POESIA: A FEIJOADA DO BICHO-PREGUIÇA

A FEIJOADA DO BICHO-PREGUIÇA

A onça teve uma ideia,
Pra juntar a bicharada;
Marcou logo um grande almoço,
Com feijoada caprichada.
Cada um levaria um prato
Pra deixar a mesa arrumada.

A onça ficou responsável
Pelos temperos da comida;
O macaco, animadíssimo,
Levou linguiça escolhida.
O cabrito trouxe os miúdos,
Pra panela bem servida.

O bicho-preguiça aceitou
A missão com alegria:
— Eu levo a farofa boa,
Da melhor que eu conhecia!
Todo mundo acreditou
Na palavra que ele dizia.

Chegou enfim o grande dia,
Com panela no fogão;
Veio a onça, veio o macaco,
Veio também o cabritão.
Só faltava a farofinha
Pra completar a refeição.

A onça disse ao preguiça:
— Vá buscar sem demorar!
Nós ficamos esperando
Você logo regressar.
Feijoada sem farofa
Nem dá gosto de provar.

O preguiça respondeu:
— Esperem eu retornar;
Prometo que volto logo,
Não precisam começar.
E saiu bem devagarinho,
Sem vontade de apressar.

Passou um dia inteirinho,
Depois outro foi passar;
Veio o terceiro também,
E ninguém viu regressar.
A panela reclamava,
Já cansada de esperar.

O macaco coçava a barriga,
O cabrito deu um grunhido;
A onça olhava a panela,
Com um jeito aborrecido.
A fome já era tanta
Que ninguém fazia sentido.

Foi então que a onça falou:
— Vamos logo almoçar!
Feijoada sem farofa
Mesmo assim vai agradar.
Quem espera preguiçoso
Pode até desmaiar.

Nisso, debaixo da mesa,
Saiu o preguiça sorrindo:
— Eu sabia que era isso!
Já estava até ouvindo!
“Vocês não iam me esperar…
Por isso eu nem fui saindo!”

Moiseis Oliveira da Paixão

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