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Artigos Brasil Política

Congresso entre barganhas e escândalos

2 minutos de leitura
Por Júlio César Cardoso
A terra de Cabral continua marcada pela mesma indecência política. O Brasil vive entre altos e baixos, refém da qualidade deplorável de seus representantes, eleitos e reeleitos por um sistema antidemocrático de voto obrigatório. Esse mecanismo perpetua no Parlamento indivíduos desqualificados, imorais, incompetentes e corruptos, que legislam em benefício próprio e não da coletividade.  
A política nacional tornou-se caso de polícia, tamanha a ligação direta e indireta de parlamentares com negócios escusos — exemplos não faltam, como o caso Master e o INSS. O tempo já demonstrou que votar em políticos é, muitas vezes, perda de tempo: dá-se emprego e prestígio a quem não merece, enquanto o povo permanece desempregado e esquecido.  
O Congresso, em vez de enfrentar os problemas sociais, dedica-se a agradar interesses políticos, sobretudo em períodos eleitorais. Veja-se a proposta do fim da escala 6×1, respaldada pelo próprio presidente Lula na Constituinte de 1988. Em um país assolado pelo desemprego, a sociedade clama por mais oportunidades, mas o governo e seus aliados trabalham para sufocar pequenos e médios empresários — justamente aqueles que sustentam o emprego no Brasil. Diferente das empresas públicas, onde o dinheiro escorre sem controle, esses empreendedores suam a camisa para manter negócios vivos e gerar renda.  
O paradoxo é evidente: na China, o trabalhador busca emprego; no Brasil, o governo desemprega o trabalhador ao pretender extinguir a escala 6×1. Mais grave ainda é ver o presidente da República vincular-se a ao presidente do Senado para barganhar aprovação de projetos. Propostas de interesse nacional não deveriam depender de manobras ou interferências, mas ser pautadas e analisadas com responsabilidade. Se houvesse políticos isentos e comprometidos com causas nobres, projetos não ficariam engavetados como moeda de troca nas mãos dos presidentes da Câmara e do Senado.  
É vergonhoso que, em vésperas de eleições, o presidente da República recorra a barganhas com Davi Alcolumbre para aprovar projetos de questionável interesse público. O Brasil merece mais seriedade e menos oportunismo. 
Júlio César Cardoso
Servidor federal aposentado
Balneário Camboriú-SC

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