POESIA: SORVETES COM HUMOR

SORVETES COM HUMOR

Na praça de Cacoal,
Fui querendo namorar;
Comprei dois bons sorvetões,
Pra poder impressionar.
Só não imaginei
O que ia me aprontar.

Ela pediu chocolate,
Eu escolhi flocos, então;
Quando fui dar a primeira lambida,
Escorregou da minha mão.
O sorvete foi primeiro
Conhecer o chão.

Ela caiu na risada,
Sem conseguir disfarçar;
Disse: — Se continuar assim,
Vai outro ter que comprar!
Respondi bem animado:
— Era só pra testar!

Voltei correndo à sorveteria
Pra comprar outra porção;
O moço olhou pra minha cara
Segurando o riso então:
— Derrubou de novo, amigo,
Ou foi falta de atenção?

Peguei outro bem caprichado,
Segurei com precisão;
Mas veio um vento atrevido
Bagunçando a situação.
O guardanapo foi embora,
Fez maior confusão.

Quando enfim sentei tranquilo,
Pensando em saborear,
Veio um cachorro esperto
Só querendo farejar.
Olhou firme pro sorvete
Como quem queria jantar.

Ela ria sem parar,
Quase caiu do banquinho;
Disse: — Você tem talento
Pra perder todo docinho!
Respondi: — Pelo menos
Faço rir o seu rostinho.

No final sobrou um copinho
Com duas bolas de limão;
Dividimos bem felizes,
Sem nenhuma confusão.
Descobri naquele instante
O segredo da paixão.

Quem passava pela praça
Já sorria sem querer;
Uns pensavam: “Que romance!”,
Outros: “Que azar pra valer!”
Mas a tarde foi tão boa
Que nem dava pra esquecer.

Se um dia em Cacoal
Você quiser namorar,
Compre logo dois sorvetes
E segure devagar.
Porque o amor derrete fácil…
Mas faz a gente gargalhar!

Moiseis Oliveira da Paixão

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