Cacoal/RO, 22 de maio de 2024 – 04:55
Search
Search
22 de maio de 2024 – 04:55

Coluna Boca Maldita – TEORIAS DA ILUSÃO

 

JOGOS INTERMUNICIPAIS EM CACOAL

 Os órgãos estaduais responsáveis pelo setor de esporte trabalham para realizar em Cacoal os Jogos Intermunicipais de Rondônia (JIR). A competição é tradicional no estado e existe há décadas em Rondônia, envolvendo 15 a 20 modalidades esportivas. É um evento de interação entre os municípios, uma opção para encontros de velhos amigos e uma atividade que pode gerar excelentes resultados para o município que serve como sede dos JIR. O problema é que, atualmente, Cacoal enfrenta muitos obstáculos, em relação à infraestrutura para realizar os jogos. O estádio Aglair Toneli segue com sérios problemas de infiltração, a Vila Olímpica, que foi utilizada em outra edição dos jogos, está abandonada e tomada pelo matagal e a estrutura atual não tem condições de receber atletas. Vale lembrar que atualmente a Câmara de Cacoal tem vários vereadores que fizeram campanha dizendo que defenderiam o esporte. Existe uma “bancada do esporte” no legislativo de Cacoal. Mas é difícil imaginar que o evento pode ser realizado sem que o município ofereça as condições necessárias. É muito provável que o governo do estado disponibilize recursos, já que a competição é promovida pelo setor de esporte do governo estadual. Mas a infraestrutura oferecida deve ser do município. Imaginar que o estado vai concluir a obra da Vila Olímpica para fazer os jogos é sonhar demais. Isso sem falar que os vereadores da legislatura anterior doaram grande parte do terreno da Vila Olímpica para o estado, para melhorar a estrutura da Polícia Civil em Cacoal. Passaram-se anos e a Vila Olímpica ficou totalmente abandonada e a Segurança, não recebeu a melhoria prometida. Coisas da política…

PATRIMÔNIO MUNICIPAL

Aliás, os vereadores da legislatura passada não eram muito diferentes dos atuais. Eles também faziam juras de amor eterno ao município, mas tinham uma prática muito estranha eram os Robin Hood ao contrário. Os vereadores da legislatura passada doaram quase metade do terreno da Vila Olímpica para o governo de Rondônia, doaram o prédio onde hoje funciona a Defensoria Pública e deixaram o município sem muitas opções de espaço para resolver os problemas do município. O Hospital da Covid de Cacoal foi instalado num prédio do governo de Rondônia, a Secretaria de Saúde funciona em prédio alugado, o Centro do Autista funciona em prédio alugado e o prédio da antiga Unidade Mista foi demolido. Na ocasião da demolição, vários vereadores desses atuais fizeram fila para aplaudir a demolição e hoje o município gasta cerca de um milhão de reais por mês pagando aluguel. Se reformado, o prédio da antiga Unidade Mista poderia perfeitamente abrigar a Secretaria de Saúde, mas foi demolido para virar estacionamento. Já que a Unidade Mista foi o local de nascimento de milhares de cacoalenses, também poderia ter sido reformado para criar um museu com a história dos pioneiros do município. Um estacionamento certamente não serve para contar a história de pioneiros do município. Mas os vereadores entraram para a história da demolição.

 CAIXA ECONÔMICA

 A Caixa Econômica de Cacoal continua a negar os empréstimos consignados aos trabalhadores efetivos do SAAE. O problema começou quando a Autarquia de Água de Cacoal era presidia por Thiago Tezzari, hoje diretor da AROM. Ele fez um contrato com a Caixa Econômica e resolveu autorizar os empréstimos consignados para os servidores comissionados que vieram de outros municípios e foram nomeados no SAAE de Cacoal. Os empréstimos aos comissionados foram feitos nas agências de Guajará-Mirim, Porto-velho e Vilhena.  Isso, por si só, já é muito estranho, porque a Caixa Econômica tem sede em Cacoal. O problema do estranho contrato é que os servidores comissionados que pegaram os empréstimos não pagaram e isto prejudicou todos os servidores efetivos do SAAE, que até hoje não conseguem realizar contratos com o banco, por conta da situação. Alguns vereadores aliados do prefeito Adailton Fúria chegaram a usar a tribuna da Câmara de Cacoal para negar que existe uma investigação sobre os fatos, mas eles não disseram a verdade. A investigação existe e certamente punirá os culpados, assim como os servidores efetivos do SAAE seguem prejudicados porque não conseguem fazer os contratos de empréstimo na Caixa de Cacoal.

 MUDANÇA DE HÁBITO

 Alguns vereadores de Cacoal já perceberam que grande parte da população não engole mais os discursos enganadores de que todos os setores do município caminham a passos largos para ficarem à frente de Dubai, Londres e outras cidades. Durante os primeiros meses da administração, eles falavam que o Hospital da Covid de Cacoal, instalado num prédio emprestado do governo de Rondônia, era a maior obra já realizada por um prefeito em Cacoal. Depois mudaram um pouco, e passaram a dizer que o Hospital Materno Infantil era o principal hospital infantil de Rondônia, por algum tempo, eles alimentaram a ideia de que o Centro de Autista de Cacoal era o melhor do Brasil. O problema é que chegou o período de campanha e eles começaram a ser cobrados pela população, em função dos problemas. O PAM enfrenta sério problemas de falta de funcionários, perseguição a outros, faltam profissionais no Centro de Autista e o Hospital Materno Infantil melhorou parte da estrutura, mas uma grande parte continua a mesma de antes. Por estes motivos, é que diversos edis, pensando na reeleição, agora treinam outros discursos e muita gente acredita que eles defendem mesmo os interesses da população.

MATERNO INFANTIL

Na sessão da última segunda-feira, por exemplo, o vereador Edimar Kapiche fez duras críticas ao prefeito e à secretária de saúde, dizendo que o Hospital Materno Infantil não está essa maravilha toda que ele mesmo pregou por um bom tempo. Agora ele percebe que há muitas coisas a serem feitas. Antes, o mesmo Kapiche conseguia ver apenas os erros e falhas ocorridas no Hospital Regional e no HEURO, unidades de saúde estaduais. Tanto que ele realizou diversas audiências para falar apenas desses dois hospitais. Cacoal não é chamado pelo governo estadual de polo de saúde apenas por causa do Heuro e Regional. Toda a estrutura de saúde do município possui pactos com outros municípios. Se os nossos vereadores fiscalizassem direitinho as coisas, como é a obrigação deles, já teriam percebido que o Centro Especializado de Odontologia (CEO) não funciona há muito tempo e que falta profissionais de odontologia na maioria das UBS do município. Por este motivo, muitos pacientes são enviados ao PSO. E por que as reclamações de algumas pessoas sobre o PSO? Porque não conhecem a funcionamento do Pronto Socorro Odontológico. No PSO, devem funcionar apenas as emergências e não todos os casos de dor de dente da cidade. Como iniciou o período eleitoral, instalou-se o “salve quem puder”. Então, o prefeito, que nunca gostou de ser criticado, precisa se acostumar com seus aliados, que vão tentar dizer que fiscalizam alguma coisa.

TEORIAS DA ILUSÃO

Durante os últimos três anos, a maior parte dos vereadores adotou uma tese de que eles são os responsáveis por milhões de reais que chegam ao município. Tudo mentira! A maior prova de que isso é um discurso enganoso é que, até hoje, os vereadores votam matérias para autorizar a utilização de emendas de deputados e deputadas que deixaram o mandato faz tempo, bem antes da eleição de 2020. Mas os discursos são em outra direção. Todas as vezes que algum deputado atual promete destinar alguma emenda ao município, há uma disputa enorme entre os vereadores, para dizer que “arrumou os recursos”. A solução que eles encontraram foi dizer que eles se juntaram para pedir as emendas. E a coluna já alertou diversas vezes que nenhum recurso de emenda chega ao município sem que haja um bom projeto elaborado antes, contendo todos os detalhes. Não existe essa ilusão de que uma emenda foi liberada ao município, sem que que os destino dos recursos esteja detalhado em um projeto de execução. Mas os vereadores de Cacoal mudaram essa realidade que acontece em todos os demais municípios. A regra é a seguinte: primeiro, os municípios elaboram o projeto, com todos os detalhes de onde os recursos serão executados. Depois, bem depois é que acontece a liberação dos recursos. Isso quando acontece.

EXEMPLOS CONCRETOS

Para refrescar a memória de nossos vereadores e das pessoas que acreditam nessas historinhas de emendas, vamos citar três exemplos bem conhecidos. Lembram das obras da rua Uirapuru? Lembram do Complexo da Segurança Pública? Lembram da reforma do Feirão do Produtor? Pois, é! O barulho foi muito grande, mas até hoje nada foi feito. E por que não foram feitas essas obras? Porque o simples anúncio de dinheiro não constrói obras. O barulho das redes sociais não constrói obras. Os próprios vereadores que falam tanto em emendas já disseram várias vezes que a obra da rua Uirapuru não foi iniciada porque o “projeto foi mal feito”, porque “os valores estavam errados”, porque “a administração passada não fez”. As desculpas são muitas, mas todas elas provam que não existe a chegada milagrosa de recursos a nenhum município, sem ter projeto. No caso dos deputados, é fácil dizer que vão arrumar emendas, para agradar os vereadores que toda semana usam diárias para fazer turismo em Porto-Velho e Brasília.  Em municípios como Ji-Paraná, Ariquemes e Vilhena, há várias obras de médio e grande porte em execução, porque os projetos foram elaborados e apresentados aos ministérios ou secretarias de estado. Essa é a realidade, mas quem quiser acreditar em contos de fadas tem todo o direito de acreditar.

FEIRÃO E RODOVIÁRIA

Outra prova clara de que as histórias de emendas têm sido muito mal contadas está no caso do Feirão do Produtor e na reforma da Rodoviária Municipal. No caso do feirão, as emendas teriam sido prometidas pelo ex-deputado Adailton Fúria, hoje prefeito. Quando ele deixou o mandato de deputado, o deputado Alan Queiroz fez discursos dizendo que seguiria a defender as emendas para o Feirão do Produtor. Quando era deputado, Adailton Fúria dizia que o dinheiro da reforma do Feirão do Produtor estava na conta da prefeitura, mas que a administração passada não tinha competência para realizar as obras. Até hoje, a reforma não saiu e a história é exatamente a mesma, em relação à rodoviária. Houve muitos discursos de deputados e vereadores, dizendo que os recursos estavam na conta da prefeitura. Se fosse tão fácil arrumar emendas e resolver tudo de maneira mágica, Cacoal já teria feito quatro ou cinco reformas no feirão e na rodoviária, mas não é possível realizar reformas com discursos vazios. A questão é a seguinte: se os recursos para a reforma do feirão estão na conta de que o atual prefeito era deputado, por que a obra não foi feita? A pergunta sobre a reforma da rodoviária se encaixa no mesmo contexto.

EMPRESAS AÉREAS

Outra história que costuma aparecer sempre em períodos eleitorais é a história dos voos das empresas aéreas partindo de Cacoal. Sempre que começa uma disputa eleitoral, seja municipal ou eleições gerais, surgem deputados, prefeitos e vereadores para dizer que marcaram reuniões e que agora a situação tem que ser resolvida, para que o município possa crescer e se tornar a maior cidade da Rondônia. Encerrada a eleição, todo mundo some e as pessoas que precisam usar os voos para trabalho, turismo, passeio em família ou outras finalidades ficam a ver navios, porque não é possível ver os aviões pousando e decolando do aeroporto Capital do Café. Como alguns deputados estaduais precisam organizar partidos e listas de candidatos no município, já começaram a agendar as reuniões que vão resolver o problema dos voos em Cacoal, Porto-velho e Vilhena. Por sua vez, as empresas aéreas já avisaram várias vezes que iriam reduzir a quantidade de voos ou extinguir linhas e isto aconteceu. Os pousos e decolagens de aeronaves dessas empresas não têm nada a ver com deputados estaduais e muito menos vereadores, porque as empresas aéreas, como todas as demais empresas, precisam primeiro pensar em seus lucros, antes de ouvir políticos. E não há como dizer que as empresas estão erradas.

PARA REFLETIR

⁠”Política pública não é politicagem, muito menos trafego de influência, onde o assessor do político detém o acesso aos serviços públicos e o usa como barganha de voto”. (Carlos Delfino Carvalho Pinheiro)

 

Gostou? Compartilhe esta notícia!

Facebook
WhatsApp