Madeira-Mamoré recuperou locomotiva alemã em 1943, informa o Alto Madeira

MONTEZUMA CRUZ

Originalmente no Varadouro (Rio Branco)

Porto Velho salva locomotivas desde o início do Território Federal do Guaporé, em 1943. A mecânica com a utilização de mão de obra local vem de longe. Atualmente, a recuperação do mínimo patrimônio que restou da lendária Estrada de Ferro Madeira-Mamoré é o que pretende fazer a Prefeitura.

Após décadas de inatividade, recentemente o prefeito Léo Moraes (Podemos) festejou a recuperação da locomotiva 18 (de fabricação alemã, em 1936). No dia do aniversário de 11 anos de Porto Velho, ele próprio subiu no trem e fez eloquente discurso ao público presente no pátio ferroviário.

Porto Velho ainda era Amazonas. O Território Federal do Guaporé seria criado em 13 de setembro de 1943 pelo Decreto-Lei nº 5.812. Sete meses antes, na edição nº 2.664, ano XXVI, em 25 de fevereiro, o bissemanário Alto Madeira publicava em sua 1ª página “a vitória dos operários da Madeira-Mamoré.”

A informação se referia às oficinas de locomoção da ferrovia, onde a locomotiva tipo Mogul nº 13 (fabricada pela North British Locomotive Company), que havia sido acidentada. A administração inglesa da EFMM já considerava a máquina “imprestável” e solicitava ao governo a permissão para importar uma caldeira – relata o jornal.

A volta da locomotiva 18 foi o ponto alto das celebrações e passou mel nos lábios de crianças, jovens e idosos da Capital rondoniense, porque a equipe responsável pretende revitalizar o complexo ferroviário como atração turística. Tal qual, nos anos 1980, o ex-governador Jorge Teixeira de Oliveira fez ao inaugurar o trecho de sete quilômetros entre Estação Central e Santo Antônio, hoje bairro que nem de longe lembra a velha cidade à margem do Rio Madeira.

“Recuperamos peça por peça, incluindo a complexa parte da caldeira, isso é patrimônio de nós todos e precisa ser valorizado”, declarou na ocasião.

No AM de 1943:

“Agora o Sr. P. Vilanova, competente e esforçado chefe da Locomoção, com os recursos daqui mesmo e somente com o auxílio dos operários sob sua digna direção conseguia reparar a locomotiva 13, fazendo-a voltar ao serviço dentro de poucos dias, pois as experiências feitas deram resltados completamente satisfatórios.”

Para o jornal, então dirigido por Inácio de Castro, isso representou “grande vitória do operariado”. E felicitou a direção da EFMM pela volta da locomotiva, “que assim vem aumentar a nossa capacidade de tráfego ferroviário.”

A volta da locomotiva 18 foi o ponto alto das celebrações e passou mel nos lábios de crianças, jovens e idosos da Capital rondoniense, porque a equipe responsável pretende revitalizar o complexo ferroviário como atração turística. Tal qual, nos anos 1980, o ex-governador Jorge Teixeira de Oliveira fez ao inaugurar o trecho de sete quilômetros entre Estação Central e Santo Antônio, hoje bairro que nem de longe lembra a velha cidade à margem do Rio Madeira.

“Recuperamos peça por peça, incluindo a complexa parte da caldeira, isso é patrimônio de nós todos e precisa ser valorizado”, declarou na ocasião.

Na mesma edição do Alto Madeira em 25 de fevereiro de 1943, informa-se que Guajará-Mirim (ainda Matto Grosso), na fronteira Brasil-Bolívia e um dos extremos da Madeira-Mamoré, comemorava o Decreto Real de 18 de janeiro de 1943, do Governo Helênico sediado em Londres e do ministro da Grécia em Buenos Aires, criando o Vice-consulado da Grécia naquele município.

A repartição era confiada ao empresário Paulo Cordeiro da Cruz Saldanha, que foi gerente da Guaporé Rubber Company.

 

“Recolonização em alta escala”

Na mesma edição, o Alto Madeira noticiava a presença de técnicos em Manaus, “para a fixação de migrantes nordestinos acossados pela seca.” O texto enfatizava que essa migração já ocorria “há longa data para o Acre”, com êxito para o antigo território federal.

Naquele período conhecido pela “Batalha da Borracha”, o “Estado Novo” do presidente Getúlio Vargas organizou um plano de fixação de migrantes para a região. A 2ª Guerra Mundial iniciada em 1939, terminaria em 1945.

O jornal porto-velhense saudava essa nova fase: “Espera-se que o trabalhador nordestino, que já demonstrou sua eficiência nos tempos em que imigrava desamparado de qualquer apoio, agora que conta com a proteção do governo, possa constituir-se elemento precioso para o aumento da produção e incremento de uma região rica, extensa e despovoada como é a nossa Amazônia.”

Nessa mesma edição pesquisada pelo Varadouro, em sessão do Conselho Nacional de Proteção aos Índios, o então general Cândido Rondon falou a respeito da proposta enviada pelo Vaticano para Ministério do Exterior, para a realização de um contrato com o Governo Brasileiro, no sentido de as missões católicas ampliarem sua ação no País, “encarregando-se da catequese sistemática dos índios.”

Conforme Rondon, isso implicaria “a anulação da administração política do Serviço de Proteção aos Índios”, criado e regulamentado por decreto em julho de 1910.

 

Porto e Dr. Medeiros

Naquele tempo, o Serviço de Navegação da Amazônia e de Administração do Porto do Pará (SNAPP) anunciava no jornal. Atualmente, a Sociedade de Portos e Hidrovias do Estado de Rondônia (SOPH), que recentemente recebeu delegações chilena e boliviana de olho no uso de suas instalações, nem aparece na relação de secretarias, superintendências e órgãos públicos, no portal do governo estadual.

O anúncio de Renato Medeiros, se resume às qualificações e especialidades: o “médico da EFMM” publicava: “Ex-interno da Santa Casa do Pará ex-interno da Clínica Cirúrgica do Dr. Apio Medrado, e adjunto do gabinete de raios X da Santa Casa e da Beneficência Portuguesa; cirurgia de partos e raio X.”

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