Os peruanos foram às ruas ontem (26) para eleger novos membros para o Congresso, após o presidente Martín Vizcarra ter dissolvido o Par

As pesquisas de boca de urna mostram um Congresso composto por dez
partidos, todos com mais de 5% de votos, requisito para a eleição.
Cerca de 25 milhões de cidadãos votaram para escolher 130 novos
parlamentares entre os mais de 2 mil candidatos, de 21 partidos
políticos.
Presidente Vizcarra anuncia a dissolução do Congresso peruano em setembro do ano passado – Reuters/ Direitos Reservados
No Peru, a cada cinco anos, os cidadãos votam para definir parlamentares e presidente. No entanto, dessa vez foi diferente.
A votação foi apenas para o Congresso. Isso porque os parlamentares
que foram escolhidos terão mandatos-tampão, de apenas um ano e seis
meses, até o fim do atual mandato. As próximas eleições gerais vão
ocorrer em abril de 2021 e a posse, em julho.
Os três partidos que receberam mais votos, de acordo com a sondagem
feita pelo instituto Ipsos e pelo canal América TV, são a Ação Popular
(11,8%), Aliança para o Progresso (8,8%) e Partido Morado (8,1%). A
margem de erro da pesquisa é de 1 ponto percentual para mais ou para
menos.
Além desses três partidos, devem ter representação no Congresso os
seguintes: Podemos Peru, com 7,4 % dos votos; Força Popular, 7,1 %;
Somos Peru, 7 %; Frente Popular Agrícola do Peru (Frepap), 7,0 %; União
pelo Peru, 6,2 %; Frente Ampla, 6,2 %; e Juntos pelo Peru, 5 %.
O partido do fujimorismo, Força Popular, deve ficar com cerca de 7%
dos votos e apenas 12 assentos. Em 2016, o Força Popular havia
conquistado 36,3% dos votos e 73 assentos.
Dissolução do Congresso
No dia 30 de setembro do ano passado, o presidente do Peru, Martín
Vizcarra, anunciou a dissolução do Congresso, após o Legislativo negar
um pedido de voto de confiança para mudar o sistema de indicações de
magistrados para a Suprema Corte do país. Vizcarra já havia ameaçado
dissolver o Congresso, caso o Legislativo não discutisse a necessidade
de reformar os critérios para ingresso na Suprema Corte.
A intenção de Vizcarra era evitar a nomeação de juízes ligados à
oposição fujimorista, que tinha maioria no Congresso, com aliados de
direita e extrema direita.
O estopim da crise ocorreu quando o Congresso, ignorando a moção de
confiança (ou voto de confiança) anunciada pelo presidente, realizou uma
votação atribulada em que elegeu um magistrado para a Corte Suprema,
não discutindo primeiramente o voto de confiança. Vizcarra, então,
anunciou a dissolução do Parlamento.
Uma semana antes, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos
(CIDH) havia denunciado as “eleições relâmpago” do Congresso para mudar a
configuração da Suprema Corte, em um momento em que o tribunal
analisava casos de políticos e ex-presidentes investigados por corrupção
e lavagem de dinheiro, citados na Operação Lava Jato.
Fonte: Por Marieta Cazarré – Repórter da Agência Brasil Montevidéu
