
Personagem: Zé Carlos Sá ()
Zé Carlos: duas vezes “caroneado” na hora de viajar para Tabajara (Machadinho do Oeste)
Em 1987 voltávamos de um compromisso no interior do estado quando o piloto do nosso avião começou a conversar, pelo rádio, com outro piloto. Logo depois, informou ao vice-governador Orestes Muniz que o governador Jerônimo Santana estava em um helicóptero, também voltando para Porto Velho.
Orestes então propôs que as duas aeronaves aterrissassem em Ji-Paraná para trocarmos de equipamento, pois o helicóptero era lento e demoraria mais para chegar ao destino.
Proposta aceita, pousamos em Ji-Paraná e, antes da troca das aeronaves, governador, vice-governador e respectivos assessores tomaram café no restaurante do aeroporto, enquanto os pilotos reabasteciam seus veículos.
Na hora do reembarque, “todo mundo” foi para o avião, ficando apenas o ajudante de ordens do vice-governador e eu para voltar de helicóptero. Claro que não gostamos. Nem o piloto do helicóptero, que se viu “rebaixado” de status: deixou de pilotar para o governador para dar carona a dois assessores.
Para piorar a situação, caiu uma chuva repentina e muito forte. Mesmo assim, decolamos. O helicóptero avançava meio de lado e em baixa altitude, passando, na minha avaliação, muito perto do topo dos morros que cercam a cidade de Ouro Preto do Oeste.
Nós pedíamos ao piloto que aterrissasse e esperasse a tempestade passar, mas ele nos ignorava. Desembarquei em Porto Velho com as pernas bambas.
Infelizmente, tive o desprazer de voar outras vezes com esse mesmo piloto.
VOCÊ NÃO VAI
Outra experiência com helicóptero aconteceu no governo Osvaldo Piana (1991-1995). Fui escalado para cobrir um evento na comunidade de Tabajara, no município de Machadinho do Oeste, às margens do rio Machado, na divisa com Mato Grosso.
Eu já estava embarcado, com o cinto de segurança afivelado e o rotor em funcionamento, quando veio correndo pela pista o então diretor do Cerimonial do Governo. Ele deveria ter ido no primeiro helicóptero, mas perdeu o voo.
Pediu que eu cedesse meu lugar, pois precisava levar um documento para o governador assinar. Eu sabia que era mentira, mas desembarquei e voltei para casa muito puto.
Pouco tempo depois, com o mesmo destino, fui retirado do helicóptero novamente no momento da decolagem. Pelo mesmo motivo da vez anterior.
Desta vez não fiquei bravo. Como forma de consolação, disse a mim mesmo:
“Não é para eu conhecer Tabajara.”
E não conheço até hoje.
SAIDEIRA
No Carnaval de 1986, eu trabalhava na TV Alterosa, em Belo Horizonte. Naquele ano, o jornal Estado de Minas, que pertencia ao mesmo grupo empresarial, fez uma cobertura bastante tendenciosa do desfile das escolas de samba, apontando a Canto da Alvorada como favorita ao título.
Só que o júri oficial não enxergou a disputa da mesma forma que a redação do jornal. Quando fui cobrir a apuração, durante uma entrada ao vivo, por muito pouco não apanhei dos integrantes da verdadeira campeã, a Cidade Jardim.
A sorte da nossa equipe, formada pelo cinegrafista, auxiliar, motorista e eu, foi que a apuração acontecia no Clube dos Sargentos da Polícia Militar. Ao perceberem o tumulto se formando, os militares nos colocaram sob proteção e impediram que a turba enfurecida chegasse até nós.
Conseguimos sair ilesos. Apenas o moral ficou um pouco amassado.
Foi minha última grande cobertura em Minas Gerais. Pouco tempo depois, segui para Porto Velho, onde viveria aventuras ainda mais emocionantes.
() Zé Carlos Sá, MG, do blog Banzeiros – https://www.banzeiros.com.br
