Coluna Ponto Crítico – Por Felipe Corona

Parece que a comunicação da prefeitura deixa de informar a população e passa a construir um projeto de poder de Léo Morais, do seu irmão e companhia ilimitada

De olho
Recentemente, o Ministério Público Federal (MPF) expediu uma recomendação alertando sobre propaganda eleitoral antecipada. Não é apenas um alerta burocrático. Esse documento expõe um dos maiores problemas da política moderna: a transformação da estrutura pública em ferramenta permanente de construção eleitoral.
De olho 2
O que se observa em diversas administrações pelo país é a substituição da comunicação institucional por uma estratégia de marketing político disfarçada de prestação de contas. A prefeitura deixa de divulgar políticas públicas e passa a vender a imagem do prefeito.
De olho 3
Obras, eventos, programas e ações governamentais deixam de pertencer à população e passam a funcionar como peças de propaganda de um projeto pessoal de poder.
Tudo meu
Esse fenômeno levanta questionamentos inevitáveis sobre a gestão de Léo Moraes. A presença permanente do prefeito nas redes sociais, a personalização da comunicação oficial e a centralização da narrativa política em torno de sua imagem produzem um ambiente em que a fronteira entre informação pública e promoção pessoal se torna cada vez mais tênue.
Tudo meu 2
O Ministério Público Eleitoral foi explícito ao lembrar que a Constituição proíbe a utilização da publicidade oficial para promoção pessoal de autoridades. Também destacou que fotografias, nomes, cargos, slogans e elementos visuais capazes de gerar vantagem política podem caracterizar propaganda irregular e até abuso de poder eleitoral. Não se trata de interpretação política. Trata-se de uma advertência jurídica formal.
Tudo meu 3
O problema se torna ainda mais grave quando surge a percepção de uma estrutura de gabinete paralela de comunicação voltada não para informar a população, mas para fortalecer uma liderança política específica.
Quintal da minha casa
Quando servidores, contratos, equipamentos públicos, eventos oficiais e canais institucionais passam a girar em torno da valorização de uma única figura pública, a comunicação deixa de servir ao interesse coletivo e passa a servir a interesses eleitorais.
Quintal da minha casa 2
A consequência política é evidente. O prefeito passa a disputar futuras eleições com uma vantagem construída diariamente por meio da exposição proporcionada pela própria máquina administrativa. Enquanto os adversários dependem de recursos partidários e do período eleitoral, o ocupante do cargo recebe visibilidade constante financiada pelo orçamento público.
Kissilaske
Esse tipo de prática corrói a igualdade da disputa democrática. A eleição deixa de ser uma competição entre candidatos e passa a ser uma disputa entre cidadãos comuns e a estrutura de poder já instalada.
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A questão central não é a popularidade de Léo Moraes. Nenhum gestor deve ser punido por ser popular. O problema surge quando a popularidade passa a ser alimentada por mecanismos públicos que deveriam servir exclusivamente à população.
Amigão do rei
É o caso de Anderson Parente e toda sua estrutura de confiança alimentada com dinheiro público. A turma dele de cargos comissionados no prédio do Relógio já consumiu cerca de R$ 2 milhões entre cargos comissionados, diárias, gastos com veículos, passagens aéreas, equipamentos e muito mais.

Amigão do rei 2
Esse gabinete paralelo feito por Léo Moraes e dirigido por Anderson é o maior crime político eleitoral que a história de Rondônia já viu. Mas que aos olhos dos conselheiros do Tribunal de Contas, promotores do Ministério Público e desembargadores e juízes do Tribunal de Justiça parece algo normal e invisível para eles.
Propaganda pessoal
A democracia exige limites claros. O dinheiro público não existe para financiar projetos pessoais. A prefeitura não existe para construir celebridades políticas. A comunicação institucional não existe para antecipar campanhas eleitorais.
Propaganda pessoal 2
Quando esses limites desaparecem, a administração pública deixa de ser instrumento de governo e passa a funcionar como plataforma de perpetuação no poder. E esse é exatamente o tipo de conduta que o Ministério Público Eleitoral sinaliza que pretende fiscalizar com rigor no processo eleitoral que se aproxima.
Como denunciar
Qualquer pessoa que tiver conhecimento de alguma irregularidade envolvendo partidos, pré-candidatos ou candidatos pode denunciar ao MP Eleitoral, pelos meio virtual: MPF Serviços, na aba “Atendimento/Denúncias” e “Fazer a sua manifestação”
Como denunciar 2
Atendimento presencial: MP Eleitoral em Ouro Preto do Oeste – Rua Café Filho, 111, Bairro União; MP Eleitoral em Porto Velho – Rua José Camacho, 3307, Bairro Embratel; MP Eleitoral em Ji-Paraná – Avenida Clóvis Arraes, 1415, Centro; E ainda no WhatsApp: (69) 99213-8739.
Hipocrisia
A política costuma revelar mais pelas prioridades do que pelos discursos. E, nos últimos dias, a Prefeitura de Porto Velho resolveu oferecer uma verdadeira aula de ginástica… fiscal. Primeiro veio o decreto de contingenciamento. O tom era quase dramático.
Hipocrisia 2
Falou-se em responsabilidade fiscal, necessidade de preservar o equilíbrio das contas públicas, contenção de despesas, limitação de gastos e um cenário financeiro que exigiria cautela. A mensagem era clara: o momento é de apertar os cintos.

Hipocrisia 3
Mal deu tempo de o contribuinte entender que a palavra da moda era “economia”, surgiu uma licitação de até R$ 5 milhões destinada à realização de corridas de rua. É aqui que começa a prova mais difícil do percurso: entender a lógica. A questão não é jurídica. É política. E, principalmente, matemática.
Hipocrisia 4
Se o município afirma que precisa cortar mais de R$ 90 milhões para reorganizar as finanças, como aparece espaço para assumir um compromisso milionário com eventos? Houve um milagre contábil entre a publicação do decreto e a abertura da licitação? Choveu arrecadação durante a semana? Descobriram um cofre esquecido no porão do Palácio Tancredo Neves?
Hipocrisia 5
Ou será que o contingenciamento funciona como guarda-chuva em dia de sol: existe, mas só é aberto quando convém? Ninguém discute a importância do esporte. Corridas de rua incentivam qualidade de vida, movimentam o comércio e ocupam os espaços públicos. Tudo isso é positivo.
Agá
O problema começa quando elas parecem cruzar a linha de chegada antes de áreas que convivem diariamente com falta de recursos. Porque prioridade não é aquilo que se diz. É aquilo para onde o dinheiro vai.Qualquer família sabe disso. Quando o orçamento aperta, adia-se o que pode esperar.
Agá 2
Empresas fazem o mesmo. Cortam despesas, suspendem investimentos e reorganizam o caixa. É justamente essa lógica que se espera de uma administração pública depois de anunciar um contingenciamento. Mas, em Porto Velho, a impressão é que algumas despesas entram em dieta, enquanto outras seguem em um generoso buffet livre.
Agá 3
Se o cenário financeiro é realmente delicado, por que a urgência? Por que não aguardar alguns meses? Qual o prejuízo de adiar uma contratação desse porte até que as contas estejam efetivamente equilibradas? São perguntas simples. E absolutamente legítimas. Afinal, foi a própria Prefeitura quem afirmou que o momento exige contenção.
Pão e circo
O cidadão apenas tenta entender por que o freio de mão parece funcionar para uns setores, enquanto outros recebem pista livre para acelerar. No fim das contas, a incoerência acaba falando mais alto que qualquer decreto. Ou a situação financeira é grave e exige sacrifícios coletivos. Ou não é tão grave assim.
Pão e circo 2
O difícil é convencer a população de que falta dinheiro para tantas áreas enquanto sobra disposição para reservar até R$ 5 milhões em eventos. Afinal, decretos costumam ser escritos para transmitir confiança. Quando são imediatamente contrariados pelos próprios atos do governo, transformam-se em peças de ficção administrativa.
Pão e circo 3
E talvez a corrida mais importante nem seja a que acontecerá pelas ruas da capital. A verdadeira largada já parece ter sido dada pensando somente em 2026. Porque, quando o caixa entra em “modo economia”, mas os gastos com grande visibilidade continuam correndo em ritmo olímpico, muita gente passa a suspeitar que a medalha disputada não é esportiva. É eleitoral.
*Parte desta coluna foi escrita com informações publicadas pelo FatosRO no dia19 de junho.
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