estimular a neuroplasticidade – ou seja, a capacidade do cérebro de se reorganizar e gerar novas conexões neuronais. “Por meio de sessões regulares com exercícios cognitivos adaptados, é possível observar melhoras significativas no desempenho mental dos pacientes, como aumento da velocidade de processamento, melhora da atenção sustentada e seletiva, e fortalecimento da memória episódica”, comenta.

5. Experimentar soluções digitais com valor ecológico

Ferramentas online como a NeuronUP permitem que o profissional de saúde planeje sessões personalizadas, selecionando as áreas cognitivas a serem trabalhadas (atenção, memória, funções executivas, linguagem, orientação ou velocidade de processamento) e adaptando o formato das atividades (digital ou em papel), conforme o contexto terapêutico.

“Um diferencial da solução é seu alto valor ecológico, ou seja, suas atividades são baseadas em situações reais do cotidiano, o que facilita a aplicação prática dos aprendizados fora do consultório”, explica.

6. Promover empatia e visibilidade durante o Agosto Laranja

A campanha Agosto Laranja tem papel fundamental na visibilidade dos sintomas cognitivos da EM, como os comprometimentos cognitivos. Muitos pacientes enfrentam julgamentos por parecerem “normais”, mesmo lidando com grandes desafios cognitivos.

A iniciativa contribui para ampliar a sensibilização sobre esses sintomas e combater interpretações equivocadas, como desinteresse, preguiça ou desmotivação. “Incentivar a empatia e a compreensão por parte da família, dos amigos e do ambiente de trabalho é essencial para criar espaços mais seguros e acolhedores”, reforça.

Sobre a NeuronUP

Plataforma líder de neurorreabilitação projetada para atuar como suporte fundamental para profissionais envolvidos em processos de reabilitação e estimulação cognitiva. Com presença em mais de 50 países e utilizada por mais de 5 mil especialistas em 2,5 mil hospitais e clínicas, possui sistema de monitorização e gestão de pacientes, que permite ajustar terapias em tempo real para mais de 130 mil usuários ativos, melhorando os resultados e consolidando-se como a plataforma número um na Espanha e na América Latina.

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Diego Ramalho

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