
As pessoas que moram, passeiam ou visitam Cacoal, sem dúvida nenhuma, sabem da excelente qualidade de vida que há na Cidade de Obedis. Excelente infraestrutura; organização empresarial muito boa; diversas instituições do ensino superior; uma produção agrícola indiscutível; um IDH de 0,718… Apenas duas cidades de Rondônia possuem IDH superior a Capital do Café: Porto-Velho, a capital do estado, e Vilhena. No caso da cidade do Sul do estado, é atualmente a cidade com o maior número de homicídios e mortes violentas de Rondônia, situação muito diferente de Cacoal. Isso não é qualidade de vida! Esses dados causam enorme confusão e curiosidade, porque a Capital do Café tem uma estrutura muito boa; e vive problemas tão básicos, tão básicos, que ninguém consegue entender com clareza as razões pelas quais isto acontece. Todavia, uma explicação muito plausível seria a falta de políticas públicas voltadas para o social e diversas medidas administrativas completamente equivocadas e adotadas apenas para concretizar a teoria romana do “pão e circo” …
Um dos grandes problemas que existem hoje em Cacoal refere-se à questão da saúde pública. Muitas pessoas que veem aquele ônibus todo colorido, desfilando por diversos municípios do estado, devem imaginar que a saúde municipal em Cacoal é um paraíso. Lógico que não é!! Aliás, se fosse, não haveria nenhuma necessidade de lotar o ônibus e levar aquele monte de gente para a capital do estado, ou para outros municípios vizinhos. O motivo de tanta gente viajar para cuidar de saúde é justamente porque a estrutura em Cacoal não é boa, embora os vereadores prefiram sempre ficar caladinhos e batendo palminhas para o ônibus colorido. Tudo pavonice!!! Pura pavonice!!! Em muitas ocasiões, os vereadores de Cacoal proferem inúmeros ataques contra o governo de Rondônia, tentando passar a impressão de que os problemas de saúde em Cacoal são todos estaduais. É evidente que o estado deixa muito a desejar, inclusive porque o atual secretário de saúde de Rondônia não conhece a estrutura do estado, não conhece a estrutura da saúde e não entende absolutamente nada de saúde pública. Mas o município não é muito diferente. Em Cacoal, a maior parte dos membros do Conselho Municipal de Saúde são omissos, os vereadores são omissos e isto provoca prejuízos à população. Um município que tem quase 100 mil habitantes e IDH 0,718 deveria ter uma estrutura municipal de atendimento de saúde. Não tem!!!
O problema é que temos observado diversos vereadores fazendo discursos nesse sentido e cobrando uma unidade municipal de saúde. O leitor precisa ficar atento, porque isso pode ser um ensaio para justificar um aluguel de hospital, a compra de serviços ou algo do tipo. Cacoal simplesmente não tem estrutura orçamentária para alugar hospital e todos os vereadores sabem disso. Os senadores, deputados, vereadores, prefeito, vice e secretários deveriam trabalhar para a conclusão da obra do hospital municipal. Este parece um caminho mais sólido. A possibilidade de alugar prédios para fazer hospitais apenas para fazer barulho, como é o caso do ônibus, não resolve os problemas. É preciso ter os pés no chão! Se Cacoal tivesse uma estrutura municipal de saúde, muitos casos seriam resolvidos pelo próprio município. Uma prova clara disso é a enorme quantidade de pessoas de Cacoal que necessitam, todas as semanas, pedir ajuda de pix e outras formas de ajuda, como rifa, para cuidar de procedimentos de saúde. Isto acontece pela falta de uma estrutura municipal. É lógico que existem procedimentos que são obrigações constitucionais do estado. Mas um município como Cacoal deveria ter em sua estrutura municipal condições de fazer uma cirurgia ortopédica numa pessoa que quebra um braço ou uma perna, por exemplo. E muitos dirão: “Ah, mas isso é obrigação do estado!” Sim, mas um município como Cacoal poderia ter esse tipo de atendimento. Já tivemos caso de vereador precisar ir a Rolim fazer uma simples cirurgia de vesícula. Isso é vexatório!!!
Outra situação que precisa ser avaliada com muito carinho, zelo e atenção é a imensa quantidade de pessoas que pedem ajuda nas calçadas de Cacoal, diariamente. E por que isso acontece? Há vários fatores. Um dos motivos certamente é a ausência de políticas públicas do município, através da Secretaria de Ação Social, que deveria cuidar dessas pessoas. Esse cuidar não precisar ser dando dinheiro. É cuidar! Fazer um cadastramento, ou recadastramento dessas pessoas; saber quem são efetivamente; buscar suas famílias; mapear os motivos sociais pelos quais estas pessoas estão nas calçadas de lojas e bancos pedindo ajuda. E resolver o problema. Não é possível que os vereadores não vejam isso! Não é possível que a SEMAST não veja isso!! Um município que tem um IDH de 0,718 não pode ter essa quantidade de pessoas pedindo ajuda em calçadas de lojas e bancos. A SEMAST precisa explicar por que isso acontece. O Índice de Desenvolvimento Humano é um conjunto de fatores, e estão entre eles a saúde e condição social de vida. Por isso, o município precisa ter políticas públicas voltadas para consolidar a qualidade de vida de sua população. A pirotecnia meramente eleitoral não combina com a qualidade de vida, com os bons índices de desenvolvimento. É preciso ação!
O município de Cacoal precisa ser mais humano com sua população. Até mesmo quando uma pessoa do município falece em Porto-Velho é uma situação muito difícil para a família. É preciso pensar nisso! É preciso ter uma política de atendimento às famílias, sobre essa situação. Não adianta nada pintar um ônibus todo colorido para mostrar ao estado; e não ter nenhuma política pública de translado de pessoas. Não adianta nada fazer shows pirotécnicos no Complexo Beira-Rio, para alegrar incautos; enquanto muitas pessoas pedem ajuda em calçadas. Alguma coisa está equivocada!!! Para manter ou melhorar o IDH obediano, é preciso abrir os olhos para a realidade. A outra opção será bater palminhas para o ônibus colorido… Tenho dito!!!
FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor da Rede Estadual e Jornalista












