BOCA MALDITA – VOLTA DOS CANDIDATOS

RONDÔNIA RURAL SHOW

No sábado, 30 de maio, foi encerrada a 13ª edição da Rondônia Rural Show, evento voltado para negócios e que envolve todo o setor agropecuário de Rondônia, além de atrair visitantes de diversos outros estados brasileiros. Este ano, a Rondônia contou com mais de 600 expositores e mobilizou milhares de pessoas que estiveram durante os 5 dias visitando o município de Ji-Paraná, onde acontece o evento. A Rondônia Rural Show foi criada pelo governo Confúcio Moura e sua primeira edição movimentou cerca de 190 milhões de reais em negócios. A evolução e sucesso do empreendimento é visível, já que, neste ano, a previsão é que o volume de negócios ultrapasse os 5 bilhões de reais. Em edições anteriores, as possibilidades de negócios eram mais voltadas para os grandes produtores, mas em 2026 o evento abriu mais espaço para a exposição de diversos produtos da agricultura familiar, ampliando a movimentação dos negócios. Além da presença de políticos do cenário nacional e de inúmeros produtores de Rondônia e de outros estados da região Norte, milhares de pessoas visitaram o local, inclusive estudantes de escolas públicas e acadêmicos de centenas de cursos universitários de todas as faculdades instaladas em Rondônia. O evento também atrai famílias que visitam a feira para conhecer as novidades tecnológicas, fazer compras e registrar os momentos em fotos e vídeos. A cada ano, novas tecnologias e práticas são mostradas a todos os visitantes e a tendência é que a próxima edição seja ainda mais movimentada.

 

LEGISLAÇÃO ELEITORAL

Ainda não é possível afirmar que as autoridades responsáveis pela fiscalização das eleições adotarão medidas para punir os excessos praticados por dezenas de políticos durante os dias em que aconteceu a Rondônia Rural Show, mas os indícios de abusos são visíveis. Por todos os lugares da feira, era fácil observar uma grande quantidade de propagada política de inúmeros pré-candidatos a diversos cargos em disputa nas eleições deste ano. Além de inúmeros outdoors, os políticos deram entrevistas, falaram de investimentos que teriam sido feitos por eles, pediram o apoio explícito do eleitor e cometeram diversos atos que configuram o abuso de poder econômico e poder políticos, condutas que a legislação eleitoral em vigor não permite. A exaustiva propaganda eleitoral praticada por muitos políticos que desfilaram pelo evento causa grande desigualdade e desequilibra a disputa eleitoral no estado, porque os pré-candidatos que não possuem cargos atualmente são nitidamente prejudicados. Além da necessidade de uma rigorosa fiscalização, por parte das autoridades responsáveis pela eleição, os organizadores da Rondônia Rural Show precisam adotar medidas eficazes para evitar o abuso do poder econômico e político praticados por detentores de mandatos no estado. Uma boa medida a ser pensada para as próximas edições é a instalação de espaço para a Justiça Eleitoral, Polícia Federal e outras instituições que fiscalizam a eleição. As pessoas que visitam a Rondônia Rural Show certamente não têm nenhum interesse em visitar a feira e ver em todos os lugares uma infinidade de propaganda política no local.

 

VOLTA DOS CANDIDATOS

Após o encerramento da Rondônia Rural Show, evento que concentrou toda a movimentação política do estado, os pré-candidatos para as eleições de outubro voltam à realidade nesta semana e devem intensificar as visitas e contatos no interior do estado. É verdade que o show rural realizado no município de Ji-Paraná não reserva espaço para os políticos sem mandato e pré-candidatos, porque a feira garante holofotes somente para quem está no cargo. Mas também é verdade que a imensa maioria dos pré-candidatos a todos os cargos estavam no evento, fazendo fotos, gravando vídeos para suas redes sociais, dando abraços e tapinhas nas costas dos eleitores. Entretanto, convenhamos, o evento não possibilita a mesma dinâmica de visitar a dona Maria em casa, o seu João na roça e outras possibilidades de bater no ombro do eleitor e fazer juras de amor eterno. A partir de agora, principalmente com a realização da Copa do Mundo de Futebol, os candidatos vão declarar total amor à pátria, a seleção de Neymar e aos eleitores, coisa que o eleitor rondoniense adora. Aqui em Rondônia, já é tradição: o eleitor fica durante quatro anos reclamando dos políticos e dizendo que nada fizeram pelo povo. Quando as urnas se abrem, os candidatos novatos nem aparecem entre os mais votados, porque os rondonienses adoram reeleger por muitas vezes os candidatos que judiam da população. Um bom exemplo disso será a formação da bancada federal na Câmara dos Deputados. Nunca houve uma bancada tão ruim, mas muitos acham difícil imaginar que o eleitor tenha algum interesse em mudar alguma coisa. Após a abertura das urnas, veremos o que acontece de resultado.

 

AMÁLIA MILANI

A atuação da vereadora Amália Milani em defesa das pessoas que são colocadas nos corredores do HEURO, em Cacoal, tem causado grande repercussão. A vereadora costuma visitar habitualmente os hospitais da Capital do Café e conhece de perto a realidade. Em diversas vezes que usou a tribuna da Câmara Municipal de Cacoal, nos últimos dias, a vereadora fez duras críticas contra o atual secretário de estado da saúde, Edilton Oliveira, e declarou que desde os primeiros dias em que ele assumiu a pasta, ela levou ao gabinete do secretário os problemas mais urgentes da saúde pública em Cacoal e solicitou que ele adotasse as medidas cabíveis. Entre as principais reclamações da vereadora Amália Milani, estão a situação de pacientes em situações graves internadas nos corredores do HEURO, a falta de profissionais em número suficiente para o atendimento e o fechamento de setores tanto no HEURO quanto no Hospital Regional de Cacoal. Os questionamentos da vereadora encontram respaldo no fato de ser médica e principalmente porque existem centenas de pessoas que conhecem a realidade denunciada por ela. Muitas pessoas do mundo político, principalmente deputados estaduais, não gostaram das denúncias feitas pela vereadora, mas muitos afirmam que o governo nunca tratou o HEURO de Cacoal e o Hospital Regional de Cacoal como prioridades, mesmo se tratando de unidade hospitalares que atendem dezenas de municípios rondonienses. Grande parcela da população de Cacoal tem declarado apoio à vereadora nas redes sociais em razão da conduta adotada por ela sobre a saúde.

 

VEREADORES DA OPOSIÇÃO

Quando a vereadora Amália Milani intensificou as críticas sobre a realidade do HEURO e Hospital Regional de Cacoal, diversos vereadores de Cacoal ligados ao grupo político do governo saíram em defesa e chegaram a declarar que não é um bom momento para cobrar o governo ou para fazer críticas sobre o setor de saúde. Na prática, os vereadores que se opõem à colega revelam apenas interesses eleitorais, porque sabem que o eleitor vai cobrar nas urnas a omissão e o descaso com a saúde pública, porque centenas de vidas estão em risco com o abandono dos hospitais em Cacoal. Então, o que esses vereadores fazem, na verdade, seria oposição contra os pacientes e contra as famílias que têm seus entes queridos internados no HEURO e Hospital Regional de Cacoal? Sempre que registra fatos dessa natureza, a coluna deixa claro que a culpa pelo abandono não pode ser atribuída aos médicos, enfermeiros, técnicos e o pessoal administrativo que atuam nessas unidades. O problema é a falta de investimentos e o descaso da cúpula do governo, como tem pontuado a vereadora Milani. Os profissionais que comparecem e cumprem suas obrigações não podem ser responsabilizados pelo fechamento de UTI, de enfermarias e pela falta de novos equipamentos e instalações. Como a repercussão das denúncias feitas pela vereadora foi grande em todo o estado, os vereadores que tentaram impedi-la de denunciar recolheram suas ferramentas e alguns até passaram a aderir ao trabalho que ela realiza para fazer funcionar os hospitais do estado em Cacoal.

 

HOSPITAL UNIVERSITÁRIO

A parceria firmada entre a Prefeitura Municipal de Porto-Velho e a Universidade Federal de Rondônia, para a instalação do primeiro Hospital Universitário no estado tem produzido efeitos muito positivos. Com previsão para inaugurar ainda este ano, o Hospital Universitário vai ser de fundamental importância para o atendimento à população e para ajudar na formação de novos profissionais de saúde. Os trabalhos para a conclusão das instalações estão bem adiantados e certamente vão ajudar resolver uma boa parte dos problemas de saúde, não somente na capital, mas também do interior do estado, em razão da possibilidade de atendimento de pessoas que eventualmente sejam encaminhadas para a capital. Localizado na região central da capital, a estrutura contará com consultórios, dois prontos-socorros, sala de depósito, gerência administrativa, sala de tomografia, sala de raio-X, elevador, refeitório, salas de alta e baixa complexidade, sala de curativos, apartamentos para pacientes com banheiro privativo, sala de endoscopia, entre outros espaços destinados ao atendimento médico-hospitalar. O sucesso da parceria é atribuído à Reitoria da Universidade Federal de Rondônia, ao prefeito Leo Moraes e ao senador Confúcio Moura, além de contar com apoio do governo federal.

 

MÉDICO NEGACIONISTA 

O deputado Fernando Máximo, conhecido no mundo político como Doutor Toquinha, concedeu uma entrevista, poucos dias atrás, ao jornalista Robson Oliveira, num programa muito famoso da capital. Durante a entrevista, ele foi questionado sobre a saúde da população e sobre o mercúrio que é jogado nos rios de Rondônia, em razão das atividades de garimpo. Fernando Máximo, que curiosamente é médico, declarou que não vê problema nenhum, porque não conhece ninguém que esteja sob o risco de morte por causa do mercúrio, embora esse produto seja altamente perigoso para a saúde de pessoas e animais. Não é a primeira vez que o Doutor Toquinha faz declarações tão ruins como esta. Durante o inquérito que investiga possíveis omissões na gestão dele, quando era secretário de saúde, no período da COVID, Fernando Máximo chegou a declarar que não tinha tanta preocupação com o grande número de vítimas supostamente negligenciadas, porque, segundo ele, “elas morreriam de qualquer forma”. Talvez não tenha se manifestado direito, mas esse tipo de declaração somente pode ser aceito por pessoas sem nenhum compromisso com a saúde pública, mas é inaceitável quando parte de um profissional da medicina. Fernando Máximo pode até não conhecer nenhuma vítima do mercúrio, mesmo porque ele não demonstra preocupação com o fato, mas a população dos rios, com grandes porções de mercúrio certamente vão comprometer a vida de milhares de pessoas atualmente e nas futuras gerações. Todo médico que realmente tem compromisso com sua profissão carrega consigo a teoria de que a prevenção deve ser uma medida buscada por todos, mas talvez o deputado não conheça essa teoria. O mercúrio é muito perigoso e mata, Doutor Toquinha!

 

MELHOR NÃO FALAR

O ex-prefeito de Cacoal e hoje pré-candidato ao governo de Rondônia tem usado suas redes sociais exaustivamente para fazer seus feitos na condução do município de Cacoal. Além disso, ele não perde a oportunidade de fazer a mesma coisa durante as muitas entrevistas comuns na vida de quem pretende governar o estado, já que as eleições serão em outubro. Em uma dessas entrevistas, o ex-prefeito falou, com orgulho, que fez de tudo para manter o comércio aberto durante a pandemia, enquanto outros prefeitos adotaram as medidas de restrições. É claro que a manutenção do comércio em pleno funcionamento pode ter sido muito importante para a economia, mas o prefeito bem que poderia evitar trazer esse tema para a campanha de governador, porque seus adversários vão lembrar que, a partir do momento em que ele decidiu manter tudo aberto em Cacoal, os números da COVID -19 aumentaram de maneira alarmante, chegando a um total de 357 mortes. Enquanto as medidas de contenção estavam sendo cumpridas, Cacoal não figurava entre os municípios com grande número de mortes. Lógico que o prefeito não foi culpado por nenhuma dessas mortes, mesmo porque a pandemia estava fora de controle, mas talvez seja muito mais prudente deixar esse assunto de lado e apresentar aos rondonienses suas propostas e projetos. Ninguém vai sair ganhando com a informação de que Cacoal tinha um número baixo de mortes por COVID-19, mas aumentou muito depois do vale tudo estabelecido por decretos municipais. Aliás, Adailton Fúria não é o único pré-candidato ao governo que fala pelos cotovelos, porque Expedito Neto, que alega ter sido seu criador, também não fica para trás. Em campanha governamental, uma boa assessoria não faz mal a ninguém.

 

AEROPORTO DE MILHÕES 

O município de Ji-Paraná vai ganhar um aeroporto com novas instalações. Os trabalhos para realizar a obra já estão em andamento e nos próximos dias devem começar as atividades de construção de novo terminal de passageiros, com espaço muito maior e outros setores. A obra vai custar cerca de 35 milhões já disponibilizados pelo governo federal e mais a contrapartida do estado, que será de aproximadamente 9,8 milhões. É um investimento muito importante, porque garantir a infraestrutura, num município importante como Ji-Paraná, traz muitos benefícios para o estado, em função da facilidade de locomoção de pessoas que viajam a serviço de grandes empreendimentos e que precisam de acesso rápido e fácil aos estados do norte. As novas instalações do aeroporto devem ampliar o número de voos e garantir boas condições de pousos e decolagens em um local que fica na região central do estado. A situação de dificuldade que existe atualmente, principalmente pela falta de infraestrutura nos aeroportos do estado, cria enormes obstáculos para a empresas e empresários, como também para as famílias que desejam melhor comodidade e facilidade de locomoção para outras regiões do país. Espera-se que os novos investimentos também cheguem a outros aeroportos do estado, como é o caso de Cacoal e Vilhena.

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