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No apagar das luzes, a enquete que fotografou a largada da campanha

9 minutos de leitura

 

Crônica · Política, social e do cotidiano
Papudiskina
Por Daniel Oliveira da Paixão
16 de agosto de 2026  ·  Cacoal, Rondônia

Em cartaz

A fotografia de um instante antes de a campanha começar

Confesso que fiquei muito feliz com o resultado de uma experiência que começou quase por curiosidade e terminou numa mobilização que eu não esperava.

Ficha técnica
O tamanho da mobilização, cargo a cargo

Governador
9.309

Senador
18.288

Deputado federal
9.274

Deputado estadual
24.734
Sessenta e uma mil, seiscentas e cinco marcações
somadas nos quatro cargos


Plano aberto

E
olhando politicamente para tudo o que aconteceu, fiquei ainda mais satisfeito porque Cacoal entra nesta campanha com motivos para sonhar. Temos duas mulheres disputando espaço para a Câmara Federal, Joliane Fúria e Gil do Divino Cardoso, e nomes competitivos também para a Assembleia Legislativa. Não significa que serão eleitos. Significa apenas que Cacoal não entra nessa eleição como mero espectador. Além delas, que apareceram bem nessa mobilização da enquete, também temos a Dra Amália que também inicia sua caminhada rumo ao Congresso Nacional.

II · ALE

No caso de deputado estadual, a experiência acabou captando uma percepção que, pelo menos para quem vive em Cacoal e acompanha política, já circulava nas conversas de rua: Cássio Gois e Noeli do Cirone chegam ao início da campanha como dois nomes bastante conhecidos e comentados na cidade.

E não há motivo para fingir que isso não existe.

Cássio já é deputado estadual, foi eleito por Cacoal em 2022 com 17.753 votos e chega à disputa da reeleição carregando a vantagem natural de quem já exerce mandato. A própria Assembleia Legislativa registra que aquela foi das maiores votações já alcançadas por um deputado estadual no âmbito de votos exclusivamente no município.

Noeli, por sua vez, não aparece do nada. É esposa de Cirone Deiró, deputado estadual por dois mandatos, político com forte presença em Cacoal e que agora foi oficializado candidato a vice-governador na chapa de Hildon Chaves. Cirone e Noeli são casados desde 1995 e construíram boa parte de sua trajetória social e política em Cacoal.

É evidente que existe aí um potencial de transferência política. Quanto desse potencial se transformará em voto é outra história. Ninguém sabe.

Mas seria fechar os olhos para a realidade dizer que o peso político de Cirone não ajuda Noeli ou que o mandato de Cássio não lhe dá uma vantagem inicial de exposição.

Minha impressão, portanto, é que a enquete apenas fotografou algo que já estava no ambiente político local. Além desses dois nomes, já consolidados pelas razões expostas, a cidade pode sonhar com outra vaga e aí entra em cena outros bons nomes como Edimar Kapiche, Wagner Sodré e Talania.

Fotografou.
Não sentenciou.

Essa diferença é importante.

III · Ponta pé inicial

Aliás, a campanha eleitoral começa oficialmente neste domingo, 16 de agosto. A partir de hoje está autorizada a propaganda eleitoral nas ruas e na internet. Portanto, aquilo que alguém pensava ontem pode não ser o que pensará daqui a 20, 30 ou 40 dias.

E isso vale ainda mais para deputado estadual e deputado federal.

Uma pessoa pode abrir uma enquete hoje, olhar os nomes e marcar determinado candidato. Daqui a duas semanas pode conhecer outro, assistir a uma entrevista, receber uma visita, ouvir um amigo, participar de uma reunião, descobrir alguma informação nova e mudar completamente de opinião.

Por isso tudo o que eu disser influenciado pela experiência que fiz precisa vir acompanhado desta sinceridade: aquilo foi o retrato daquele momento e das escolhas que aquelas pessoas resolveram fazer naquele instante.

Nada além disso.

IV · Contraplano

Mesmo assim, quase 25 mil participações somente na votação para deputado estadual me surpreenderam muito.

Não porque 25 mil respostas transformem uma enquete em pesquisa científica. Não transformam.

Uma pesquisa eleitoral pode ouvir mil ou duas mil pessoas e, se possuir uma amostra estatisticamente construída para representar o eleitorado, ter muito mais valor científico que uma enquete com dezenas de milhares de participações espontâneas. Pesquisa e enquete são instrumentos completamente diferentes. O TSE exige das pesquisas metodologia, registro e uma série de informações técnicas justamente porque elas pretendem medir a opinião do eleitorado de maneira científica.

Minha enquete nunca teve essa pretensão.

Ela nasceu de uma curiosidade política e jornalística.

Queria saber o que aconteceria se colocássemos os nomes à disposição das pessoas nas redes sociais e deixássemos que elas próprias participassem.

E o resultado da mobilização foi muito maior do que eu esperava.

Colocamos travas para dificultar que uma mesma pessoa votasse repetidamente. Fizemos isso com responsabilidade. Mas também não vou cometer a irresponsabilidade de garantir que algum gênio da informática não tenha conseguido encontrar uma maneira de contornar alguma proteção.

Sistema absolutamente inviolável é conversa para quem vende milagre.

V · Bastidores

Também sei perfeitamente que parte importante dessa votação não nasceu simplesmente de alguém sentado em casa pensando: “Acho que vou procurar uma enquete eleitoral para responder”.

Não funciona assim.

Elenco de apoio

Candidatos compartilharam.
Assessores compartilharam.
Amigos compartilharam.
Familiares compartilharam.
Grupos políticos compartilharam.

E aí está justamente uma das partes mais interessantes dessa história.

O candidato A manda o link para o eleitor A esperando receber o voto dele na enquete.

O eleitor abre. Olha a lista. E vota no candidato B.

Pronto.

O candidato A acabou de conseguir um “voto para o adversário”.

Deve ter acontecido isso dezenas, talvez centenas de vezes.

Porque receber o link de alguém não obriga ninguém a votar em quem mandou.

Mas há algo que uma mobilização desse tamanho revela.

Capacidade de mobilização
também é um ativo político.

Ela não garante voto, mas quem consegue fazer centenas ou milhares de pessoas abrirem um link, conversarem sobre eleição, compartilharem nomes e participarem de uma votação demonstra que possui rede, militância, simpatizantes ou capacidade de influência.

E eleição também é feita disso.

VI · Panorâmica

Foi nesse aspecto que achei particularmente interessante olhar não apenas para candidatos, mas para partidos e federações.

No caso da Câmara Federal, minha leitura pessoal é que algumas das estruturas mais interessantes nesta largada estão justamente em torno de PSD, PL, Podemos e Federação União Progressista, que reúne União Brasil e Progressistas. Não estou dizendo quem vai ganhar cadeira. Estou dizendo quais grupos, olhando o conjunto político, as chapas e a mobilização que observei, me parecem merecer atenção especial.

E existe uma coincidência que considero relevante.

O PSD tem Adaílton Fúria concorrendo ao Governo. O PL tem Marcos Rogério e está coligado, entre outros, com o Podemos. Já o União Brasil tem Hildon Chaves na disputa estadual, com Cirone Deiró de vice, numa aliança que reúne a Federação União Progressista e Republicanos.

Isso não transfere automaticamente voto para deputado.

Mas dá palanque.
Dá estrutura.
Dá circulação de nomes.
Dá campanha estadual.

E política proporcional não acontece isolada da eleição majoritária.

Curiosamente, quando fiz a simulação puramente matemática usando aquelas marcações como se fossem votos válidos, os quatro grupos que apareceram com cadeiras para deputado federal foram justamente Podemos, PL, PSD e Federação União Progressista. Repito: era uma simulação mecânica sobre números de enquete, não uma previsão eleitoral.

Para deputado estadual, entretanto, o tabuleiro ficou muito mais aberto.

PSD, PL e Podemos continuam sendo partidos que considero politicamente relevantes. A Federação União Progressista também possui estrutura. Mas a própria experiência me obrigou a prestar muita atenção em Republicanos, PRD e Avante, que mostraram grande capacidade de mobilização naquele levantamento.

Seria incoerente fazer uma análise da minha própria enquete e simplesmente ignorar isso.

O PT é outro caso interessante. Tem Expedito Netto como candidato próprio ao Governo de Rondônia. Minha impressão é que isso dá exposição à legenda e permite que o partido entre na disputa proporcional buscando representação. Pode conquistar uma cadeira? Pode. Assim como pode não conquistar. Nesse caso já estamos no campo da análise política, não de algo que a enquete tenha demonstrado.

E é precisamente aí que quero manter os pés no chão.

Não existe eleição ganha em agosto. Muito menos eleição proporcional.

Para deputado federal e estadual, além do desempenho de cada candidato, existe votação do partido ou federação, quociente eleitoral, distribuição de vagas, sobras e desempenho individual dentro da própria chapa.

É uma eleição dentro da eleição.

VII · Plano final

Por isso posso olhar hoje para Cacoal e dizer que temos motivos para ficar animados. Joliane Fúria é candidata a deputada federal pelo PSD e nasceu em Cacoal. Gil do Divino Cardoso também disputa uma vaga federal pelo PL. Para estadual, temos Cássio, Noeli e outros nomes que ainda poderão crescer muito ao longo dos próximos quarenta e nove dias de campanha. E, para governador, temos também um candidato competitivo, aparecendo muito bem nas pesquisas até hoje divulgadas.

E é exatamente isso que me permite sonhar.

O sonho

Sonhar com Cacoal elegendo dois nomes para deputado federal.
Sonhar com dois representantes na Assembleia Legislativa.
E, numa conta um pouco mais otimista, quem sabe até mais.

Mas sonho é sonho. Urna é urna. E enquete é enquete.

Não vou transformar uma coisa na outra.

Até porque, encerrado o período em que esse tipo de enquete podia ser realizado, também não vou reproduzir nesta coluna ranking, percentuais individuais ou transformar aquele levantamento numa pretensa pesquisa eleitoral. A legislação eleitoral veda enquetes relacionadas ao processo eleitoral depois de 15 de agosto.

Fico com aquilo que considero mais interessante dessa experiência: a extraordinária participação popular.

Quase 25 mil marcações apenas para deputado estadual não me dizem quem será eleito.

Mas me dizem que existe gente interessada.
Existe discussão.
Existe candidato mobilizando.
Existe eleitor curioso.
Existe política acontecendo nas redes.

E, sobretudo, existe uma cidade chamada Cacoal entrando nessa eleição com vários nomes e com o direito de sonhar em voltar a ter uma representação política ainda maior.

Hoje a campanha começa de verdade.

Daqui para frente, o clique perde importância e começa uma etapa muito mais difícil: transformar presença na internet em presença nas ruas, simpatia em confiança, confiança em voto e voto em mandato.

Última cena

A enquete tirou uma fotografia.

Agora os candidatos vão começar a escrever a história.

E essa história, felizmente, ainda está completamente aberta.

Papudiskina
Daniel Oliveira da Paixão – email abaixo:

 

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