Coluna ESPAÇO ABERTO – Velório com DJ, samba e dono da festa presente: o adeus mais animado do ano

Confira as notícias do dia, por Cícero Moura.

MEDIDAS
Há quem fuja do assunto, quem mude de canal, quem bata na madeira e até quem faça promessa.

Foto: Redes Sociais / Tiago Pitthan

MEDIDAS 2
E há quem faça lista de convidados, contrate música ao vivo e escolha o cardápio. No meio desse contraste, o advogado e turismólogo Tiago Pitthan resolveu fazer o que quase ninguém ousa: encarar a morte de frente — e com playlist.

TERMINAL
Diagnosticado com câncer de estômago em estágio avançado, Tiago não entrou apenas em tratamento.

TERMINAL 2
Entrou também em um processo raro de lucidez prática: aceitar o inevitável sem abrir mão do que dá sentido à vida — gente, risada, encontro, afeto.

ROTEIRO
E, como bom organizador de experiências (afinal, turismólogo não perde o hábito), decidiu programar o próprio velório… com ele presente.

BARULHO
Sim, você leu certo. Nada de silêncio constrangedor, cadeiras enfileiradas e café morno.

AGITO
No lugar disso, um evento com nome, conceito e até identidade emocional: “Velório em Vida – A Despedida do Bom Sujeito”.

PARTIDA FELIZ
Parece título de filme independente, mas é, na verdade, um manifesto comportamental embalado em samba, MPB, rock e DJs.

CONTRAPONTO
O gesto de Tiago não é só curioso — é profundamente simbólico. Em uma cultura que trata a morte como tabu, ele faz o movimento oposto: traz o fim para a mesa, brinda com ele e ainda convida os amigos.

PERGUNTA
Há algo de quase provocativo nisso. Como quem diz: “Se a vida é finita, por que a despedida precisa ser triste?”

DETALHE
E aqui entra o humor — não aquele que nega a dor, mas o que a encara com dignidade.

AOS POUCOS
Porque não há ingenuidade no gesto de Tiago. Ele sabe do diagnóstico, conhece o prognóstico e convive diariamente com a consciência da própria finitude.

“PARCEIROS”
Mas, em vez de transformar isso em silêncio, transformou em encontro. Em vez de se despedir sozinho, decidiu celebrar acompanhado.

CONTRADITÓRIO
Há uma inversão poderosa nesse comportamento. Tradicionalmente, o velório é um ritual para os vivos lidarem com a ausência.

CONTRADITÓRIO 2
Tiago subverte essa lógica: ele participa da própria despedida, como quem faz questão de conferir pessoalmente se será bem lembrado — e, de quebra, garantir que ninguém exagere nas lágrimas.

MENSAGEM
E talvez esteja aí a grande lição: o enfrentamento da morte não precisa ser apenas um exercício de resignação. Pode ser também um ato de autoria.

MENSAGEM 2
Um último gesto de identidade. Um capítulo final escrito com as próprias mãos — e, no caso dele, com trilha sonora.

PEDIDO
Ao pedir que o evento aconteça mesmo se ele não estiver presente, Tiago deixa claro que não se trata apenas de um momento, mas de um legado.

ALEGRIA ATÉ O FIM
Afeto, respeito, gratidão e bom humor — não como palavras bonitas, mas como prática vivida até o último instante possível.

DÚVIDA
A lição de tudo isso é que o  “velório em vida” escancara uma pergunta desconfortável.

DÚVIDA 2
Por que esperamos alguém partir para dizer o quanto ele foi importante? Por que guardamos discursos, abraços e reconhecimentos para depois do fim?

EM VIDA
Tiago não quis correr esse risco. Preferiu ouvir tudo agora — inclusive as piadas, que certamente não vão faltar.

ENSINAMENTO
E talvez, no meio da música, dos reencontros e dos brindes, alguém perceba que aquele não é exatamente um velório. É uma aula. Uma aula sobre como partir — vivendo.

FRASE
A despedida em vida revela que o amor precisa ser dito enquanto ainda pode ser ouvido.

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