LOUVANDO A DEUS NA ROÇA
No banco de madeira,
Fé pura e verdadeira,
O vento a soprar,
As vozes a orar,
Crianças sorrindo,
O céu se abrindo.
A Bíblia apertada,
Por mão calejada,
Um hino começa,
A alma confessa,
A dor vai embora,
E a paz em mim mora.
O velho violão
Traz doce canção,
E a cada acorde
Rompe o engorde
Do mundo lá fora,
Minha alma aflora.
Irmão João chorando,
Mas sempre cantando,
Com olhos no alto,
Sem medo, sem salto,
Vimos nele uma luz,
Quando louvava a Jesus.
Também a irmã Maria,
Com muita fé e alegria,
Cantava o refrão
Com o coração.
Mãos ao céu erguidas,
Lágrimas contidas.
Cantamos então
Com devoção,
Um hino da Harpa Cristã,
Com voz firme e mente sã:
“Cristo salva e guia,
Muda a alma fria.”
Depois, com amor,
Em doce fervor,
“Igrejinha Velha”
Fez-se centelha.
Chão de terra batida,
Mas alma aquecida.
O céu se inclinou,
Uma luz refletiu,
Nas frestas entrou,
Até o tempo sumiu.
Naquela linda canção,
Tudo terminava em oração.
De novo o silêncio veio,
Sagrado e cheio.
Ninguém mais falou,
Deus ali ficou.
O céu nos tocou,
E o mundo parou.
Depois os abraços,
Sorrisos nos laços,
O bolo de milho,
Simples em brilho.
Mas tudo mudou,
O céu visitou.
Era só domingo,
Mas teve algo lindo.
Ali foi altar,
Lugar de ficar,
Onde Jesus
Nos trouxe uma luz.
Hoje, em canções,
Voltam as emoções.
Ouço e relembro,
Aquele dezembro,
Ou talvez abril…
Verdade: era abril.
O tempo levou,
Mas não apagou.
Tudo foi real,
Um toque imortal.
A fé que cresceu
Nessa tarde o céu desceu.
Moiseis Oliveira da Paixão
