Escândalo de milhões dos respiradores vai sobrar para o antigo braço direito de Rui Costa

Corte deve julgar irregularidades na compra de equipamentos pelo Consórcio Nordeste

Ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT)

Tribunal de Contas da União (TCU) deve concluir em até 60 dias o julgamento do caso envolvendo a compra fraudulenta de 300 respiradores pelo Consórcio Nordeste, que resultou no desvio de R$ 48 milhões durante a pandemia de Covid-19. O processo tem como principal alvo Carlos Gabas, ex-ministro da Previdência e então secretário-executivo do consórcio, podendo resultar em multa milionária e proibição de ocupar cargos públicos por até oito anos.

A investigação revela que os equipamentos nunca chegaram ao Brasil, mesmo após o pagamento antecipado. A empresa contratada, Hempcare Pharma, especializada em produtos à base de maconha, não tinha experiência com importação de equipamentos médicos. Documentos mostram que Gabas assinou um atestado de recebimento, alegando que os respiradores estavam em “perfeitas condições”, o que posteriormente se revelou falso.
 

Fraude milionária no Consórcio Nordeste

Os auditores do TCU identificaram uma série de irregularidades na negociação:

  • Cláusula de pagamento antecipado: O contrato previa o repasse integral de R$ 48 milhões sem garantias, favorecendo a empresa sem histórico na área médica.
  • Respiradores nunca entregues: Apesar do pagamento, os equipamentos nunca foram importados.
  • Documento assinado por Gabas: Ele assinou uma nota atestando a entrega dos respiradores, embora nunca tenham chegado ao Brasil.

Rui Costa fora do processo, mas investigações continuam

O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), que na época era governador da Bahia e participou das negociações, não é alvo da investigação do TCU, mas a apuração criminal sobre a fraude segue em andamento. O chefe da Casa Civil tem acusado a Polícia Federal de perseguição em relação ao caso.
 

Defesa de Gabas não convence auditores

Carlos Gabas alegou ao TCU que a compra dos respiradores exigia medidas emergenciais devido à pandemia e afirmou que a Bahia encontrou um “fornecedor adequado”. Ele também negou responsabilidade sobre a elaboração do contrato.

No entanto, a equipe técnica do tribunal contestou suas explicações:

“Quanto à alegação do Sr. Carlos Gabas de que não elaborou a minuta do contrato e que não tinha responsabilidade pela análise prévia dos riscos de inadimplência ou pela verificação da expertise da empresa contratada (…), considerando que consta somente a sua assinatura nos referidos documentos, não há como afastar as irregularidades que lhes são imputadas”, destacou o relatório do TCU.

Caso a decisão da Corte seja confirmada, Carlos Gabas pode ser impedido de assumir cargos públicos por até oito anos, além de ter que pagar multas milionárias. O julgamento pode revelar novos desdobramentos sobre o esquema de corrupção e suas conexões políticas.

(Fonte: Contrafatos)

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