Os eleitores do Brasil inteiro foram às urnas, no dia 4 de outubro, com a finalidade de escolher os mandatários que ocuparão os diversos cargos em disputa, a partir do início do ano. No plano nacional, a decisão ficou mesmo para o segundo turno, conforme eram as previsões dos institutos mais conhecidos no país. Assim, no próximo dia 25 de outubro, haverá a disputa entre os dois primeiros colocados. Já, no caso de Rondônia, o senador Marcos Rogério foi eleito com expressiva votação e será o governador do estado até 2030. É claro que nem todas as pessoas ficaram contentes com o resultado da eleição, mas os brasileiros precisam aprender a conviver com os fatos adversos. Os fundamentos da democracia preveem a possibilidade de alternância no poder. Como não havia nenhum candidato disputando a reeleição para o governo, os rondonienses já sabiam que outro nome ocuparia o cargo em janeiro. Com relação aos números da eleição para governador, não há nenhuma dúvida de que os eleitores de Rondônia desejavam a vitória de Rogério, porque a diferença para os outros é fato inquestionável…
O escritor português José Saramago dizia que “o mau das vitórias é que elas não são definitivas. E que o bom das derrotas é que eles também não são definitivas”. Sendo assim, quem estiver insatisfeito com o resultado das urnas vai precisar esperar um poupo, porque não dá para bater o pé neste momento. Marcos Rogério foi candidato, fez a campanha, pediu votos, fez as promessas e foi eleito. Deste modo, todas as pessoas que não concordam têm a obrigação moral de respeitar a supremacia do sufrágio, porque as decisões populares devem ser respeitadas. Quem quiser fazer oposição, terá esse direito, mas contestar a vitória cristalina do candidato não é o caminho. E outro fato merecedor de respeito é que os demais candidatos que concorreram não podem ser chamados de fracos, ´porque não são mesmo. Todos os principais adversários de Marcos Rogério tinham palanques sólidos, e a única exceção era o advogado Samuel Costa, uma vez que ele não dispunha de recursos. O portal da Justiça Eleitoral consta que Samuel recebeu pouco mais de 10 mil reais do Fundo Eleitoral. Com esses valores, não é possível sequer contratar 5 ou 6 formiguinhas. Por essa razão específica, não dá para dizer que ele concorria em igualdade de condições. Na realidade, com os recursos que Samuel tinha, ele não daria conta de fazer uma campanha de vereador, num município de 3 mil habitantes. Quantos aos demais, o problema foi falta de convencimento do eleitor…
Provavelmente, até mesmo os eleitores que não votaram em Marcos Rogério, e que não votariam em nenhuma hipótese, caso do escriba, irão torcer para o que governo dê certo, a partir de 5 de janeiro. Isso porque o estado não pode dar errado e não há razão lógica para torcer contra o estado. Uma coisa é a pessoa não concordar com a expressiva vitória de Rogério; outra coisa muito diferente é torcer contra o estado. O que as pessoas devem fazer, e isto envolve simpatizantes e adversários políticos, é cobrar de Marcos Rogério o cumprimento das promessas feitas durante a campanha, e até antes, já que Rondônia tem problemas que já eram prioridades em 2022, quando Marcos Rogério também foi candidato e fez inúmeras promessas. Obviamente que algumas dessas promessas, provavelmente a maioria, não precisam ser cobradas, porque estão no plano do inexequível. Marcos Rogério prometeu construir um novo João Paulo II, instalar no interior do estado unidades de saúde de primeiro mundo e tudo mais… Ora, minha gente, o deputado federal Fernando Máximo chegou a inaugurar uma pedra e fez um discurso emocionante, dizendo que a pedra era um hospital. Ao lado dele na inauguração, estava o atual governador. Esses fatos mostram que não dá para ter a ilusão de que Rondônia terá um novo João Paulo II e terá unidades de saúde de luxo no interior. Mas é claro que as pessoas têm direito de acreditar naquilo que querem…
Com relação à bancada federal eleita, todos eles prometeram que, eleitos, iriam resolver o problema dos pedágios que foram instalados na rodovia 364 e que servem apenas para lesar o contribuinte. Lesar mesmo, porque nunca houve nenhum serviço prestado e que justifique as cobranças absurdas. Caso o eleitor queira acreditar nisso, também pode, mas é evidente que nada vai mudar sobre os pedágios. Tudo vai continuar como é hoje, principalmente porque mais da metade das pessoas eleitas para a Câmara Federal já estavam no mandato, quando os pedágios foram instalados. Também já tinha mandato o deputado Fernando Máximo agora eleito senador. Aliás, ele deve ter sido eleito porque inaugurou uma pedra e porque nunca fez nada para impedir a instalação dos pedágios, porque o eleitor rondoniense adora acreditar em papo furado. Se a bancada federal ficou esse tempo todo sem fazer absolutamente nada, e os pedágios foram instalados aos olhos de toda a bancada e com a total omissão dos deputados e senadores, não há como pensar em grandes mudanças. Como é que alguém pode acreditar que as coisas serão diferentes? Obviamente que não serão! Torcer para que o estado dê certo tem limites e não temos idade para acreditar em conto de fadas…
Finalmente, com relação aos deputados e deputadas estaduais eleitos, pouca coisa mudou, mas a derrota nas urnas de gente como Eyder Brasil e outros nomes, com certeza, é muito positiva para o contribuinte, porque esse tipo de político não serve para Rondônia. Eyder Brasil nunca passou de um grande embusteiro. A alusão nominal ao deputado não significa que seja o caso somente dele, mas a ilustração é necessária. Sem mandato, ele não terá condições de trabalhar para privatizar o SAAE de Cacoal, como fez até agora. É claro que a vitória de vários deputados que já estavam no mandato não representa nenhuma noticia boa para o estado, porque eles também nunca produziram nada, mas vamos entender como parte da democracia as escolhas dos eleitores que reelegeram diversos políticos absolutamente inúteis para continuar traindo os rondonienses na Assembleia Legislativa, mas voltaremos ao tema em publicações futuras. Nesta eleição, havia muitas candidaturas devidamente qualificadas, mas que não foram vistas pelo eleitor. Isto acontece porque muitos eleitores não possuem nenhuma preocupação com a qualidade dos políticos. Alguns eleitores imaginam que qualidade é arrumar uma sinecura para eles, mesmo que estado saia perdendo. Todavia, isto também é democracia… Tenho dito!!!
FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor, Jornalista e Advogado
Seu vice-governador eleito é Edson Vasconcelos (PL), ex-presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) Jovem Pan Sergio Moro – TON MOLINA/FOTOARENA/ESTADÃO…