Pular para o conteúdo
Colunas Ponto Crítico

Coluna PONTO CRÍTICO – Léo Moraes segue com politica do “pão e circo”, agora com sabor “rolo”

8 minutos de leitura

Coluna Ponto Crítico – Por Felipe Corona

Léo Moraes segue com politica do “pão e circo”, agora com sabor “rolo”

Evento foi anunciado em tempo recorde, sem licitação, com gastos acima de R$ 2 milhões e dinheiro tirado de áreas importantes; enquanto isso, ruas da cidade parecem queijo suíço (cheias de buracos enormes)

Terra da ilusão

Nas redes sociais, a Prefeitura de Porto Velho, comandada pelo ex-coligado com o povo, Léo Moraes (do Podemos e aquele que não gosta de conversar) parece perfeitíssima: tudo funcionando às mil maravilhas, igual um trem suíço. Mas falando em Suíça, a única realidade que parece com o país europeu é a semelhança das ruas da capital com o famoso queijo produzido por lá: buracos enormes e de todos os formatos.

Terra da ilusão 2

A saúde, que seria uma das prioridades, parece que ficou pior do que na época de Hildon Chaves: falta tudo, inclusive médicos. Tanto que a prefeitura ainda lançou uma reportagem institucional, onde o secretário Jaime Gazola (que é médico), foi para uma das UPAs para atender a população que já esperava horas à fio.

Terra da ilusão 3

E por quê não transformar a ilusão em realidade “rentável”? Pois bem, a prefeitura resolveu fazer mais uma festa com dinheiro público: a Tecnogame, evento contratado a toque de caixa, que saiu de alguma mente esperta (de algum assessor que deve ganhar 20 ou 30 mil reais) para desviar o foco mais uma vez das centenas de problemas (importantes) da principal cidade de Rondônia.

Tecnogame

E parece que o evento bombástico, que prometia revolucionar o entretenimento eletrônico e virtual na cidade, nasceu com muitos problemas, tretas, mutretas e sabor de “rolo”. Vamos aos fatos: o contrato de R$ 2 milhões que a prefeitura fez para bancar um evento de videogame de apenas dois dias, chamado “Porto Velho Tecnogame”.

Tecnogame 2

Esse contrato foi feito pela Secretaria Municipal de Turismo, Esporte e Lazer (Semtel), que é comandada por Paulo Moraes Jr, irmão do prefeito Léo Moraes e aquele que acham que será eleito deputado estadual (só tem sonhadores)… E o detalhe: a contratação foi feita sem licitação (ou seja, sem fazer aquela concorrência pra ver qual empresa cobra mais barato).

Tecnogame 3

Quando a mídia que não recebe dinheiro público (e são poucos veículos) foi fuçar a papelada (que é pública), descobriu várias coisas bem esquisitas… 1 – Documento “maquiado” e vencido: para fechar o contrato sem licitação, usaram uma certidão do Ministério do Esporte. O problema? O documento original do governo federal dizia que a certidão só valia por um ano e já estava vencida.

Tecnogame 4

O documento que foi entregue para a prefeitura teve esse trecho da validade “apagado”. Ou seja, usaram um papel alterado para conseguir fechar o negócio; 2 – Exclusividade fajuta: a desculpa para contratar sem licitação foi um atestado de exclusividade dado pela Confederação Brasileira de Games e Esports (CBGE), dizendo que só aquela empresa poderia fazer o evento. Mas essa confederação não tem reconhecimento oficial do Ministério do Esporte para isso.

Conversa fiada

Na prática, outras empresas poderiam ter concorrido se abrissem uma licitação justa; 3 – Pagamento adiantado: a prefeitura já liberou, de cara, R$ 790 mil adiantados para cobrir gastos como passagens, hotéis e cachês. Tudo isso pago antes mesmo de o evento acontecer; 4. Promoção pessoal com o nosso dinheiro: o evento é pago com dinheiro público, mas a página oficial do evento no Instagram fez uma postagem junto com o perfil pessoal do prefeito Léo Moraes.

Mais promoção pessoal

Isso pega mal porque mistura dinheiro público com promoção política na rede social pessoal do prefeito. Resumindo a ópera: a prefeitura fechou um contrato milionário e sem concorrência para um evento de dois dias, usando um documento que teve sua validade alterada para não parecer vencido, com atestado de uma confederação sem aval oficial, e ainda adiantou quase 800 mil reais. A grande questão agora é: a prefeitura não conferiu os documentos direito ou viu os erros e fechou os olhos mesmo assim?

Deixa pra lá

Conhecendo bem a turma que anda lá pelos prédios do Relógio, devem ter pensado: “bora logo fazer um oba-oba com esse evento incrível, espetacular e importantíssimo para nossos chefinhos Léo e Paulinho, que ninguém vai notar os rolos que essa empresa está fazendo. Muito menos nos cobrarem né? Afinal, tem dinheiro de mídia sobrando para nossos parceiros”.

Debaixo do tapete

O diálogo acima é fictício, obviamente. Mas não duvido que algumas palavras tenham muita semelhança com a realidade que o prefeito virtual vive, junto com sua equipe competentíssima (contém ironia) e não enxergam os verdadeiros problemas urgentes da cidade como infraestrutura, saúde e educação, onde faltam professores e até merendeiras.

Pago duas vezes

Li os comentários do colega jornalista e professor Samuel Costa e vou reproduzir aqui: “O prefeito Léo Moraes tirou cerca de R$ 2 milhões do orçamento, que poderiam ser usados em obras, trânsito e infraestrutura, para bancar um evento de dois dias de jogos eletrônicos. E não para por aí: para participar do evento, ainda estão cobrando 3 quilos de alimentos não perecíveis ou uma caixa de chocolate, o que transforma a ação em politicagem”.

Pago duas vezes II

Ele prossegue: “Os moradores não podem pagar duas vezes: primeiro com seus impostos e depois com doações para entrar. Por isso, é necessário suspender esse contrato e explicar claramente como esse dinheiro público está sendo gasto. A população quer prioridades de verdade: saúde funcionando, educação de qualidade, limpeza da cidade, asfalto nas ruas e cuidadores para crianças neurodivergentes nas escolas. É para isso que o dinheiro público deve servir”.

Estragos

Não sou fã do vereador Marcos Combate (Agir), mas ele tem acertado em alguns momentos. Vamos a uma postagem dele sobre o remanejamento de recursos para a Tecnogame: “Um motoboy se acidentou na noite de ontem [domingo passado] após cair em um buraco na esquina da Avenida Rio de Janeiro com a Guaporé, em Porto Velho. A situação mostra o risco diário de quem trabalha nas ruas da cidade”. De acordo com Combate, o rapaz quebrou a clavícula e estava internado.

Estragos 2

Segundo o vereador, “o mais revoltante é que a prefeitura retirou R$ 400 mil da SEINFRA, secretaria responsável pela manutenção das ruas, para ajudar a pagar um evento de videogame que custará R$ 2 milhões e durará apenas dois dias”.

Sem grana

Segundo divulgação feita por alguns sites, foram retirados recursos que iriam para logística de serviços básicos (limpeza e manutenção de ruas), sinalização de segurança e organização do trânsito (semáforos, faixa de segurança, etc.), modernização de sistemas de T.I., dinheiro de administração pública e ainda dinheiro que seria investido nos esportes de base.

Sem grana 2

Essas escolinhas públicas (que são administradas pela prefeitura) são locais onde crianças carentes praticam várias modalidades do esporte. É uma grande oportunidade para elas não se envolverem com o crime (especialmente as facções), além de terem a oportunidade de ter uma carreira profissional no futebol, vôlei, basquete, natação, atletismo, etc.

Oficial

A contratação foi realizada por meio da Inexigibilidade de Licitação vinculada ao processo administrativo nº 014.000941/2025-51, que prevê a contratação da empresa Ayra Hub Inovações e Tecnologia Ltda para realizar o evento denominado Porto Velho Tecnogame, previsto para ocorrer nos dias 21 e 22 de março de 2026.

Oficial 2

Com base na publicação no Diário Oficial dos Municípios, consta o Termo de Inexigibilidade de Licitação nº 0604196/2026 – SEMTEL, que formaliza a contratação da empresa responsável pela organização do evento. O documento descreve a contratação de empresa especializada em planejamento, organização, produção e execução de evento envolvendo todo o ecossistema de games e tecnologia, incluindo estrutura, logística e suporte técnico.

Pressa

A rapidez da tramitação do processo chama atenção: pouco mais de 30 dias. Os atos administrativos ocorreram entre 12 de janeiro de 2026, quando o processo foi iniciado, e 03 de março de 2026, data da publicação do decreto de remanejamento orçamentário que garantiu os recursos para o evento. Servidores municipais afirmam que outros projetos relevantes e com impacto direto na vida da população aguardam andamento desde 2024, sem receber a mesma prioridade administrativa.

Não é importante

De acordo com o Decreto nº 21.802, publicado no Diário Oficial em 03 de março de 2026, a prefeitura realizou o remanejamento de R$ 2 milhões no orçamento municipal para viabilizar o evento. Os recursos foram retirados de quatro áreas da administração pública: SMTI – Superintendência Municipal de Tecnologia da Informação (R$ 600 mil de ações de modernização de tecnologia).

Sem pressa

Ainda foram retirados recursos da PGM – Procuradoria-Geral do Município (R$ 400 mil da administração da unidade; Seinfra – Secretaria Municipal de Infraestrutura (R$ 400 mil de ações de apoio logístico de serviços básicos) e da Semtran – Secretaria Municipal de Segurança, Trânsito e Mobilidade (R$ 600 mil da modernização e manutenção de sinalização semafórica).

Tirando da reta

Outro ponto que chama atenção nos documentos publicados é que o secretário Paulo Moraes Jr não assina o Termo de Inexigibilidade, apesar de ser o titular da pasta responsável pela contratação. O documento publicado no Diário Oficial aparece assinado por Rodrigo Ferreira Campos, diretor do Departamento Administrativo e secretário-executivo de turismo em substituição.

Tirando da reta 2

Aliás, parece que Paulo Moraes Jr, aquele que querem empurrar goela abaixo da população como simpático e competente, não assina documento nenhum na Semtel. Quem sempre assina é o adjunto, Aleks Palitot ou algum diretor de departamento. Eu só gostaria de saber se ele repassaria o salário de quase 50 mil reais para quem realmente trabalha de verdade…

Esta coluna foi escrita com informações publicadas pelo site FatosRO, com informações divulgadas no começo de março.

Os sites que publicam esta coluna reservam o direito de manter integralmente a opinião dos seus articulistas sem intervenções. No entanto, o conteúdo apresentado por este “COLUNISTA” é de inteira responsabilidade de seu autor.