Tarde no parque com minha eterna guria

Na tarde calma do bairro, o tempo andava devagar,
E o sol dourava as ruas, num brilho leve no ar.
Seguíamos lado a lado, sem pressa de terminar,
Guardando em cada passo algo bom de lembrar.
O vento passava leve, tocando o nosso viver,
E eu só queria, contigo, cada instante ter.
No Parque Sabiá, tudo era simples e cheio de harmonia,
E o mundo perdia a pressa, diante da nossa sintonia.
Teu riso soava doce, como canto de canção,
E aquecia por dentro meu simples coração.
As casas ao redor guardavam silêncio e paz,
E, naquele cenário, meu amor crescia mais.
Caminhamos pela praça, vendo o dia se inclinar,
E o céu mudava de cor, sem nada nos apressar.
Teu olhar refletia calma, difícil de explicar,
E me fazia, em silêncio, ainda mais te amar.
As sombras iam surgindo no cair do entardecer,
E meu desejo era, contigo, sempre permanecer.
As crianças brincavam soltas, espalhando alegria,
Enquanto eu te chamava de minha eterna guria.
Teus cabelos ao vento dançavam sem direção,
E eu guardava em mim cada doce sensação.
O bairro inteiro parecia nos reconhecer,
Como dois corações que nasceram pra viver.
Sentamos num banco simples, já gasto pelo passar,
E ali ficamos quietos, sem nada precisar falar.
Teu olhar dizia tudo, sem precisar dizer,
E o meu só sabia, em ti, se perder.
As folhas caíam leves no chão do lugar,
Marcando o ritmo manso do nosso amar.
O sol se despedia lento, atrás do horizonte,
E deixava no céu um tom suave e constante.
Teu sorriso brilhava mais que qualquer clarão,
E acalmava por dentro meu coração.
Entre o fim da tarde e o começo do luar,
Eu descobria, contigo, o que é amar.
Teus dedos nos meus, firmes, num gesto tão natural,
Transformavam o simples em algo especial.
Nada mais importava naquele instante vivido,
Que, em nós, se tornava eterno e sentido.
O silêncio falava o que faltava dizer,
E eu só queria, contigo, viver.
A brisa passava leve, como um toque de carinho,
E, em teu abraço, eu encontrava meu caminho.
O bairro ao redor parecia nos guardar,
Como se tudo existisse só pra nos abrigar.
Cada momento ali virava lembrança sem fim,
E eu sabia: você foi feita pra mim.
A noite chegava calma, trazendo serenidade,
E envolvia em silêncio nossa felicidade.
As primeiras estrelas surgiam devagar,
Como luzes discretas no imenso olhar.
Teu rosto na sombra ficava ainda mais belo,
E meu amor crescia singelo.
Quando deixamos o parque, de mãos dadas a seguir,
Levei no peito a certeza de nunca desistir.
Pois, naquela tarde simples, sem luxo e vaidade,
Vivemos juntos a forma mais pura da verdade.
E guardo em mim, com amor e alegria,
Te amar pra sempre, minha eterna guria.
Moiseis Oliveira da Paixão












