“Desconfie sempre da primeira versão”, citação que tenho feito a várias turmas de estudantes de Jornalismo e que enfatizo, por entender que isso tem-me ampliado a investigação e que, muitas vezes, acaba mostrando que o enunciado se é o correto.
Um exemplo aconteceu no carnaval de Porto Velho em 1976, época em que a folia de momo começava dois meses antes e só acabava na quarta-feira de cinzas. Naquele ano, na madrugada da 2ª feira “gorda” nos salões começou a circular o boato de que um importante comerciante fora assassinado. Bem cedo pela manhã eu soube do caso e começamos a correr atrás. A viúva estava desconsolada, e um colega da redação de A Tribuna, que foi entrevistá-la, chegou dizendo que ela se “desmanchava em lágrimas”, ao contrário do que já sabíamos, que mostrava uma ligação direta com o caso, o que ao final se confirmou.
“Desconfiar” também é o verbo que uso quando vejo pesquisas eleitorais porque, apesar de todas as técnicas de captação, apuração, normas, regulamentos etc, elas sempre me deixam no nariz aquele cheiro de “não é bem assim”, porque depois de melhor apurado é que poderá dizer que a primeira versão era a correta.
Desde as eleições no tempo do Território eu já via essas coisas. Em 1976 o professor Amizael Silva era citado como “vereador eleito”. Ficou na primeira suplência e em 1998 o advogado Rubens Moreira Mendes suplente do senador José Bianco me dizia, quando o procurei em seu escritório dizendo que ele preparasse um bom paletó para assumir dia 1º de janeiro de 1999, porque o Bianco ganharia a eleição a governador, Moreira Mendes mostrou pesquisas que encomendara dizendo que Valdir Raupp seria reeleito.
Raupp perdeu. Moreira Mendes acreditou na primeira versão, mas dia 2 de janeiro assumiu ganhando o mandato de 4 anos, como suplente, agora titular. Ele, como muitos políticos e jornalistas que apregoam números, não consideram “a voz das ruas”.














