Durante 580 dias preso em Curitiba, Lula concedeu 22 entrevistas e divulgou cartas eleitorais, fato que reacende debate sobre tratamento a BolsonarO

Tratamento dado ao petista durante período preso em Curitiba reacende polêmica após restrições impostas por Alexandre de Moraes a Jair Bolsonaro e seu filho Flávio
A suspensão das visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), trouxe de volta às redes sociais, nesta segunda-feira, 13, uma comparação inevitável: o tratamento dispensado pela Justiça a Lula durante o período em que ele esteve preso.
Moraes também cobrou da defesa de Bolsonaro explicações, no prazo de 48 horas, sobre o conhecimento prévio a respeito de uma carta escrita pelo ex-presidente e publicada na internet por Flávio Bolsonaro. O magistrado alegou violação de medidas cautelares e possível propaganda eleitoral antecipada.
Cartas, entrevistas e candidatura registrada atrás das grades
O contraste com a situação de Lula chamou atenção. Durante os 580 dias em que ficou detido na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba — de 7 de abril de 2018 a 8 de novembro de 2019 —, o petista não apenas se comunicou livremente com o mundo exterior como manteve uma intensa atividade política.
A movimentação política do petista, na verdade, havia começado antes mesmo da sequência de entrevistas. Em 15 de agosto de 2018 — quando já estava preso havia mais de quatro meses —, o PT oficializou a candidatura de Lula à Presidência da República no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Fernando Haddad figurava como candidato a vice-presidente. Um ato da militância partidária ocorreu em frente à sede do tribunal.
Meses antes, em maio de 2018, Lula já havia remetido outra carta à então presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann. No documento, ele ratificou o apoio à própria candidatura ao Palácio do Planalto e descartou qualquer possibilidade de ser substituído na disputa.
“Admitir um plano B para o PT seria assumir um crime que não cometi”, afirmou na ocasião. O petista também registrou que permaneceria candidato “até que a verdade apareça”.
O grau de liberdade comunicativa do ex-presidente durante a prisão era tal que ele chegava até a comentar partidas de futebol.
(Por ContraFatos)














