
Triangulação Comercial: Brasil e Argentina poderiam estar ajudando a burlar o tarifaço dos EUA sobre o Brasil
O recente anunciado “tarifaço” de 50% imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, amplamente criticado no meio empresarial, pode estar abrindo caminho para manobras que reduzam os efeitos desse recado tarifário.
O Presidente da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), Jorge Viana, comemorou o superávit comercial do Brasil de US$ 6,1 bilhões em agosto, após tarifaço dos EUA sobre o país. Segundo o Governo, o Brasil está fazendo esforços para destravar comércios com os outros países, porém o que se notou foi uma reorientação das exportações brasileiras, que viram um salto notório para mercados na Ásia e, de forma ainda mais surpreendente, para o mercado argentino. Dados mostram que somente em agosto de 2025, o volume de exportações brasileiras para a Argentina cresceu 40,4%, atingindo US$ 1,64 bilhões. Enquanto isso, o comércio com os EUA deu sinais de enfraquecimento, com uma queda de 18,5%, que resultou em um total de US$ 2,76 bilhões.
Uma possível triangulação comercial usando a Argentina poderia está sendo feita por empresas do Brasil, visto que a Argentina é tradicional parceira comercial e membro do Mercosul, que já possui acordos que reduzem tarifas de exportação e importação. Em julho de 2025, a Argentina avançou nas negociações com os Estados Unidos, buscando eliminações tarifárias para até 80% de seus produtos. Tal acordo, se concretizado, pode proporcionar uma rota alternativa para empresas brasileiras instaladas no país andino, permitindo a revenda de produtos nos EUA sem o fardo do tarifário.
Especialistas sugerem que essa “rota alternativa” – conhecida informalmente como triangulação comercial – pode ser uma tática para contornar os obstáculos impostos pelas barreiras tarifárias. Ao instalar operações na Argentina, empresas brasileiras conseguiriam aproveitar as condições de livre comércio e tarifas reduzidas para exportar indiretamente para os EUA, um movimento que alguns chamam de “getinho brasileiro”. Essa estratégia, embora de difícil controle, pode levar a uma renegociação dos termos comerciais e elevar o fluxo de exportações, mesmo diante de políticas protecionistas norte-americanas.
O debate, agora nas esferas econômica e política, movimenta desde autoridades até analistas de mercado. O governo brasileiro e os agentes do comércio exterior ficam atentos às movimentações, já que a prática pode tanto abrir oportunidades quanto desafiar a integridade dos acordos internacionais. Enquanto a APEX celebra o superávit comercial e as diversificadas rotas de exportação, a potencial triangulação comercial levanta dúvidas sobre futuras ações de retaliação e a necessidade de revisão das estratégias comerciais face às medidas protecionistas dos EUA.
Com os números de agosto e as negociações em curso com os EUA, fica o alerta: o cenário global do comércio pode estar à beira de uma reconfiguração estratégica, onde a criatividade das empresas em contornar tarifas se alia a uma dinâmica política e econômica cada vez mais complexa. Se a triangulação comercial se confirmar, verá a América do Sul se mostrando não apenas como produtora, mas também como uma verdadeira estrategista no tabuleiro de xadrez do comércio internacional.

Fonte:
https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2025/09/05/entrevista-presidente-da-apex-jorge-viana-superavit-comercial-tarifaco.htm?cmpid=copiaecola
https://veja.abril.com.br/coluna/radar-economico/milei-avanca-em-acordo-com-trump-para-garantir-tarifa-zero-a-argentina/
https://www.gov.br/secom/pt-br/assuntos/noticias/2025/09/brasil-registra-superavit-de-us-6-1-bi-em-agosto-e-recorde-de-exportacoes-nos-primeiros-oito-meses-do-ano#:~:text=A%20balan%C3%A7a%20comercial%20brasileira%20encerrou,Com%C3%A9rcio%20e%20Servi%C3%A7os%20(MDIC).













