HUMBERTO GUEDES (II) – COLONIZAÇÃO EXPLODIU NO SEU GOVERNO

Lúcio Albuquerque

COLONIZAÇÃO EXPLODIU NO SEU GOVERNO

O coronel da reserva do Exército Humberto da Silva Guedes se inscreveu na História de Rondônia como um dos grandes governadores da fase do Território Federal (6/1975 a 4/1979), período inicial da forte colonização na região centro-sul do Território, alterando a economia, deixando de lado o extrativismo vegetal para o uso do solo na produção de bens de consumo. A força migratória foi tão forte que Rondônia passou de 140 mil habitantes em 1975 para perto de 400 mil em 1975.
Ele não era midiático, mas nas várias vezes que o entrevistei, pautado por jornais e acompanhando o “governo itinerante”, ou em coletivas, deduzi que tenha sido fundamental para a estrutura do Estado como a vinda e a interiorização de técnicos de mais diversas formações, com destaque para a área de produção agrícola. Ele cobrava muito ao Ministério do Interior um tratamento diferenciado em relação a outros Territórios. Seu trabalho ainda é pouco conhecido entre nós e, praticamente, deixado de lado pela historiografia.
ENTREVISTA
Em 2005, em sua casa, no Lago Sul, em Brasília, o ex-governador conversou comigo e os jornalistas José Carlos Sá e Montezuma Cruz. Rememorou fatos e amigos comuns, passagens do período em que esteve no cargo etc.
Ele narrou: “O presidente Ernesto Geisel disse que era para eu aceitar a missão e não recuar. Eu já fora a Porto Velho a serviço da IGPM – Inspetoria Geral das Polícias Militares (em Rondônia ainda era a Guarda Territorial). Eu nada sabia sobre o Território nem conhecia ninguém”. Ele veio com toda a família. Lembrou que durante sua administração duas filhas casaram em Porto Velho e que um dos netos é rondoniense.
“Ao aceitar a missão recebi só uma determinação: demitir o prefeito de Porto Velho advogado Odacir Soares, “Eu não o conhecia, portanto nada tinha contra ele e, por coincidência, ele foi o primeiro a me requerer uma audiência. Quando entrou na sala eu apenas o comuniquei que estava demitido”.
Humberto Guedes reconhece que, logo depois de chegar, muitas vezes teve vontade de largar tudo, pegar um avião e retornar a Brasília porque não havia qualquer estrutura administrativa no Território. Aqui se dependia em tudo do Ministério do Interior. “Passei pelo menos 30 dias procurando me localizar no Governo. A ideia que eu tinha, inicialmente, era que as pessoas em Porto Velho não queriam participar”. (Talvez reflexo da demissão de Odacir, natural do Acre, mas casado com uma jovem de família tradicional de Porto Velho).
Além disso, os convidados tinham, antes da nomeação, de passar por um crivo da Segurança. O primeiro escolhido foi o médico Jacob Atallah, para a Saúde. Na época Rondônia tinha só dois municípios, Porto Velho e Guajará-Mirim.
Guedes convidou para a prefeitura da capital o arquiteto e urbanista Antonio Carlos Cabral Carpintero (que já trabalhava na cidade cedido pela UnB). “Eu o encontrei a primeira vez quando ia entrando na prefeitura. Tomei um susto, na hora ele me colnvisdou”, relembrou Carpintero numa “roda de conversa” com membros da Confraria 30+ (jornalistas todos com mais de 30 anos de profissão).
Guedes continuou: “Ele era técnico cedido pela UnB para a prefeitura de Porto Velho, sendo dele o primeiro projeto de urbanização de Porto Velho e da implantação da cidade de Ariquemes”.
Dentre os secretários Guedes classificou de “uma agradável surpresa”, o da Educação, professor Jerzy Badocha. “Mesmo sem experiência, acabou mostrando que tinha qualidade”.

 

Odacir foi prefeito duas vezes em Porto Velho

1975 – Carpintero discursa ao assumir a prefeitura de Porto Velho – ao lado o governador Humberto Guedes

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