A eleição para os cargos em disputa, no próximo pleito, vai acontecer somente nos primeiros dias do mês de outubro de 2026. Estamos, portanto, a um período bem longo, até que um cenário mais consolidado possa aparecer. Entretanto, isto não impede o surgimento de pretendentes ao cargo de governador, senador e deputados. Mesmo faltando mais de um ano para o pleito, os “cientistas políticos do zap” já vivem um verdadeiro frisson, e as especulações são diárias. É claro que os eventuais pretendentes realmente precisam se movimentar, porque a organização de uma campanha eleitoral exige diversos fatores que precisam ser trabalhados com certa antecedência, sob pena que não haver tempo suficiente para o trabalho de divulgação, durante o período oficial das campanhas. Porém, a coisa mais surpreendente é a exatidão com que as pessoas cravam, nas redes sociais, e até em jornais tradicionais, algumas candidaturas e vitórias que representam verdadeiro delírio eleitoral. Entre as especulações mais aleatórias, estão alguns nomes cogitados para o governo do estado, mas há diversos outros delírios…
Assim, para que tenhamos um parâmetro que justifique a avaliação que pretendemos, convém citar alguns dos nomes mais citados atualmente como eventuais candidatos ao cargo de governador do estado. Fale-se em Fernando Máximo, Hildon Chaves, Marcos Rogério, Sérgio Gonçalves, Acir Gurgacz, Ivo Cassol, Adailton Fúria, Confúcio Moura, Leo Moraes e mais dois ou três nomes. Obviamente que é possível o surgimento de algum nome que não foi cogitado e nem citado nas pesquisas divulgadas, até este momento, mas dificilmente haverá um nome, realmente competitivo, diferente desses. Neste sentido, é necessário entender as possibilidades reais, porque a única coisa de que se tem certeza hoje é um cenário de pura indefinição, principalmente porque o primeiro critério para participar da disputa é estar filiado a um partido que efetivamente confirme a candidatura no período de convenções. Alguns dos nomes citados aqui provavelmente ficarão no mesmo partido, a partir de abril do próximo ano, ou na mesma composição política. Isto implica dizer que vários deles serão rifados pelos caciques, como aconteceu com Fernando Máximo em 2024. Considerado nome certo na disputa pela prefeitura da capital no ano passado, o deputado simplesmente foi rifado pelo seu partido, que preferiu a filiação de Mariana Carvalho, no apagar das luzes.
Outros nomes elencados provavelmente encontrarão, em 2026, duros obstáculos jurídicos e dificilmente conseguirão sequer o registro, ainda que tenham boa aceitação popular, caso do ex-senador Ivo Cassol. A recente mudança promovida pelo Senado Federal na legislação não garante o fim dos problemas jurídicos do ex-governador, embora o fato tenha sido comemorado por seus seguidores e pelo próprio Cassol. Como boa parte dos nomes cogitados realmente não empolgou grande parte do eleitorado rondoniense, é natural que um político como Cassol seja referência nas discussões. Alguns dos pretendentes chegam a declarar publicamente que retirariam o nome, caso houvesse a possibilidade de uma candidatura do ex-senador. Isto pode ser visto até mesmo como uma vã tentativa de tê-lo como cabo eleitoral, o que é pouco provável, porque Cassol não tem tradição de se colocar nesta posição e, quando tentou, não atingiu os resultados. Mas não se pode descartar um cenário diferente, como Ivo de cabo eleitoral, porque, em política, não se pode duvidar de nada. Tudo bem! Mas ele seria cabo eleitoral de quem? Primeiro, é preciso esperar e saber para onde vão os pretendentes, porque a definição de partidos será uma eleição à parte. Atualmente, apenas Hildon Chaves, Confúcio Moura e Leo Moraes poderiam dizer que possuem uma sigla que abrigaria, sem problema, suas candidaturas. No caso de Leo Moraes, é muito difícil imaginar que será candidato. Mas o prefeito da capital é um cabo eleitoral de luxo…
E as candidaturas ao Senado Federal? Este tema também está intimamente ligado ao processo de escolha de candidatos ao governo, porque uma candidatura de senador pode mudar muita coisa no jogo de acomodação de interesses. Nessa seara, qualquer insatisfação ou indisposição pode gerar um grande desfalque nos palanques e enfraquecer uma candidatura majoritária que parecia promissora. O candidato ao governo que juntar no seu palanque a dupla de candidatos ao Senado Federal que cair nas graças do eleitor certamente terá muito mais visibilidade. Claro que isto não garante a vitória por pacote, mas não dá para negar que impulsiona muito. Aliás, alguns dos nomes comentados como eventuais candidatos ao governo podem virar candidatos a senadores, nos acertos políticos de última hora. Essa possibilidade é, de fato, muito palpável no atual cenário. É não será nenhuma surpresa, caso alguns desses governadoráveis acabem participando da disputa por uma das 8 cadeiras à Câmara Federal. Tudo isso deixa claro que o cenário de hoje é apenas de mera especulação. Então, pesquisas e prognósticos de redes sociais não possuem qualquer peso neste momento. Basta lembrar que Marcos Rocha sequer sabia onde fica o Mercado do Km 1, nas eleições de 2018. Foi desprezado por todas as pesquisas e venceu a eleição. Era outra realidade? Sim! Como haverá outra realidade em 2026; muito diferente do que se diz hoje, apenas por mera especulação…
Se o clima das eleições majoritárias é de total indefinição, o que dizer das pesquisas que dão como certas as vitórias de alguns pretendentes à Assembleia Legislativa e à Câmara Federal? Nos últimos 25 ou 30 anos, o estado de Rondônia provavelmente não teve uma leva de deputados e deputadas tão limitados. Isso obriga a população a fazer uma reflexão mais profunda sobre a situação, porque não pode o estado retroceder de forma tão abrupta. Assim, não dá para se deixar levar pela onda de redes sociais que buscam a todo custo tornar grandes heróis legisladores tão fracos. É óbvio que há exceções, podem até ser poucas, mas há. Entretanto, permanecer com esse quadro pouco producente definitivamente não pode ser o caminho de um estado que precisa crescer e que não pode alimentar bravateiros, como se fossem legisladores. A outra opção será o eleitor fazer discursos exigindo qualidade, nas redes sociais, e produzir tanta estupidez nas urnas… Tenho dito!!!
FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor da Rede Estadual e Jornalista














