Rondônia, 19 de julho de 2024 – 14:08
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19 de julho de 2024 – 14:08

Coluna do Xavier – Cacoal: A Política , os Políticos de Estimação e o Postinho…

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A pandemia provocada pelo coronavírus causou um estrago sem precedentes em todos os continentes e, na avaliação do ex-ministro da saúde, Luiz Henrique Mandetta, os piores momentos da doença no Brasil devem acontecer nestes últimos dias de abril, até meados de maio. Entretanto, esse momento de extrema calamidade sanitária não fez os políticos se esquecerem das eleições deste ano, e os bastidores têm sido muito agitados. Boicotes, propagação de noticias falsas e a insistente tentativa de muitos eleitores, querendo emplacar o frágil discurso de que não idolatram políticos. Essa conversa mole de “NÃO TENHO POLÍTICO DE ESTIMAÇÃO” serve apenas para consolidar o espirito vira-lata de muitos eleitores que tentam esconder seus ídolos, com vergonha de assumir a identidade da alienação. Esta teoria é alimentada por muitos brasileiros. Claro que o estado de Rondônia e Nossa Amada Cacoal não poderiam ficar de fora dessa falta de identidade do eleitor brasileiro…

Antes de entrar no mérito do tema dos políticos de estimação, vale lembrar também que muitos políticos costumam adotar um clichê muito conhecido no país e que foi utilizado exaustivamente nos últimos três ou quatro anos. É a velha teoria que políticos hipócritas têm de negarem sua essência, com medo de serem cobrados pelo que são, de fato. “Eu não sou político”; dizem os políticos que tentam encantar os eleitores em pré-campanha ou em campanha, tentando dizer que terão uma prática diferente.  Que argumento fajuto!!! Todos os pré-candidatos ou candidatos são políticos. A palavra “POLÍTICO” tem origem grega e significa aquele que vive na “polis”(cidade). Neste sentido, cidade significa o município, ou seja, setor urbano e rural. Então, se uma pessoa participa da vida de sua cidade, esta pessoa vive na “polis”. As pessoas podem participar de igrejas, clubes, academias, associações, sindicatos, clube do Bolinha, clube da Luluzinha, família, escola, faculdade, turma de colegas de trabalho, turma da cachaça e outros grupos sociais. Se uma pessoa participa de um desses segmentos, esta pessoa é política. Além de tudo isso, existem as pessoas que participam da política partidária. Então, antes de sair dizendo que “não é político”, é melhor o indivíduo repensar essa teoria. E aqueles que querem disputar eleições e não têm coragem de assumir que são políticos nem deveriam entrar na disputa, porque a população quer representantes que tenham altivez, filáucia…

O curioso é que a falta de identidade não está somente nos políticos. Há milhões de eleitores que também não possuem coragem para assumir o que são de verdade. Esses eleitores são facilmente identificados por um bordão muito usado por eleitores que votam em candidatos que fazem vergonha a eles: “Eu não tenho político de estimação”.  Que frase mais vira-lata!!! Que coisa hipócrita!!!! Em geral, essa é a frase preferida de quem briga todos os dias defendendo seu político de estimação, mas tenta justificar esse amor platônico pelo político com argumentos sempre muito frágeis. O eleitor que não possui político de estimação é aquele que não discute sobre política, não tem interesse pelo tema, não ataca nem defende políticos, não cola adesivos em seu veículo, ouve os discursos de políticos e não diz uma palavra, possui titulo de eleitor somente por razões burocráticas e todas as vezes em que ocorrem eleições, ele vai pescar e volta somente no dia seguinte. A marca principal do eleitor que não tem político de estimação é que ele tem guardados todos os recibos da Justiça Eleitoral, autenticados pelo banco, daqueles boletos que a justiça eleitoral emite para pagamento de multa, para os eleitores que não comparecem no dia da eleição. Se o eleitor sai de casa, enfrenta a fila, vota em um candidato, ele não tem direito de usar a frase utilizada pelos hipócritas. Falta apenas coragem para assumir seu político de estimação…

Essa falta de sintonia entre políticos e eleitores pode causar imensos prejuízos à população. Apenas para citar um exemplo, parece que os moradores do Parque Fortaleza, importante bairro de Nossa Amada Cacoal, não possuem uma administração de estimação e não são estimados pela administração. Todas as ruas e avenidas do bairro estão em condições precárias de trafegabilidade e tudo indica que não existe nenhuma previsão para a recuperação de tais vias públicas. Além disso, o posto de saúde do bairro, denominado Luiz Moreira está completamente destruído e serve apenas como esconderijo de ratos, cobras, insetos e usuários de entorpecentes. Segundo dizem diversos moradores do bairro, a prefeita teria decidido deixar o parque Fortaleza abandonado, porque o vereador Mário Jabá reside no local. Sinceramente, não dá para acreditar nisso, mas é a tese corrente entre os habitantes do bairro.  Não é possível que a prefeita Glaucione Maria, que vive declarando amor à urbe, faria uma coisa dessas!!! As ruas do Parque Fortaleza e o postinho de saúde precisam urgentemente de um político de estimação. Os dois filósofos da honestidade precisam conversar com a prefeita, ainda que não habitem o Parque Fortaleza, e dizer a ela que os moradores daquele bairro são eleitores e contribuintes…

Agora, quanto ao vereador Mário Jabá, ele foi eleito para fiscalizar os atos do Executivo. Ele tem a obrigação de fiscalizar. Os vereadores recebem salários para fiscalizarem os atos do Executivo. Eu prefiro não acreditar que a prefeita tenha abandonado o bairro por divergências políticas com o vereador, mas para que não fique esse mal-estar e este clima de retaliação, seria inteligente, por parte da prefeita, determinar ao secretário de obras do município que faça um planejamento imediato para recuperar ruas e avenidas do bairro. Além disso, poderia nossa burgomestra pedir ao seu pessoal de planejamento que estude a possibilidade de reformar o posto de saúde daquele bairro, ou de construir outra estrutura que possa atender os moradores. William Shakespeare dizia, com muita sapiência, que “guardar mágoas é como beber veneno e ficar torcendo para que a outra pessoa morra”… Tenho dito!!!

FRANCISCO XAVIER GOMES

Professor da Rede Estadual e Articulista

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