
Por – Uma das maiores fabricantes de eletrodomésticos do mundo avança com uma profunda reorganização de suas operações. O movimento envolve milhares de postos de trabalho, fechamento de fábricas e encerramento da produção de geladeiras em unidades importantes.
A Electrolux colocou em prática um plano para tornar sua estrutura industrial menor e mais competitiva. Como resultado, a companhia calcula uma redução líquida de aproximadamente 3 mil funcionários globalmente nos próximos anos.
Ao mesmo tempo, algumas decisões já começaram a produzir efeitos. A fabricante encerrou toda a atividade industrial em um país, determinou o fechamento de outra fábrica e retirou os refrigeradores da linha de montagem de uma grande unidade.
Além disso, mais de 1,2 mil trabalhadores entraram em processo de desligamento somente em uma fábrica ligada à produção de geladeiras.
Apesar do tamanho da reestruturação, a situação não ocorre da mesma maneira em todos os mercados. No Brasil, por exemplo, a multinacional segue com suas fábricas e mantém um investimento industrial de centenas de milhões de reais.
Electrolux avança com demissão de 3 mil funcionários
A Electrolux anunciou em abril um amplo programa para aumentar a eficiência e reorganizar sua presença industrial no mundo.
A companhia estima que as mudanças provoquem uma redução líquida de cerca de 3 mil funcionários globalmente. Portanto, o número não significa necessariamente 3 mil demissões realizadas de uma única vez.
O cálculo considera a diferença entre postos eliminados e novas vagas criadas durante a transformação do grupo. A própria Electrolux prevê novas contratações em algumas operações que passarão por mudanças.
A fabricante também pretende otimizar sua rede de fábricas, melhorar o aproveitamento da capacidade instalada e reduzir despesas.
Segundo a companhia, essa reorganização deve gerar melhorias graduais de eficiência que podem alcançar aproximadamente 1,4 bilhão de coroas suecas no terceiro ano, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Fábrica fecha e produção chega ao fim
Uma das mudanças mais avançadas ocorreu na América do Sul.
A Electrolux decidiu fechar sua fábrica em Santiago, no Chile. A unidade encerrou as atividades industriais no fim de abril de 2026.
Com a medida, aproximadamente 400 trabalhadores foram afetados.
O fechamento também colocou fim à fabricação própria da Electrolux no mercado chileno. Entretanto, a empresa não abandonou o país.
A fabricante continuará vendendo seus produtos aos consumidores locais. Agora, porém, os eletrodomésticos chegarão de outras fábricas do grupo ou de parceiros externos.
A companhia justificou a decisão após analisar a competitividade de custos da instalação chilena.
Electrolux também fecha fábrica de geladeiras
O plano avançou ainda sobre uma unidade dedicada à refrigeração.
Na Hungria, a Electrolux decidiu encerrar as atividades de sua fábrica em Jászberény até o fim de 2026.
A planta produz refrigeradores independentes e modelos embutidos. Com isso, a produção desses eletrodomésticos deixará definitivamente a unidade após o encerramento.
A decisão atinge aproximadamente 600 funcionários.
Segundo a Electrolux, a companhia enfrenta demanda estagnada, pressão sobre os preços e dificuldades crescentes para manter a competitividade de custos da fábrica.
Mesmo assim, os consumidores continuarão encontrando geladeiras da empresa no mercado.
A multinacional informou que pretende atender à demanda utilizando outras operações existentes e fabricantes parceiros. Portanto, a empresa encerra a produção de geladeiras nessa fábrica, e não a categoria de refrigeradores mundialmente.
Funcionários atingidos
Outra grande transformação acontece nos Estados Unidos.
Durante décadas, a fábrica da Electrolux em Anderson, na Carolina do Sul, manteve forte ligação com a fabricação de refrigeradores.
Essa fase chegou ao fim em 2026.
A Electrolux decidiu retirar a produção de equipamentos de refrigeração da unidade e transformar completamente o complexo.
Uma notificação trabalhista apresentada às autoridades estaduais apontou 1.255 trabalhadores afetados pelos desligamentos, com efeitos a partir de julho.
A mudança representa uma das maiores reduções concentradas de funcionários ligadas à atual transformação industrial da companhia.
Fábrica deixa geladeiras e muda completamente de produção
A Electrolux, porém, não pretende abandonar a instalação americana.
Em vez disso, a companhia fechou uma parceria de longo prazo com a chinesa Midea para transformar o complexo de Anderson.
A fábrica deixa os refrigeradores e passa para outra categoria de eletrodomésticos: máquinas de lavar e secadoras de roupas.
A Electrolux ficará com 55% da joint venture responsável pela operação industrial, enquanto a Midea terá os outros 45%.
A nova produção está prevista para começar no primeiro semestre de 2027.
Além disso, a operação poderá contratar gradualmente até 1.200 funcionários entre 2027 e 2028.
Dessa forma, parte dos empregos poderá retornar conforme a fábrica retomar suas atividades com o novo modelo de produção.
Electrolux não vai parar de fabricar geladeiras
Apesar dos fechamentos, a Electrolux não anunciou o fim de suas geladeiras.
A diferença é importante.
Nos Estados Unidos, uma fábrica deixou a produção de refrigeradores para fabricar equipamentos destinados à lavagem de roupas.
Na Hungria, uma unidade de refrigeração encerrará definitivamente suas atividades.
Já no Chile, a Electrolux fechou toda a produção industrial própria.
Por outro lado, a multinacional mantém outras fábricas e também trabalha com parceiros industriais.
Além disso, a parceria com a Midea inclui justamente negócios relacionados à fabricação e comercialização de produtos de refrigeração na América do Norte.
Portanto, geladeiras Electrolux continuarão sendo vendidas. O que muda é o local onde parte desses produtos será fabricada.
Por que a Electrolux está fazendo tantos cortes?
A Electrolux tenta reagir a um cenário de forte competição no mercado mundial de eletrodomésticos.
A situação chama atenção principalmente na América do Norte.
A companhia enfrenta pressão de custos, tarifas comerciais e concorrência crescente. Além disso, o mercado norte-americano de eletrodomésticos mostrou enfraquecimento no início de 2026.
Por isso, a fabricante passou a buscar estruturas industriais mais enxutas e maior participação de parceiros na produção.
A própria empresa informou que pretende melhorar o uso da capacidade de suas fábricas e reduzir custos fixos.
Ao divulgar seus resultados do primeiro trimestre, a Electrolux também mudou sua perspectiva para o mercado norte-americano em 2026 de “neutra para negativa” para “negativa”.
Em sentido contrário, a empresa elevou a avaliação do mercado brasileiro para positiva.
Prejuízo bilionário acompanha transformação
A reorganização industrial também pesa sobre as contas do grupo.
No segundo trimestre de 2026, a Electrolux registrou prejuízo líquido de 1,641 bilhão de coroas suecas. No mesmo período do ano anterior, a companhia havia registrado lucro líquido.
Além disso, parte da reestruturação exige desembolsos com indenizações, encerramentos, mudanças de produção e transformação das fábricas.
Para reforçar sua estrutura financeira e financiar projetos estratégicos, a companhia também realizou uma emissão de ações de aproximadamente 9 bilhões de coroas suecas.
Isso não significa que a Electrolux esteja encerrando suas atividades.
A fabricante continua presente em cerca de 120 mercados e registrou vendas de 131 bilhões de coroas suecas em 2025.
Plano ainda provoca disputa
Além dos fechamentos já confirmados, a reorganização chegou a colocar milhares de empregos sob risco em outra operação europeia.
Na Itália, a empresa apresentou um plano envolvendo aproximadamente 1.700 postos de trabalho e a possibilidade de fechar sua fábrica de Cerreto d’Esi.
O projeto encontrou forte resistência de sindicatos e do governo italiano.
Em junho, a Electrolux concordou em suspender temporariamente o plano enquanto discutia alternativas.
As negociações continuaram nas semanas seguintes. Em julho, representantes sindicais afirmaram que a companhia ainda não havia encontrado uma alternativa capaz de evitar o encerramento da unidade de Cerreto d’Esi.
Por isso, os 1.700 postos italianos não podem ser tratados neste momento da mesma forma que os desligamentos já executados em outras operações. A discussão ainda depende das negociações sobre um novo plano industrial.
E o que acontece com a Electrolux no Brasil?
Enquanto reduz sua estrutura em alguns países, a Electrolux segue por um caminho diferente no Brasil.
Até o momento, não existe anúncio de fechamento das fábricas brasileiras ligado a esse processo global, nem informação de encerramento da produção de geladeiras da marca no país.
Pelo contrário, a multinacional realizou recentemente sua maior expansão industrial na América Latina.
A companhia inaugurou em 2025 uma nova fábrica em São José dos Pinhais, no Paraná, dentro de um projeto que recebeu aproximadamente R$ 700 milhões em investimentos.
A unidade representa a quinta planta da Electrolux no Brasil.
Electrolux investiu R$ 700 milhões em fábrica brasileira
A nova estrutura começou produzindo nacionalmente ventiladores e liquidificadores, itens que anteriormente chegavam ao mercado brasileiro por importação.
A Electrolux pretende ampliar gradualmente o portfólio da planta.
Quando o projeto alcançar sua capacidade prevista, a fábrica poderá produzir mais de 5 milhões de itens por ano.
Além disso, o empreendimento pode gerar cerca de 2 mil empregos diretos e indiretos, segundo informações divulgadas durante a implantação do projeto.
A unidade também representa o maior investimento industrial realizado pela Electrolux na América Latina.
Brasil fica fora dos fechamentos anunciados
Assim, a transformação mundial da Electrolux mostra cenários bastante diferentes.
No Chile, a companhia encerrou completamente sua fabricação própria.
Na Hungria, uma fábrica de geladeiras deixará de produzir até o fim de 2026.
Nos Estados Unidos, mais de 1.200 trabalhadores foram atingidos pela retirada da produção de refrigeradores de uma grande unidade, que agora passa por transformação para fabricar lavadoras e secadoras.
Ao mesmo tempo, a empresa pretende reduzir seu quadro global em aproximadamente 3 mil funcionários líquidos como parte de sua estratégia de eficiência.
No Brasil, porém, a situação segue na direção oposta aos principais fechamentos. A Electrolux mantém sua operação industrial e avança com a expansão de uma fábrica que recebeu R$ 700 milhões.
Portanto, embora a gigante dos eletrodomésticos esteja fechando unidades e encerrando linhas de geladeiras em determinados países, não existe anúncio de saída do Brasil nem de fim da fabricação ou comercialização de refrigeradores Electrolux no mercado brasileiro.
Fonte: portaltemponovo
