Brasil, a única seleção presente em todas as Copas, chega a 118 jogos na história do Mundial – Veja todos os resultados

Especial Copa do Mundo
Por Daniel Paixão

A Seleção Brasileira carrega um recorde que nenhuma outra equipe do planeta pode reivindicar: disputou todas as edições da Copa do Mundo, sem exceção, desde a estreia em 1930. Com os quatro jogos já realizados em 2026 — incluindo a vitória sobre o Japão na fase eliminatória —, o Brasil chega a 118 partidas na história do torneio, somando 79 vitórias, 20 empates e 19 derrotas.

São quase um século de Copas, cinco taças levantadas e uma trajetória que passa por goleadas históricas, tragédias dentro de campo e a reinvenção constante de um time que se tornou sinônimo do próprio Mundial.

118
partidas
A marca histórica do Brasil em Copas do Mundo.
79
vitórias
Retrospecto de uma seleção acostumada a decidir.
5
títulos
O país do penta e da maior tradição mundialista.
100%
presença
Única seleção em todas as edições da Copa.
Linha histórica

Quase um século de glórias, dores e reinvenções

Da estreia em 1930 ao novo ciclo de 2026, a trajetória brasileira atravessa gerações, craques, decisões memoráveis e momentos que marcaram o futebol mundial.

1930–1954

os primeiros passos e a dor do Maracanã

A estreia brasileira em Copas não foi de conto de fadas. Na edição inaugural, no Uruguai, o Brasil perdeu para a Iugoslávia por 2 a 1 logo no primeiro jogo, ainda que tenha se recuperado com um 4 a 0 sobre a Bolívia. Eliminações precoces marcaram também 1934 (derrota para a Espanha) e 1950, ano em que o país sediou o torneio e viveu o trauma do Maracanaço: depois de golear Suécia (7–1) e Espanha (6–1) no quadrangular final, o Brasil perdeu a decisão para o Uruguai por 2 a 1, diante de quase 200 mil torcedores.

Já em 1938, na França, veio um dos jogos mais dramáticos da história da competição: a vitória sobre a Polônia por 6 a 5, na prorrogação, seguida de empate e vitória em replay contra a Tchecoslováquia, antes da eliminação na semifinal diante da Itália.

1958–1970

a era de ouro e os três primeiros títulos

Foi entre o fim dos anos 1950 e o início dos 1970 que o Brasil construiu a base do mito que carrega até hoje. Em 1958, na Suécia, surgiu o primeiro título, com um time liderado por um Pelé de 17 anos: vitória na final por 5 a 2 sobre os donos da casa. Quatro anos depois, no Chile, o bicampeonato veio com nova decisão vencida sobre a Tchecoslováquia, por 3 a 1.

Depois de uma eliminação precoce e dolorida em 1966, na Inglaterra — derrotas para Hungria e Portugal ainda na fase de grupos —, o Brasil resgatou seu favoritismo em 1970, no México, com uma campanha perfeita: seis vitórias em seis jogos, encerrada com o 4 a 1 sobre a Itália na final. Aquele time, considerado por muitos o melhor da história do futebol, garantiu ao Brasil o direito definitivo à taça Jules Rimet.

1974–1990

o jejum e as gerações de transição

As duas décadas seguintes foram de reconstrução. Em 1974 e 1978, o Brasil ficou pelo caminho nas segundas fases, e em 1982, na Espanha, viveu uma de suas eliminações mais lamentadas: depois de atropelar a Argentina por 3 a 1, perdeu para a Itália por 3 a 2 em um dos jogos mais célebres da história das Copas, mesmo com um time ofensivo recheado de craques como Zico, Sócrates e Falcão.

Em 1986, no México, nova despedida nos pênaltis, contra a França, depois de empate em 1 a 1 nas quartas de final. Já em 1990, na Itália, a queda veio nas oitavas, diante da Argentina de Maradona, em derrota por 1 a 0.

1994–2002

o tetra e o penta

O jejum de 24 anos sem títulos terminou nos Estados Unidos, em 1994: campanha sólida, com vitórias sobre Holanda e Suécia nas fases decisivas, culminando na final contra a Itália, decidida nos pênaltis após 0 a 0 no tempo normal — o primeiro título mundial decidido dessa forma na história brasileira.

Quatro anos depois, na França, o Brasil chegou à final como favorito, mas foi derrotado pelos anfitriões por 3 a 0, em uma decisão marcada pelo mal-estar de Ronaldo horas antes da partida. A resposta veio em 2002, na Ásia: campanha impecável, sete vitórias em sete jogos, e o pentacampeonato conquistado com gol duplo de Ronaldo na final contra a Alemanha, por 2 a 0.

2006–2022

favoritismo, frustrações e o trauma do Mineirão

Depois do penta, o Brasil voltou a esbarrar nas quartas de final em 2006 (derrota para a França) e em 2010 (derrota para a Holanda), sempre como um dos favoritos ao título que não se confirmava dentro de campo.

Sediando o torneio em 2014, o Brasil viveu o que se tornou sinônimo de trauma esportivo: depois de eliminar o Chile nos pênaltis e vencer a Colômbia nas quartas, perdeu de 7 a 1 para a Alemanha na semifinal, em Belo Horizonte — a maior goleada sofrida pela seleção em Copas — e ainda perdeu o jogo de terceiro lugar para a Holanda.

As edições seguintes trouxeram eliminações nas quartas de final: para a Bélgica, em 2018, e para a Croácia, nos pênaltis, em 2022, no Catar, mesmo após boa campanha na fase de grupos.

2026

a nova campanha em andamento

Na atual edição, o Brasil somou um empate com Marrocos e vitórias sobre Haiti e Escócia na fase de grupos, além do triunfo por 2 a 1 sobre o Japão na fase eliminatória, garantindo presença na sequência do torneio.

Retrospecto

Os números de quase um século de Copas

Uma leitura por períodos ajuda a enxergar a força histórica do Brasil e os ciclos que moldaram a seleção em Copas.

Período Vitórias Empates Derrotas Títulos
1930–1954 8 3 4
1958–1970 21 4 3 1958, 1962, 1970
1974–1990 11 6 5
1994–2002 18 3 1 1994, 2002
2006–2022 16 2 5
2026 (em andamento) 3 1 0

Os totais por período são aproximados a partir do retrospecto completo de jogos; o placar oficial soma 118 partidas, com 79 vitórias, 20 empates e 19 derrotas até a fase eliminatória de 2026.

Arquivo completo

Todos os 118 jogos do Brasil em Copas do Mundo

A relação abaixo reúne, em ordem cronológica, todos os jogos da Seleção Brasileira na história do Mundial, com fase, adversário, placar e desfecho.

Ano Fase Adversário Placar Desfecho
1930 Grupo Iugoslávia 1–2 Derrota
1930 Grupo Bolívia 4–0 Vitória
1934 Oitavas Espanha 1–3 Derrota
1938 Oitavas Polônia 6–5 Vitória, na prorrogação
1938 Quartas Tchecoslováquia 1–1 Empate, na prorrogação
1938 Quartas (replay) Tchecoslováquia 2–1 Vitória
1938 Semifinal Itália 1–2 Derrota
1938 3º lugar Suécia 4–2 Vitória
1950 Grupo México 4–0 Vitória
1950 Grupo Suíça 2–2 Empate
1950 Grupo Iugoslávia 2–0 Vitória
1950 Quadrangular final Suécia 7–1 Vitória
1950 Quadrangular final Espanha 6–1 Vitória
1950 Quadrangular final Uruguai 1–2 Derrota
1954 Grupo México 5–0 Vitória
1954 Grupo Iugoslávia 1–1 Empate, na prorrogação
1954 Quartas Hungria 2–4 Derrota
1958 Grupo Áustria 3–0 Vitória
1958 Grupo Inglaterra 0–0 Empate
1958 Grupo União Soviética 2–0 Vitória
1958 Quartas País de Gales 1–0 Vitória
1958 Semifinal França 5–2 Vitória
1958 Final Suécia 5–2 Vitória, campeão
1962 Grupo México 2–0 Vitória
1962 Grupo Tchecoslováquia 0–0 Empate
1962 Grupo Espanha 2–1 Vitória
1962 Quartas Inglaterra 3–1 Vitória
1962 Semifinal Chile 4–2 Vitória
1962 Final Tchecoslováquia 3–1 Vitória, campeão
1966 Grupo Bulgária 2–0 Vitória
1966 Grupo Hungria 1–3 Derrota
1966 Grupo Portugal 1–3 Derrota
1970 Grupo Tchecoslováquia 4–1 Vitória
1970 Grupo Inglaterra 1–0 Vitória
1970 Grupo Romênia 3–2 Vitória
1970 Quartas Peru 4–2 Vitória
1970 Semifinal Uruguai 3–1 Vitória
1970 Final Itália 4–1 Vitória, campeão
1974 Grupo Iugoslávia 0–0 Empate
1974 Grupo Escócia 0–0 Empate
1974 Grupo Zaire 3–0 Vitória
1974 2ª fase Alemanha Oriental 1–0 Vitória
1974 2ª fase Argentina 2–1 Vitória
1974 2ª fase Holanda 0–2 Derrota
1974 3º lugar Polônia 0–1 Derrota
1978 Grupo Suécia 1–1 Empate
1978 Grupo Espanha 0–0 Empate
1978 Grupo Áustria 1–0 Vitória
1978 2ª fase Peru 3–0 Vitória
1978 2ª fase Argentina 0–0 Empate
1978 2ª fase Polônia 3–1 Vitória
1978 3º lugar Itália 2–1 Vitória
1982 Grupo União Soviética 2–1 Vitória
1982 Grupo Escócia 4–1 Vitória
1982 Grupo Nova Zelândia 4–0 Vitória
1982 2ª fase Argentina 3–1 Vitória
1982 2ª fase Itália 2–3 Derrota
1986 Grupo Espanha 1–0 Vitória
1986 Grupo Argélia 1–0 Vitória
1986 Grupo Irlanda do Norte 3–0 Vitória
1986 Oitavas Polônia 4–0 Vitória
1986 Quartas França 1–1 Empate; eliminado nos pênaltis (3–4)
1990 Grupo Suécia 2–1 Vitória
1990 Grupo Costa Rica 1–0 Vitória
1990 Grupo Escócia 1–0 Vitória
1990 Oitavas Argentina 0–1 Derrota
1994 Grupo Rússia 2–0 Vitória
1994 Grupo Camarões 3–0 Vitória
1994 Grupo Suécia 1–1 Empate
1994 Oitavas Estados Unidos 1–0 Vitória
1994 Quartas Holanda 3–2 Vitória
1994 Semifinal Suécia 1–0 Vitória
1994 Final Itália 0–0 Empate; campeão nos pênaltis (3–2)
1998 Grupo Escócia 2–1 Vitória
1998 Grupo Marrocos 3–0 Vitória
1998 Grupo Noruega 1–2 Derrota
1998 Oitavas Chile 4–1 Vitória
1998 Quartas Dinamarca 3–2 Vitória
1998 Semifinal Holanda 1–1 Empate; classificado nos pênaltis (4–2)
1998 Final França 0–3 Derrota
2002 Grupo Turquia 2–1 Vitória
2002 Grupo China 4–0 Vitória
2002 Grupo Costa Rica 5–2 Vitória
2002 Oitavas Bélgica 2–0 Vitória
2002 Quartas Inglaterra 2–1 Vitória
2002 Semifinal Turquia 1–0 Vitória
2002 Final Alemanha 2–0 Vitória, campeão
2006 Grupo Croácia 1–0 Vitória
2006 Grupo Austrália 2–0 Vitória
2006 Grupo Japão 4–1 Vitória
2006 Oitavas Gana 3–0 Vitória
2006 Quartas França 0–1 Derrota
2010 Grupo Coreia do Norte 2–1 Vitória
2010 Grupo Costa do Marfim 3–1 Vitória
2010 Grupo Portugal 0–0 Empate
2010 Oitavas Chile 3–0 Vitória
2010 Quartas Holanda 1–2 Derrota
2014 Grupo Croácia 3–1 Vitória
2014 Grupo México 0–0 Empate
2014 Grupo Camarões 4–1 Vitória
2014 Oitavas Chile 1–1 Empate; classificado nos pênaltis (3–2)
2014 Quartas Colômbia 2–1 Vitória
2014 Semifinal Alemanha 1–7 Derrota
2014 3º lugar Holanda 0–3 Derrota
2018 Grupo Suíça 1–1 Empate
2018 Grupo Costa Rica 2–0 Vitória
2018 Grupo Sérvia 2–0 Vitória
2018 Oitavas México 2–0 Vitória
2018 Quartas Bélgica 1–2 Derrota
2022 Grupo Sérvia 2–0 Vitória
2022 Grupo Suíça 1–0 Vitória
2022 Grupo Camarões 0–1 Derrota
2022 Oitavas Coreia do Sul 4–1 Vitória
2022 Quartas Croácia 1–1 Empate; eliminado nos pênaltis (2–4)
2026 Grupo Marrocos 1–1 Empate
2026 Grupo Haiti 3–0 Vitória
2026 Grupo Escócia 3–0 Vitória
2026 Fase eliminatória (32) Japão 2–1 Vitória

Nos confrontos decididos por pênaltis, o placar registrado corresponde ao tempo normal/prorrogação, com o desfecho da disputa (classificação ou eliminação) indicado separadamente.

Brasil em Copas do Mundo
Uma história escrita entre taças, gerações inesquecíveis e a paixão de um país inteiro.

 

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