
O município de Cacoal, assim como outros tantos municípios brasileiros e o próprio estado de Rondônia, enfrenta enormes desafios e obstáculos que envolvem as demandas da sociedade e aquilo que efetivamente é oferecido ou pode ser oferecido pelo Estado. Evidentemente, compatibilizar tudo isso não é uma missão muito fácil e, por essa razão, exige de todos nós um exercício de reflexão permanente, mas nem sempre suficiente. Os últimos fatos ocorridos na Administração Pública do município, deixam claras evidências de que a ausência de concurso público representa um problema, mas a realização do concurso também pode trazer situações que revelam a complexidade do fenômeno e a necessidade de ações que colocam o poder público e os servidores no limite da tolerância e da autoavaliação, assim como a própria sociedade é chamada a refletir e a pensar sobre caminhos e ações que tenham como finalidade a qualidade e eficiência dos serviços prestados. Os recentes casos de denúncias de servidores municipais recém-contratados pela Prefeitura de Cacoal vão exigir dos gestores a capacidade de saber administrar situações, e exigir dos servidores envolvidos a percepção de que, no universo do serviço público, há diversas circunstâncias que farão parte de toda a carreira do servidor e que, por isso, exigem uma compreensão muito clara, de gestores e servidores, no sentido de encontrar caminhos e soluções voltadas para atender às finalidades coletivas frutos da relação entre gestores e servidores…
Inicialmente, é importante o registro de que este escriba, por diversas vezes, cobrou da Prefeitura de Cacoal a realização de um concurso público, porque esse é o caminho constitucional de ingresso na carreira de inúmeras atividades e também confere aos concursados a garantia e estabilidade no emprego, sonho de milhares de brasileiros. O termo consurseiro, utilizado hoje com muita frequência, designa exatamente as pessoas que buscam um lugar ao sol na carreira pública e até mesmo a realização de diversos sonhos. Assim, este colunista é defensor do concurso público, dos concursados, concurseiros e dos sonhos envolvidos, sem perder de vista a ideia de que a aprovação em um concurso não implica o fim, por si só, daquilo que foi buscado durante as incontáveis horas de estudos, sacrifícios e muita determinação, além da constante pressão decorrente de cada inscrição nos concursos. Enfim, com a aprovação, surge o desafio da realidade, dos compromissos institucionais e da finalidade do serviço público…
A convocação para o ato de posse representa, obviamente, um momento de comemoração, de êxtase, certeza de uma conquista de algo buscado com muito empenho, esforço e entusiasmo. Mas, junto com a posse, surgem as atribuições do cargo, a obrigação de oferecer à sociedade o melhor desempenho possível, uma vez que a eficiência e os bons resultados fazem parte das obrigações do poder público e de todos os agentes públicos, porque a sociedade que espera pelo atendimento eficiente é a mesma que trabalha todos os dias para pagar, com os tributos recolhidos, o salário dos servidores públicos. Nestas circunstâncias, o servidor empossado vai oferecer tudo que pode nos primeiros dias da carreira? É muito provável que este seja seu desejo, mas é igualmente muito provável que nem tudo saia como o planejado. É exatamente neste momento que cabe a humildade do servidor empossado, para entender que há um caminho inicial de adaptação e aprendizagem; na mesma proporção que cabe aos gestores e demais servidores já experientes a capacidade de saber integrar os novos colegas, com a mesma serenidade e respeito exigidos quando iniciaram suas carreiras. Buscar o equilíbrio nessa relação entre novatos e experientes implica uma busca diária pela harmonia nas relações, objetivando que a sociedade seja o grande beneficiado.
As notícias que circulam hoje, nos bastidores políticos e administrativos de Cacoal, são no sentido de que há reclamações em conjunto de servidores recém-contratados, apontando que não recebem o tratamento desejado ou que foram colocados em atividades que representam o desvio de função, em relação aos termos do edital do concurso. Todos os questionamentos e reclamações precisam ser considerados e avaliados. Ignorar as reclamações não parece o caminho mais prudente. Por outro prisma, também não é prudente condenar, sem uma avaliação, os gestores e chefes dos diversos setores da administração, sem que haja uma oportunidade de diálogo. E, nesse diálogo, precisam ser envolvidos os servidores já experientes, os novos servidores, secretários municipais, vereadores, o sindicato dos servidores municipais, prefeito, vice e outras pessoas que possam auxiliar na busca pelo equilíbrio e harmonia, sem deixar marcas de hostilidade, desarmonia, conflitos individuais e outros sentimentos, fatos ou sensações que comprometam o objetivo maior, que é prestar os melhores serviços à população cacoalense, deixando de lado tudo que não contribui para alcançar os objetivos coletivos pretendidos pela sociedade, pela legislação que rege o serviço público, pelos servidores e gestores. Não há outro caminho a seguir, que não seja o caminho do diálogo, da sabedoria, bom senso e vontade de oferecer o melhor ao contribuinte.
Claro que as opiniões aqui registradas não possuem a finalidade de indicar nenhuma “receita”, porque as particularidades do serviço público envolvem uma série de fatores que nem sempre são aplicáveis em todas as situações e circunstâncias. Mas o diálogo, o bom senso e o respeito mútuo possuem cadeiras cativas, e necessárias, em todas as relações profissionais. Nessas mesmas relações, o conflito e os confrontos nunca serão bons conselheiros… Tenho dito!!!
FRANCISCO XAVIER GOMES
Professor da Rede Estadual e Jornalista
