Rondônia, 16 de julho de 2024 – 12:01
Search
Anuncie aqui
Search
16 de julho de 2024 – 12:01

Coluna Boca Maldita – CAMPANHAS MILIONÁRIAS

Anuncie aqui

VEM AÍ O SEGUNDO TURNO

O primeiro turno das eleições está encerrado. Tanto em Rondônia, como no plano nacional, os rondonienses voltarão às urnas dia 30 de outubro para decidir quem será o governador do estado e o presidente da república. O atual governador do estado, Marcos Rocha, terá como adversário o senador Marcos Rogério. Essa situação não se configura como uma novidade, porque o clima de campanha e as pesquisas realizadas no estado mostravam que eles seriam os candidatos a disputar o governo no segundo turno. Agora, muitas coisas precisam ser rediscutidas em cada campanha, principalmente porque a pequena diferença do primeiro turno deixa claro que não há favoritos. Resta saber quem formará o palanque mais sólido para o embate e como os eleitores pensam sobre a eleição estadual. Outro fator determinante será o eventual apoio ou não dos demais candidatos que disputaram a eleição no primeiro turno. Qualquer erro de estratégia de um dos lados pode determinar a vitória do adversário. A dinâmica da eleição no segundo turno é muito diferente.

BOLSONARO DIVIDIDO

Como a coluna anunciou, dias antes da eleição, o cenário de presidente da república teria total influência na eleição de Rondônia. Marcos Rocha e Marcos Rogério declaram que são cabos eleitorais do presidente Jair Bolsonaro. Como o presidente também precisa disputar o segundo turno, dificilmente ele entraria na disputa local de Rondônia, porque o prejuízo seria inevitável. Assim, Bolsonaro vai passar bem longe dos palanques de Rondônia e os dois Marcos terão que se virar para convencer os eleitores da esquerda que precisam dos votos. No primeiro turno, a diferença entre os dois primeiros colocados foi de 15 mil votos, o que significa que eles terminaram empatados. Leo Moraes ficou em terceiro lugar, com 119 mil votos, seguido por Daniel Pereira que teve 81 mil votos. Isso mostra o trabalho que Rocha e Rogério terão pela frente e mostra como os eleitores do presidente se dividiram entre o atual governador e o senador do PL. Como o presidente Jair Bolsonaro teve 64% dos votos em Rondônia, a subida dele no palanque de Marcos Rocha ou Marcos Rogério decidiria a eleição, mas Bolsonaro certamente não fará isso.

BAGATTOLI x MARIANA

A divisão de votos para o cargo de senador também revela que a disputa será muito acirrada no estado. Mariana Carvalho, a candidata do governador, perdeu a eleição para o Senado Federal exatamente para Jaime Bagattoli, o senador eleito pelo grupo de Marcos Rogério. O senador eleito, com certeza, está muito mais estimulado e já começou a campanha para eleger Marcos Rogério. Mariana Carvalho, considerada favorita na eleição, pode não ter tido tempo nem para se recuperar da derrota sofrida nas urnas. Então, Bagattoli sai na frente. Eleito pela “Onda Bolsonaro” em 2018, o governador de Rondônia sabe que, desta vez, a vez está dividida. Mas o governador tem como aliado de primeira hora o ex-secretário de saúde, Fernando Máximo, o campeão de votos desta eleição, para deputado federal. Fernando Máximo teve 20 mil votos a mais que Sílvia Cristina, a segunda colocada e aliada de Marcos Rogério. Até mesmo o segmento do agronegócio ficará divido em Rondônia, porque eles não sabem, com certeza a posição do presidente da república. A única certeza que temos, neste momento é que Rondônia terá no cargo de governador um eleitor de Bolsonaro.

DEPUTADOS ESTADUAIS

No cenário da eleição para deputados estaduais, o campeão de votos foi o deputado Laerte Gomes, que teve 25.603 votos, seguido de perto pela primeira-dama de Porto-Velho, Ieda Chaves, que chegou a 24.667 votos. Ieda Chaves esteve no palanque do atual governador de Rondônia, enquanto Laerte Gomes é filiado ao PSD de Gilberto Kassab, sigla que já anunciou que ficará neutra na eleição nacional. É importante lembrar que todo tipo de negociação será feito para a eleição de presidente da Assembleia Legislativa (o permitido e o proibido). Por este motivo, os deputados estaduais eleitos fazem parte do tabuleiro de xadrez do segundo turno, fato inevitável, mas é pouco provável que os deputados estaduais tenham peso determinante para decidir a eleição de governador, mesmo porque os eleitores não fazem parte de nenhum pacote. Outro fator que estará presente na disputa é a comunidade evangélica de Rondônia, porque os dois candidatos ao governo declaram ser cristãos. Quem vive em Rondônia sabe muito bem que este fato faz parte da história politica do estado.

FUNDÃO ELEITORAL

O vereador Valdomiro Corá costuma fazer duras críticas contra os recursos do Fundo Eleitoral, todas as vezes que o assunto é discutido na Câmara de Cacoal. Entretanto, ele precisa admitir que este problema está dentro da casa dele. A esposa do vereador Corazinho, Cláudia Rodrigues, recebeu 700 mil reais do Fundão Eleitoral e teve apenas 1.095 votos. O problema do Fundão Eleitoral não está no repasse feito aos partidos, está na distribuição e na má aplicação dos recursos. Não existe nenhuma ilegalidade no fato de um candidato receber recursos do Fundão Eleitoral, mas os candidatos não são obrigados a aceitar. Para citar um exemplo, o senador eleito pelo PL, Jaime Bagattoli, não aceitou receber nenhum centavo do Fundão Eleitoral. Ele pode criticar o uso dos recursos, mas isso não fica bem para os políticos que fazem uso desses recursos. Para citar mais um caso do MDB, partido do vereador Corazinho, outra candidata do MDB de Cacoal para deputada federal, Jenifer D’Ávila, recebeu 450 mil reais do Fundão Eleitoral e teve 251 votos. Também não existe nada de errado no fato de ter recebido, mas o vereador Corazinho precisa conversar com o partido dele. O único partido brasileiro que fez um documento ao Tribunal Superior Eleitoral e informou que não aceitava receber os recursos foi o partido NOVO. Esse partido devolveu ao TSE 89 milhões de reais.

CONTAS DE CAMPANHA

Para aliviar a revolta do vereador Corazinho, em relação aos repasses do Fundão Eleitoral para candidatos, a coluna sugere que ele exija do Ministério Público Eleitoral uma investigação rigorosa sobre os gastos de campanha. Muitos candidatos fazem uma verdadeira farra com os recursos e arrumam notas fiscais duvidosas para justificar os gastos. Outra coisa que o vereador Corazinho precisa cobrar do Ministério Público Eleitoral e da Polícia Federal é que sejam investigados todos os candidatos que receberam e gastaram altos valores do fundão para ter votação pífias. Como o MDB é um dos partidos mais beneficiados pelo Fundão Eleitoral, vários candidatos a vereadores vão querer entrar no partido para a disputa municipal de 2024. Resta saber se o vereador Corazinho vai recusar receber os recursos e se vai cobrar do MDB que devolva os recursos. Para as eleições deste ano, o partido do vereador Corazinho recebeu 360 milhões de reais. Esse valor significa o orçamento de Cacoal para o ano de 2022 inteiro.

CAMPANHAS MILIONÁRIAS

Aliás, em muitas ocasiões, diversos candidatos disputaram eleições e justificaram a derrota nas urnas dizendo que não tinham recursos. Este ano, muitas campanhas milionárias saíram das urnas derrotadas. Isto é uma prova de que dinheiro não é tudo em uma campanha. A deputada estadual Cássia Muleta gastou 381 mil reais e não foi eleita. O deputado Alan Queiroz, do mesmo partido de Cássia, gastou 142 mil reais, passou a campanha inteira internado, por conta de um grave acidente de automóvel no inicio da campanha, e venceu as eleições. Isto para citar apenas dois exemplos. O que está errado na aplicação do Fundão Eleitoral não é receber os recursos. A forma de distribuição, a forma de prestação de contas, os conchavos entre caciques políticos é que precisam ser revistos para as próximas eleições, porque o Fundão Eleitoral tende a aumentar em campanhas futuras, mesmo que o vereador Corazinho não aceite a realidade. Quem decide isso é o Centrão, que continuará tendo a maior bancada no Congresso Nacional. Os candidatos que não têm interesse em usar os recursos não precisam se preocupar, basta avisar aos partidos que não querem. Mas existem excelentes nomes que podem ser bons representantes da sociedade e não possuem as mesmas condições financeiras do senador eleito Jaime Bagattoli. Numa democracia, tirar dos candidatos pobres o direito de disputar em condições de igualdade, seria uma tragédia.

DEPUTADOS DE CACOAL

O município de Cacoal volta a ter dois deputados na Assembleia Legislativa de Rondônia, após a renúncia do atual prefeito Adailton Fúria, que ficou apenas dois anos no mandato. Cirone Deiró cumpriu os 04 anos de mandato e foi reeleito para os próximos 04 anos. Cássio Gois, o vice-prefeito, foi eleito com expressiva votação e se tornou o deputado com a maior votação na história do município. Assim, a partir de janeiro, Cacoal não terá vice-prefeito e não será a primeira vez que isto acontece. Quando o então vice-prefeito Cirone Deiró foi eleito em 2018, o município ficou sem o vice e viveu uma situação administrativa muito delicada com a prisão e renúncia da ex-prefeita Glaucione Rodrigues. Como alguns vereadores de Cacoal já comentam nos corredores que o clima entre a Câmara de Cacoal e o prefeito não está nada bom, vamos ver o que acontece nos próximos meses, porque o prefeito vai precisar agora ter muita cautela para lidar com a Câmara de Cacoal. Vários vereadores saíram da campanha muito magoados com a conduta no prefeito nas eleições.

ADMINISTRAÇÃO MUNICIPAL

Aliás, um pedido de CPI foi preparado para logo depois das eleições, mas um dos vereadores mais empolgados com a criação da CPI teria atuado rapidamente para rasgar o documento, assim que as urnas foram abertas. Vale lembrar que, com a eleição de Cássio Gois, o cargo de prefeito pode ser assumido pelo presidente da Casa de Leis. Então, se por alguma razão, o prefeito for afastado após o início do novo ano, o prefeito será o presidente da Câmara de Cacoal. Poucos dias atrás, antes da eleição, havia pelo menos 06 vereadores dizendo que não seguram mais nenhuma CPI na Casa de Leis. Com isso, dependendo de quem for eleito presidente da Câmara de Cacoal em dezembro, o clima de paz e o total controle que o prefeito tinha dos vereadores terá outro desenho. Durante a campanha, o prefeito declarou que a única candidatura de deputado federal de Cacoal que mereceria votos era de sua esposa. Entre os candidatos a deputados federais pelo município estavam o vereador Paulinho do Cinema e o vereador João Paulo Picheck. Adailton Fúria vai ter que fazer mágica para eleger o novo presidente do legislativo, ou terá muita dor de cabeça.

 

Gostou? Compartilhe esta notícia!

Facebook
WhatsApp