Confira as notícias do dia, por Cícero Moura.

OBVIEDADE
Há momentos em que a sociedade precisa parar de fingir que não entende o óbvio. A proibição do uso de celulares nas salas de aula é uma dessas situações.

APOIO
Concordo plenamente com a medida. Aliás, demorou até demais. Escola é lugar de estudar, aprender, prestar atenção no professor, copiar o que está no quadro, raciocinar, debater conhecimento.
DIVERSÃO
Não é extensão de rede social, palco para dancinha de TikTok, troca de memes ou vitrine de exibicionismo digital.

NO PASSADO
Sou do tempo em que a única coisa capaz de tirar o foco de um aluno dentro da sala era um bilhetinho para a moça bonita da fileira ao lado.
DESVIO
Hoje, o celular sequestra completamente a atenção do estudante. A cabeça do aluno deixa de estar na aula e passa a viver dentro da tela.

DESVIO 2
Enquanto o professor ensina matemática, português ou história, o aluno está vendo vídeo, respondendo mensagem, assistindo besteira ou mergulhado num universo de distrações infinitas.
DEFESA
E ainda existe quem tente defender isso com a velha conversa mole da “emergência”. Emergência?
DEFESA 2
Então que os pais falem com os filhos fora do horário da aula. Durante cinquenta minutos, uma hora, ninguém vai morrer porque ficou sem trocar mensagem.
JUSTIFICATIVA?
Essa desculpa virou muleta para justificar um vício coletivo. A verdade é simples: não existe absolutamente nenhuma justificativa plausível para desviar o foco do aluno enquanto o professor está ensinando.
LOUVÁVEL
Por isso, merece elogios a atuação do Ministério Público de Rondônia ao instaurar procedimentos para fiscalizar o cumprimento da Lei Federal nº 15.100/2025.
AÇÃO
O MP apenas está fazendo aquilo que o poder público deveria ter feito desde o início: garantir que a lei seja cumprida.
AÇÃO 2
Porque lei que não é respeitada vira piada. E pior: vira exemplo de que autoridade nenhuma é levada a sério dentro do ambiente escolar.
OBSERVAÇÃO
Mas confesso que vejo essa ação também com certa desolação. É triste perceber que precisou o Ministério Público entrar em cena para fiscalizar algo tão básico.
CAMINHO CERTO
Os alunos deveriam simplesmente obedecer a regra. E os professores, coordenadores e diretores deveriam fiscalizar e tomar as medidas cabíveis quando houvesse descumprimento.
MITIGAÇÃO
Simples assim. Não há espaço para relativização quando se trata de disciplina e aprendizado. A escola brasileira sofre há anos com perda de autoridade.
COMPETIÇÃO
O professor deixou de ser visto como mestre para virar quase um animador de plateia tentando competir com um aparelho projetado para viciar atenção.
COMPETIÇÃO 2
É uma disputa desleal. Nenhuma aula consegue competir com notificações piscando na tela a cada dez segundos.

VÍDEOS
E o problema vai muito além da distração. O próprio MPRO investiga denúncias de gravações indevidas dentro das escolas, vídeos para redes sociais, exposição de alunos e banalização completa do ambiente escolar.
AVALIÇÃO PÉSSIMA
Transformaram corredores de escola em estúdio de internet. O resultado aparece depois: queda de rendimento, falta de concentração, ansiedade, irritação e uma geração cada vez mais incapaz de permanecer alguns minutos focada em uma única tarefa.
OUTRO FOCO
A verdade é dura, mas precisa ser dita: parte dos alunos não quer mais estudar, quer entretenimento constante.
SEM LIMITES
E parte dos adultos perdeu a coragem de impor limites. Quando disciplina virou palavrão, a bagunça ganhou terreno.
OPINIÃO
A Lei nº 15.100/2025 não é autoritarismo. É proteção ao ambiente de aprendizagem. É defesa da saúde mental, da concentração e do mínimo de respeito ao ato de ensinar.
OPINIÃO 2
Quem acha exagero talvez já tenha normalizado demais o absurdo. Sala de aula não é lugar para scroll infinito. É lugar de construir futuro.
DISCUSSÃO
A demissão do juiz substituto Robson José dos Santos pelo Tribunal de Justiça de Rondônia abriu um debate delicado, complexo e inevitavelmente sensível.

RACISMO
De um lado, um homem negro, de origem humilde, com trajetória marcada pela superação, denunciando racismo institucional.
CONTRAPONTO
Do outro, um tribunal sustentando que a decisão foi estritamente técnica, baseada em sucessivos episódios considerados incompatíveis com a magistratura.
PRUDÊNCIA
O caso exige cautela justamente porque envolve dois temas extremamente sérios: racismo e conduta funcional dentro do Judiciário.
PERFIL
Robson José não surgiu do privilégio. Sua história pessoal carrega esforço, ascensão social e mérito.
PERFIL 2
Ex-pipoqueiro, guarda municipal, policial e servidor do Judiciário, ele construiu uma trajetória respeitável até alcançar a magistratura.
PERFIL 3
Naturalmente, quando alguém com esse perfil afirma estar sendo vítima de preconceito racial, a acusação não pode ser tratada com deboche ou superficialidade.
CONDUTA
Por outro lado, o Processo Administrativo Disciplinar apresentado pelo TJRO não aponta um fato isolado, mas uma sequência de comportamentos considerados inadequados para o exercício da função.
CONDUTA 2
Relatos de problemas no relacionamento interpessoal, denúncias de assédio moral, conflitos com servidores, supostas falhas de postura institucional e episódios ligados à segurança administrativa formaram o conjunto que levou ao não vitaliciamento do magistrado.
PONTUAL
E há um detalhe importante que torna o debate ainda mais complexo: um dos principais votos contrários à tese de racismo estrutural partiu justamente do desembargador Gilberto Barbosa, também negro, nordestino e de origem humilde.
JUSTIFICATIVA
Em seu posicionamento, ele afirmou nunca ter recebido tratamento diferenciado na corte por sua cor ou origem social, reforçando que outros magistrados negros também integram o Judiciário sem episódios semelhantes.
AVALIAÇÃO
Isso não elimina automaticamente a possibilidade de racismo institucional. Mas também impede conclusões precipitadas de que toda decisão desfavorável contra uma pessoa negra seja, obrigatoriamente, motivada por preconceito racial.
ANÁLISE
A sociedade precisa ter maturidade para separar duas coisas: combater o racismo com firmeza e, ao mesmo tempo, compreender que cargos de alta responsabilidade exigem postura compatível com a função.
CNJ
Nem toda punição é perseguição. E nem toda acusação de racismo pode ser ignorada. Agora, o caso deve avançar para instâncias superiores, possivelmente no Conselho Nacional de Justiça.
CNJ 2
E é lá, com análise técnica, ampla defesa e serenidade, que essa disputa precisará ser aprofundada. Porque transformar tudo em guerra ideológica talvez seja o pior caminho.
DOIS LADOS
O Brasil precisa combater injustiças sem destruir a credibilidade das instituições — e também sem desmerecer denúncias que merecem ser ouvidas com seriedade.
FRASE
A verdade não costuma morar na primeira versão contada com raiva.













