O filósofo grego Epiteto, que nasceu no primeiro século, após a morte de Jesus Cristo, dizia que “a verdade vence por si mesma, mas que a mentira precisa de cúmplices”. O pensamento do filósofo grego traz boa reflexão sobre os tempos modernos, porque, atualmente, mentir é o passatempo predileto daqueles que fazem de tudo para buscar espaço na vitrine e conquistar curtidas de pessoas igualmente levianas ou que simplesmente não conseguem viver sem a mentira. Esta reflexão cai como uma luva no episódio ocorrido em um restaurante localizado no tradicional bairro Princesa Isabel, em Cacoal, quando um adolescente, com evidentes traços de delinquência, resolveu explodir um artefato que foi imediatamente identificado como “bomba” por alguns mexeriqueiros de plantão. A intenção deles, lógico, é criar aquele clima de pânico, próprio para causar frisson na turma da besouragem. Exatamente buscando aparecer, alguns jornalistas, desses que se recusam a apurar os fatos, trataram de inventar a historinha de que uma “bomba” teria explodido na escola Bernardo Guimarães. Tudo mentira. Mentira deslavada e cretina!!!
A história realmente aconteceu, mas não existe bomba nenhuma e nada tem a ver com a escola Bernardo Guimarães, uma das mais tradicionais instituições de ensino de Cacoal, onde já estudaram muitas personalidades obedianas. Pelo fato de ser uma boa escola e contar com excelentes índices de qualidade de ensino, a querida escola Bernardo Guimarães merece o mínimo de respeito, já que sua história se confunde com a história do município. Em uma das esquinas que ficam próximas à escola, é muito comum haver concentração de pequenos grupos de estudantes que saem da escola e ficam sentados no local esperando seus familiares buscarem. A escola, porém, não pode ser responsabilizada pelo fato de haver estudantes que ficam no restaurante da esquina, após o término da aula. Alguns deles moram a 200 ou 300 metros, mas acabam ficando no local, quando seus pais deveriam exigir que voltassem para casa, imediatamente após saírem da escola. Claro que outras pessoas que não estudam na citada escola acabam se aproximando e se juntam aos alunos. O jovem adolescente que causou a explosão já estudou na escola Bernardo Guimarães, tempos atrás, e, por esta razão, conhece diversos colegas. Curiosamente, alguns dos “jornalistas” que divulgaram o episódio, “informaram” em seus importantes veículos de comunicação que o “perigoso bandido” não tinha sido identificado pela polícia. Que papo furado!!
Por razões óbvias e legais, não convém citar o nome do garoto, visto que ele tem idade inferior a 15 anos e a legislação determina que sua identidade deve ser preservada. É necessário esclarecer, ainda, que a rua onde fica o restaurante não é o local de entrada e saída de alunos, o que significa que eles se dirigem ao local, após darem uma volta de quase 300 metros, já que o portão de entrada e saída de alunos fica na rua Antônio de Paula Nunes. A escola não tem nenhuma condição de ficar cuidando alunos que saem da aula e ficam pelas esquinas, porque isto não é obrigação de nenhum servidor da escola. Mesmo assim, por muitas vezes, alguns professores param no local e mandam os alunos embora. A demora de muitos pais em buscar seus filhos também contribui para a concentração de estudantes naquele local. É muito provável que eles não deem nenhum lucro ao restaurante, porque compram um litro de refrigerante e passam um longo tempo para consumir. Isto tudo após saírem da escola. O garoto que causou a explosão certamente sabia que daria aos pseudojornalistas um bom “material” para a fabricação de notícias, e resolveu colocar o objeto na mochila de uma garota. É lógico que a explosão iria danificar o frágil material da mochila, mas chamar isso de “bomba” beira o cinismo…
Quando a informação chegou aos jornalistas que trabalham com seriedade, alguns deles foram à escola e conversaram com a direção, porque, embora os alunos não estivessem no horário de aula, usavam uniformes da escola. A direção informou, com toda a educação possível, aos jornalistas que entraram em contato, que a história não tinha ocorrido da maneira como foi divulgada. Então, os jornalistas e os jornais de verdade não perderam tempo em divulgar o assunto, mesmo porque isto seria um desserviço à sociedade. Espalhar o pânico, a mentira e a desinformação é um ofício que não compete aos veículos de comunicação que respeitam a atividade de jornalista. Mas, embora o assunto tenha sido tratado por algumas pessoas como um “ato de terrorismo”, não passou de uma conduta muito maldosa de um garoto que tem péssimos resultados na escola, porque nunca recebeu educação em casa. Este fato deveria servir de exemplo para que os pais orientassem seus filhos a saírem da escola e irem direto para suas casas. Quanto ao adolescente que causou a explosão, ele já possui requisitos para assumir o lugar dos “jornalistas” que divulgaram o fato, como se fosse realmente um grande crime, porque é igualmente irresponsável. Crime mesmo é mentir e tentar jogar na lama a história de uma escola que produz excelentes resultados e que não merece ser tratada desse jeito nos jornais…
E a dona do restaurante onde ocorreu o fato possui alguma culpa? É evidente que não! Ela estava no seu local de trabalho e não chamou ninguém para ficar batendo papo e ocupando espaço nas mesas. Mesmo assim, é necessário que os pais do garoto que praticou a lambança sejam identificados e responsabilizados pelos prejuízos causados na mochila da estudante. Quanto aos “jornalistas” que resolveram divulgar informações completamente distorcidas, eles tiveram uma conduta muito semelhante à do garoto e certamente não terão nem a dignidade de restabelecer a verdade em seus jornais, porque são verdadeiros cúmplices da besouragem. A escola Bernardo Guimarães merece respeito, muito respeito… Tenho dito!!!

FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor da Rede Estadual e Jornalista
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