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COLUNA DO XAVIER – CACOAL: A EDUCAÇÃO, O SINDICALISMO PROFISSIONAL E O SINTERO…

5 minutos de leitura

Por Francisco Xavier Gomes

CACOAL: A EDUCAÇÃO, O SINDICALISMO PROFISSIONAL E O SINTERO…

Os trabalhadores e trabalhadoras da educação em Rondônia, filiados ao SINTERO, vão escolher, na próxima quinta-feira, 1 de outubro, a nova Diretoria Executiva da entidade e também os diretores das Diretorias Regionais. A expectativa dos filiados é que haja uma mudança de rumos, porque o maior sindicato do estado está, há décadas, controlado por um pequeno grupo de pessoas que já nem sabem mais o que é uma escola. É lógico que vários deles vão negar e dizer que houve mudanças, mas todo mundo sabe que isso não é verdade. A Diretoria Executiva do sindicato é constituída de 15 pessoas, sendo que apenas umas 5 ou 6 é que tomam todas as decisões e praticam inúmeras manobras para se perpetuarem na direção da entidade. A própria condução da eleição é absolutamente suspeita, porque a Comissão Eleitoral adotou uma série de medidas completamente ilegais, com a clara finalidade de criar dificuldades para as chapas que concorrem com o grupo jurássico. Essas práticas arbitrárias, ilegais e autoritárias são fatores que contribuem fortemente para a perda de credibilidade do SINTERO diante dos mais de 24 mil filiados…

A história é conhecida por todos os filiados, mas as manobras regimentais sempre foram um grande obstáculo para que houvesse mudanças efetivas. Apenas para se ter uma ideia, nas eleições deste ano, a Comissão Eleitoral resolveu indeferir as candidaturas de duas ou três pessoas que fazem parte da Chapa número 2, alegando que as pessoas não podiam participar da eleição, porque possuem ações judiciais contra o Sintero. Quem foi que disse que procurar o Poder Judiciário para reclamar direitos é motivo de inelegibilidade? Isso é uma vergonha! E esse tipo de absurdo acontece exatamente num sindicato que tem como filiados trabalhadores e trabalhadoras da educação. E o mais curioso, além de ilegal, na história é que a decisão de indeferir as candidaturas foi uma decisão da Comissão Eleitoral, sem que houvesse nenhum pedido de qualquer das chapas. Ninguém consegue entender por que o SINTERO escolhe pessoas sem nenhum preparo para coordenar uma eleição tão importante. A comissão é tão atrapalhada que exigiu dos participantes das chapas duas fichas de inscrição originais, e as duas com autenticação em cartório. Qualquer pessoa, por mais desinformada que seja, sabe muito bem que a autenticação de um documento é exigida quando a pessoa apresenta uma cópia, para que fique claro que esta cópia foi feita do documento original. Não dá para aceitar esse tipo de absurdo, e isto tudo acontece com as bênçãos do grupo que manipula a administração do sindicato. Isso precisa acabar!

Outra situação que representa um retrocesso total, além de facilitar as fraudes, é que as eleições acontecem naqueles sacos que a Justiça Eleitoral usava no século passado nas eleições. E por que o SINTERO faz as eleições naqueles sacos, com uma grande possibilidade de haver fraudes? Porque não há nenhum interesse em modernizar a eleição do sindicato. O SINTERO poderia muito bem criar um dispositivo eletrônico para fazer a eleição do sindicato, como fazem outras entidades. O próprio IPERON realizou recentemente a eleição para os membros do Conselho de Administração e usou o sistema eletrônico. Servidores de todas as categorias, ativos e inativos puderam votar por um aplicativo de celular. Mas o SINTERO nunca teve interesse em fazer isso! A lista que tem os nomes das pessoas aptas a votarem é a mesma em qualquer escola de Rondônia. Na prática, se uma pessoa quiser votar mais de uma vez, não há nada que possa impedir, e isto implica um alto risco de fraude. Claro que a Diretoria Executiva do sindicato nunca viu nenhum problema nisso, porque não há interesse. O Regimento Interno do sindicato é vexatório e possui dispositivos que causam vergonha à categoria. A forma como são registradas as candidaturas é absolutamente incoerente, tanto que a chapa vencedora é que elege o Conselho Fiscal. É como colocar a raposa para cuidar das galinhas. E por que o Estatuto do Sintero e o Regimento Interno não são revisados e alterados? Porque não há interesse do grupo que manipula a entidade.

Aqui em Rondônia, tudo mudou nos últimos trinta ou quarenta anos; menos a pratica sindical no SINTERO. Entre os dirigentes do sindicato, vários deles possuem como principal atividade profissional o sindicalismo, e estão há muitos anos sem trabalhar em nenhuma escola. Essas pessoas cumpriam expediente em escolas no tempo que o quadro era verde e os professores usavam giz. Não é possível que a categoria não veja isso! É hora de mudar, minha gente! O SINTERO precisa voltar a defender as causas da educação e os interesses dos filiados. A última greve, ocorrida em agosto do ano passado, é prova clara da necessidade de mudança, porque não dá mais para tolerar essa falta de representatividade. Os filiados terão que decidir, na quinta-feira, se votam na Chapa 1, para manter a situação; se votam na chapa 2, formada por pessoas que querem a mudança; ou se votam na Chapa 3, liderada por um professor que foi assessor do ex-governador Ivo Cassol durante muito tempo. É claro que ninguém precisa concordar com as reflexões que são feitas nesse texto, porque nós vivemos num sistema democrático, mas a educação de Rondônia merece respeito… Tenho dito!!!


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FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor, Jornalista e Advogado

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