Lúcio Albuquerque
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AMIGOS COMENTAM PAULO QUEIROZ
O Paulo, ou “Anglo Paraibano”, como alguns poucos o conheceram, eu soube dele pelo diretor Euro Tourinho (Alto Madeira), ao me apresentar à “doutora Auxiliadora, delegada recém-contratada para trabalhar em Rondônia. Seu marido é jornalista, vem para cá e vai trabalhar conosco”. Nunca trabalhamos juntos, mas era comum nos encontramos para trocar informações depois de fecharmos os jornais.
Deixo a palavra com outros seus amigos.
ZÉ CARLOS SÁ – Conheci primeiro a coluna Política em Três Tempos e só depois o seu autor. Paulo Queiroz era uma referência tanto para nós jornalistas quanto para os políticos, pela análise precisa do cenário e pelas projeções das consequências — acertava a maioria dos palpites. Tive a oportunidade de conversar bastante com ele e compartilhar fatos observados em viagens pelo interior de Rondônia; alguns sendo temas da coluna. PQ era um intérprete excepcional das dissimulações dos políticos. Sua ausência faz falta.
AURIMAR LIMA – Paulo Queiroz foi único na minha trajetória. Quando cheguei ao jornalismo impresso, foi meu orientador e sua indicação do livro “Fábrica de Mentiras” (Günter Wallraff), marcou profundamente minha formação. Generoso, participou de uma oficina na Escola Rio Branco com meus alunos, projeto que nos rendeu um prêmio. Foi nossa conexão ao conquistar o Prêmio Fiero de Jornalismo que leva seu nome. Paulo nunca se recusava a ensinar.
CARLINHOS ARAÚJO – Fomos colegas no O Imparcial e, depois, virei editor-chefe de O Estadão e o levou para trabalhar comigo. A partir daí firmamos uma amizade duradoura. Ah, a lacuna deixada pelo estilo – muito próprio – do Paulo Queiroz continua em aberto. E ontem à noite, pensando nisso, cheguei a conclusão de que o tornava o Paulo diferente, único, era o seu desapego pelo dinheiro e pelo Poder. PQ detestava escrever a “Política em Três Tempos” por encomenda. Era um incômodo danado e, no fim, quase nunca agradava, quem imaginasse que iria pautá-lo. Ele até aceitava a pauta, mas a escrevia com seu jeito único.
Em 2017, na Fiero, criamos um prêmio de jornalismo e o companheiro Montezuma Cruz sugeriu denominar o prêmio com o nome de Paulo Queiroz, uma linda homenagem a ele.
SÍLVIO PERSIVO – Minha convivência com o Paulo Queiroz foi sempre de mesa de bar e, muito raramente, profissional. Até por orbitarmos em planetas diferentes: ele era da redação do Estadão, de Mário Calixto, e, pelo meu lado, frequentava mais o histórico Alto Madeira, mas lia tudo que ele escrevia. Ele era uma figura, com as devidas diferenças, comparável, em muitas coisas ao Tarso de Castro. Bebia menos, não tinha nem o mesmo destemor, nem o mesmo charme com as mulheres, embora também, apesar de bem-casado – há histórias que atestam – fosse um bom conquistador. Talento tinha muito. Inclusive com um lado pouco conhecido e que, quando desejava brincar com ele, o deixava muito incomodado. Poucas pessoas sabiam, mas ele foi um compositor musical, um letrista de muita qualidade e, não lembro mais, gostava de mostrar algumas músicas de sua autoria, que eram muito boas. Todavia, aí residia seu calo, a música dele que fez mais sucesso, nisto muito parecido com Paulo Vanzolini, que não gostava de “Ronda”, foi uma versão de uma composição original da freira belga Sœur Sourire (Jeanine Deckers) chamada de “Dominique”. A música fez um enorme sucesso na voz de Giane, mas, por alguma razão que nunca soube, ele havia se arrependido da letra que dizia assim “Dominique, -nique, -nique/Sempre alegre esperando alguém que possa amar/O seu príncipe encantado, seu eterno namorado/
Que não cansa de esperar”. Nós conversamos uma vez a respeito e ele caiu na besteira de me falar, então toda vez que desejava mexer com ele era só começar a entoar: “Dominique-nique-nique”. E dizia para ele que gostava muito (gostava mesmo), mas, para irritá-lo, dizia que foi a melhor coisa que ele havia feito.

Aurimar: Conselho de Paulo Queiroz abriu para ela o jornalismo impresso

Sílvio Persivo: Partilhando conversas com o PQ nos bares












