No Dia Mundial da Atividade Física, especialista reforça que hábitos ativos na infância impactam o desenvolvimento e a saúde ao longo de toda a vida

No Dia Mundial da Atividade Física, celebrado em abril, 06, cresce a atenção para um ponto essencial na saúde infantil: o estímulo ao movimento desde os primeiros anos de vida. Mais do que lazer, a atividade física é um dos pilares do desenvolvimento saudável, com impacto direto no corpo, na saúde emocional e no comportamento ao longo da vida.
Referência em crescimento infantil em São Paulo, o endocrinologista pediátrico Dr. Miguel Liberato destaca que o movimento é parte fundamental do desenvolvimento global. “A atividade física na infância não está ligada apenas ao gasto de energia. Ela participa diretamente da formação do corpo, do desenvolvimento motor e também da saúde emocional da criança”, explica.
A prática regular está associada ao fortalecimento muscular e ósseo, melhora do sistema imunológico e controle de parâmetros como peso, glicose, colesterol e pressão arterial. Além disso, crianças ativas tendem a apresentar melhor socialização, autoestima e disciplina. “Crianças que se movimentam mais desenvolvem não só o corpo, mas também habilidades sociais e comportamentais importantes para a vida”, reforça o especialista.
O incentivo deve começar desde cedo, inclusive nos primeiros meses de vida. “Mesmo em bebês, estimular movimentos como rolar, engatinhar e ficar de bruços por alguns minutos ao dia já contribui para um desenvolvimento motor adequado”, orienta o Dr. Miguel.
Com o crescimento, as atividades devem evoluir conforme a fase da criança. Entre um e três anos, o ideal é priorizar atividades lúdicas que envolvam equilíbrio e coordenação. “Nessa fase, o mais importante é brincar. Correr, pular e explorar o ambiente já são formas eficazes de atividade física”, afirma.
Na faixa dos três aos cinco anos, as atividades podem incluir interações em grupo e modalidades como dança, natação e brincadeiras com bola, sempre de forma leve e sem foco competitivo. Já a partir dos 6 anos e durante a adolescência, a recomendação é de pelo menos 60 minutos diários de atividade física moderada a vigorosa. “É nessa fase que entram os esportes mais estruturados, que ajudam no fortalecimento muscular, ósseo e no condicionamento físico”, explica.
Outro ponto que ainda gera dúvidas é a prática de musculação na infância e adolescência. Segundo o especialista, o tema já foi amplamente esclarecido pela ciência. “Quando bem orientado, o treinamento de força não prejudica o crescimento. Pelo contrário, pode trazer benefícios como melhora da força, coordenação e saúde óssea”, destaca. Ele reforça, no entanto, que o foco nessa fase não é a hipertrofia. “O objetivo não é ganho de massa muscular, e sim desenvolvimento motor e fortalecimento”, pontua.
O acompanhamento profissional é essencial para garantir segurança e adequar as atividades à fase de desenvolvimento. “Antes de iniciar qualquer atividade estruturada, é importante uma avaliação médica. Isso garante que a prática seja segura e adequada para cada criança”, orienta.
Mais do que formar atletas, o objetivo é promover saúde a longo prazo. “Crianças ativas têm maior chance de se tornarem adultos ativos e saudáveis, reduzindo o risco de doenças crônicas no futuro”, conclui o Dr. Miguel.












