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Rondônia

Coluna ESPAÇO ABERTO – Selvageria não é, nunca foi e nunca será tratada como esporte

4 minutos de leitura

Confira as notícias do dia, por Cícero Moura

Foto: Reprodução / Redes SociaisFoto: Reprodução / Redes Sociais

BARBÁRIE
A situação levantada — de uma luta que se transforma em violência após o término oficial — evidencia muitos dos problemas do espetáculo esportivo “que beira o barbarismo”.

TRANSMISSÃO
O mundo viu pela televisão, em São Paulo, na Spaten Fight Night, Popó Freitas enfrentando Wanderlei Silva.
Foto: Reprodução / Redes Sociais
INTERRUPÇÃO
A luta foi interrompida no quarto round após advertências múltiplas a Wanderlei, terminando em desclassificação.

SELVAGERIA
Após o anúncio, integrantes das equipes de ambos invadiram o ringue, houve uma confusão generalizada; Wanderlei foi golpeado, caiu, ficou desacordado por alguns instantes, exigiu atendimento médico, foi hospitalizado para avaliação.

VERGONHA
O evento contou com reações imediatas de repreensão, inclusive da patrocinadora, que divulgou comunicado dizendo que “o espírito esportivo e o respeito às regras devem sempre prevalecer”.

PREOCUPAÇÃO
O episódio é preocupante em vários aspectos. Começo com violação do espírito esportivo. O esporte — inclusive esportes de combate — pressupõe normas, regras e limites.

REGRAS
O objetivo não é simplesmente ferir ou humilhar o adversário, mas medir habilidades dentro do que foi estabelecido pelo regulamento.

REGRAS 2
Quando esse limite é quebrado,  por exemplo, com agressões fora do arremesso ou após o término do combate,  o que resta deixa de ser esporte e se aproxima da selvageria.

ESPECTADORES
Foi um exemplo público negativo, pois havia transmissão ao vivo em tv, provavelmente também em redes sociais, mídia etc.

SEM LIMITES
Presenciar  técnicos, auxiliares, membros das equipes, reagindo com agressão depois de encerrado o estado “oficial” de confronto legitima a ideia de que “tudo vale” quando as emoções se esgotam ou se perdem os controles.

MAU EXEMPLO
É um modelo ruim para jovens, para torcedores, para qualquer pessoa que observe e possivelmente repita comportamentos.

FATO
Eventos de luta já andam numa linha tênue entre o legítimo embate técnico e o espetáculo de confronto extremo.

FATO 2
O marketing do “choque”, do “impacto”, da “virada dramática” muitas vezes pende para o sensacionalismo.

EXPECTATIVA
Quando o público passa a esperar a violência extra como parte do show, reforça-se uma cultura de barbárie vindo da plateia, dos narradores, dos organizadores.

IMPACTO
O lutador que sofre agressão após o intervalo oficial corre risco maior de lesões inesperadas, porque não está mais em “modo de combate”, não há regra nem proteção para ele nesse momento.
Foto: Reprodução / Redes Sociais
 

FALTA DE RESPEITO
Também há responsabilização: moral, legal, social. Quando um evento esportivo termina em agressão generalizada, existe também responsabilidade dos organizadores, das equipes, do público.

CAUSAS
Falta de preparo disciplinar: Treinadores, equipes de apoio, auxiliares que talvez não sejam preparados para controlar a emoção, ou para refletir sobre limites.

CAUSAS 2
Sistema regulatório fraco ou insuficiente. Se os organizadores, árbitros e federações não aplicam sanções severas para quem comete essas agressões pós-evento, se não há penalidades aplicáveis ( multa, suspensão, perda de licenciamento etc ), o incentivo para evitar esses comportamentos fica pequeno.

CAUSAS 3
Fica notório a cultura do espetáculo que celebra “bagunça”. Infelizmente, há um apelo popular para o confronto extremo; “treta”, agressividade, contusão viram atrações.

ÉTICA ESPORTIVA
Educação esportiva, desde categorias de base, deve enfatizar valores de respeito, autocontrole, fair play. Se isso não está presente, os atletas e equipes percebem que “vencer é tudo, guerra é permitida”.

CONSEQUÊNCIAS
Lutas deixarão de ser vistas como competições sérias, e mais como espetáculos de selvageria. Isso afasta patrocinadores, público mais consciente, possivelmente gera regulação mais dura, proibições, risco legal.

SAÚDE
Cabe destacar também à saúde dos lutadores, que são afetados por lesões inesperadas, traumas físicos ou psicológicos, risco de acidentes maiores quando o combate deveria ter acabado.

CONCLUSÃO
O evento com Popó vs Wanderlei escancarou algo que muitos já sabiam: além da agressão no ringue ou octógono, há uma violência simbólica muito perigosa quando a regra final é ignorada, quando a briga se estende para fora dos limites oficiais.

CONCLUSÃO 2
Isso destrói o valor educativo, o exemplo que deveria ser dado, e reafirma hábitos de incivilidade.

OPINIÃO
Não se trata de demonizar o esporte de combate, mas de exigir que ele seja praticado com responsabilidade.

OPINIÃO 2
Existem regras para serem respeitadas não só tecnicamente, mas moralmente; que equipes aprendam que a honra do atleta não está em agressividade desmedida, mas em disciplina, estratégia, controle.

OPINIÃO 3
Se o Brasil é conhecido como país que forma muitos atletas de contato, que também possa mostrar nos ringues algo além de violência: respeito, dignidade, civilidade.

FRASE
Lutar dentro das regras é a prova de que a brutalidade pode ter inteligência.

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