COLUNA BOCA MALDITA –

ELEIÇÕES 2026
O ex-senador Acir Gurgacz vive um momento de grandes dúvidas jurídicas. De olho nas eleições deste ano e com a finalidade de voltar a disputar uma cadeira no Senado Federal ou até mesmo outro cargo, o ex-senador espera por uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral para resgatar seu direito de voltar a ser elegível. Na sexta-feira, o Tribunal Regional Eleitoral colocou em discussão a ação em que será julgada a inelegibilidade de Acir Gurgacz. O desembargador Daniel Lagos, relator da matéria, apresentou seu voto e defendeu a tese de que o ex-senador permanece inelegível até 2030. Entretanto, um pedido de vista do juiz Sérgio William Domingues Teixeira adiou a sessão que deve ser retomada no próximo dia 26 de maio. Como o voto do relator foi muito bem elaborado e considerando que Daniel Lagos votou para manter a inelegibilidade, certamente Acir Gurgacz não vai dormir tranquilo até que a matéria seja colocada em discussão novamente. Caso os demais desembargadores sigam o voto do relator, Acir vai precisar esperar um pouco mais, já que poderá recorrer da decisão ou voltar a disputar eleições somente daqui a 4 anos. A defesa do ex-senador entende que a punição já está extinta e pouco tempo atrás ele recebeu uma boa notícia, quando uma carta de elegibilidade foi expedida. Porém, o problema voltou a ser discutido pelo Tribunal Regional Eleitoral, já que o Ministério Público considera que a nova lei de inelegibilidade não favorece Acir Gurgacz.

PESQUISAS POLÊMICAS
O estado de Rondônia tem tradição em conviver coma divulgação de pesquisas eleitorais muito esquisitas todos os anos em que ocorrem eleições. As regras da legislação eleitoral autorização a realização e divulgação de pesquisas, mas é necessário o cumprimento de diversos itens estabelecidos pela lei. O problema é que não há um mecanismo de fiscalização eficaz sobre as pesquisas e muita gente acredita que o simples fato de registrar no Tribunal Superior Eleitoral ou Tribunal Regional Eleitoral resolve a situação. Nos últimos meses, diversas pesquisas foram divulgadas em Rondônia e o fato gerou intensas discussões. Não é possível entender por que toda semana um dos pré-candidatos ao cargo de governador aparece em pesquisas divulgadas com números que não fazem sentido. Um dia, aparece um nome disparado com 35 a 45% de intenções de votos. No dia seguinte, outro instituto divulga novos dados com números semelhantes, mas com outro candidato na frente. Na semana seguinte, surge outro nome com números parecidos. As mudanças bruscas de intenções de votos num estado como Rondônia não fazem parte da tradição eleitoral, mesmo em casos onde há a ocorrência de fatos com grande visibilidade. Assim, o mais natural é que um mesmo nome permaneça como o preferido pelo eleitor até que o cenário esteja mais claro. Como não houve nenhum fato de grande impacto no mundo político estadual, é muito estranha essa troca de nomes no topo das listas de pesquisas. A grande verdade, neste momento, é que provavelmente mais da metade dos eleitores ainda não definiram em quem votar para governo.

CONTAS DE CAMPANHA
A legislação eleitoral em vigor no país permite que os pré-candidatos anunciem seus nomes e dão não proíbe a divulgação de ideias, projetos e pensamentos. Durante este período, as reuniões em locais fechados que possuem a finalidade de discutir temas internos dos partidos também são permitidas. Entretanto, os pré-candidatos precisam ficar bem atentos sobre a divulgação de propagandas nas redes sociais, principalmente as publicações feitas por impulsionamento. Isto porque a Justiça Eleitoral estabelece regras que devem ser seguidas pelos partidos e pré-candidatos. Todas as formas de abusos podem sofrer penalidades e os problemas podem surgir mesmo após as eleições. Neste caso, os partidos e pré-candidatos que não obedecem aos limites da lei podem ser denunciados e terem problemas com o registro de candidatura. Como a legislação não determina os limites de gastos na pré-campanha, o cuidado precisa ser ainda maior, já que os termos da legislação eleitoral falam de valores módicos. Como todo mundo sabe, os eventuais adversários estão sempre de olho em todas as publicações e uma denúncia sobre o abuso de poder econômico, por exemplo, não pode ser descartada por nenhuma das pessoas que anunciaram suas pré-candidaturas. É importante lembrar que a propaganda eleitoral começa somente após a data autorizada pela Justiça Eleitoral. Este ano, a data estabelecida para o início das campanhas é 16 de agosto. Assim, o fato de ter o direito de divulgar a pré-candidatura não significa que a propaganda eleitoral esteja autorizada.

ESCOLAS MUNICIPAIS
A mudança de comando na administração municipal levou os servidores de Cacoal a acreditarem na possibilidade de mudanças mais significativas em alguns setores, como é o caso da Secretaria de Educação. Até este momento, porém, a mudança mais notável na pasta da educação foi a troca de secretária. Todavia, o pessoal técnico que ocupava os cargos na gestão do ex-prefeito Adailton Fúria, em sua maioria, permanece nos mesmos lugares. Em diversas escolas da rede municipal, já se ouve várias reclamações, inclusive com a falta de acesso à secretária, como relatam diversos professores. O prefeito Tony Pablo precisa se aproximar um pouco mais das escolas e ouvir de perto os professores, para não perder o controle da situação. Em qualquer município, é muito importante que a secretária de educação promova constantes visitas às escolas e abra espaço para ouvir as opiniões dos professores, mas isto não tem acontecido em Cacoal. Como a queda nos índices de qualidade do ensino foi muito grande durante os 5 anos da gestão de Adailton Fúria, é necessário que as escolas da rede municipal procurem remar numa direção que possa reverter o quadro, principalmente porque os baixos índices podem acarretar a perda de recursos estaduais ou federais. Antes de assumir o cargo de prefeito, Tony Pablo demonstrava preocupação com os dados oficiais da educação. Então, o caminho agora é andar nas escolas, ouvir os professores, ouvir o sindicato e verificar o que precisa ser feito para mudar o quadro. O fato é que a mudança na secretaria não surtiu os efeitos desejados e isto já é um assunto muito comentado nas escolas de Cacoal.

AMÁLIA MILANI
As pessoas que acompanharam a sessão ordinária da Câmara Municipal de Cacoal, na última segunda-feira, perceberam que o clima de tensão foi muito visível, envolvendo a vereadora Amália Milani e o vereador Clebinho Fúria. Ao fazer uso da tribuna, a vereadora do União Brasil criticou a situação de abandono de mais de 50 pacientes que, segundo ela, estavam sendo atendidos por uma única enfermeira, no dia em que a vereadora esteve no HEURO. Na ocasião, Amália Milani lembrou que o Secretário de Estado da Saúde é de Cacoal e que ele deveria dar maior atenção para a estrutura e organização da unidade de saúde que atende pessoas de mais de 30 municípios na região central do estado. Após as críticas feitas pela vereadora, o vereador Clebinho Fúria resolveu assumir a defesa do governo estadual, dizendo que somente neste período de pré-campanha alguns políticos locais encontraram o endereço do HEURO. A manifestação do vereador irritou sua colega de mandato e ela resolveu rebater os ataques feitos por Clebinho Fúria. No pano de fundo da questão, está o fato de que o vereador é muito ligado ao ex-prefeito de Cacoal, Adailton Fúria, e não aceita as críticas feitas ao governo estadual, já que o governador Marcos Rocha tem declarado que, caso seja eleito, Fúria dará continuidade à administração do coronel. O governador de Rondônia escolheu Adailton Fúria como seu pré-candidato preferido e isto é um direito que ele tem, pois vivemos num sistema democrático. Porém, a ideia de ver alguém ser eleito para continuar administrar a saúde como tem sido no atual governo certamente não preocupa somente a vereadora Amália Milani, porque o caos na saúde é muito visível e a população do estado sofre muito com isso.

EDIMAR KAPICHE
O vereador Edimar Kapiche, que está entre os poucos vereadores independentes de Cacoal, também se aliou ao colega Clebinho Fúria na defesa do governo estadual, durante a sessão. Este fato soa estranho, porque ele encabeça a lista dos políticos de Cacoal que mais cobram as ações do governo Marcos Rocha no campo da saúde. É muito provável que sua decisão de fazer coro ao discurso de Clebinho Fúria tenha como principal motivo o fato de pertencer ao grupo político do ex-prefeito Adailton Fúria, hoje muito ligado ao governador. O próprio Fúria, porém, já fez duras críticas ao governo estadual, no setor de saúde, embora seus aliados não tenham lembrança. Uma das ocasiões em que o ex-prefeito se revoltou contra Marcos Rocha foi quando a imprensa estadual divulgou a informação de que dezenas de pacientes de Cacoal precisavam fazer exames básicos no município de Vilhena, embora o polo de saúde do interior seja Cacoal. Na época, além de fazer duras críticas ao governador, Adailton Fúria anunciou que faria um contrato com empresas privadas de saúde em Cacoal para a realização dos exames. O vereador Clebinho Fúria não tem obrigação de lembrar desses fatos, porque ele está no mandato há pouco mais de um ano e certamente não acompanhava os fatos. Porém, o vereador Edimar Kapiche foi reeleito para este mandato e sabe muito bem que o governo Marcos Rocha nunca tratou como prioridade o Polo 2 de Saúde. Em seu primeiro mandato, Kapichão das Demandas, como é conhecido, foi o idealizador de várias audiências públicas que tinham a finalidade de discutir a omissão do governo de Rondônia sobre o HEURO e o Hospital Regional de Cacoal. O mais natural, neste caso, seria o vereador Edimar Kapiche se unir à luta da vereadora Amália, porque a saúde da população é prioridade.

PADRINHO POLÍTICO
A situação da pré-campanha traz algumas inconveniências políticas e administrativas e isto tem afetado muito o município de Cacoal. Desde que o governador anunciou que permaneceria no cargo e que o ex-prefeito Adailton Fúria era seu preferido para concorrer à sucessão estadual, diversos fatos incomodam a Capital do Café. Isso porque, na tentativa de agradar o ex-prefeito, Marcos Rocha passou a nomear e lotar pessoas ligadas ao seu apadrinhado em diversos órgãos da administração estadual, como é o caso da secretaria de educação. Na Superintendência Regional de Ensino de Cacoal, foi lotada a ex-secretária municipal da educação, que é prima do ex-prefeito e que não deixou nenhuma saudade, quando foi exonerada da pasta do município. Nomeada pela Casa Civil de Marcos Rocha num CDS-14, ela cumpre horário na Superintendência Regional de Ensino de Cacoal, embora não seja do quadro da educação de Rondônia. O governador de Rondônia tem todo o direito de nomear seus afilhados políticos em cargos de luxo, mesmo que eles não tenham o perfil técnico adequado e nenhum vínculo com a educação. Mas essas pessoas vão apenas receber salários, porque não possuem nenhuma aptidão para desempenhar funções em setores como a Superintendência Regional de Ensino. O máximo que pode acontecer é um clima de rejeição e hostilidade, porque lotar pessoas com salários superiores a 15 mil reais para ficarem sentadas atrás de alguma mesa esperando o fim do mês revela uma tremenda falta de respeito com milhares de professores e técnicos que atuam na educação e recebem muito menos para fazer trabalhados que nenhum apadrinhado do coronel daria conta. A notícia que circula é que outros apadrinhados do governador assumirão diversos outros cargos de CDS gordos, enquanto esperam a transição de governo. É verdade que o governo de Marcos Rocha não leva a educação a sério, mas os profissionais dessa pasta merecem respeito.

CABIDE DE EMPREGO
Quando aconteceu em Rondônia uma greve de professores e técnicos que durou mais de 20 dias, Marcos Rocha resolveu proteger a então secretária Ana Pacini com uma nomeação de luxo na Casa Civil. Ela foi exonerada da pasta da educação e foi abrigada pelo governador em um setor que não possui nenhuma relação com as escolas de Rondônia. Menos mal, porque a educação realmente não precisa de gente que não conhece a realidade das escolas públicas e muito menos as demandas da educação rondoniense. Como a Casa civil virou abrigo dos amigos pessoais do governador, ele bem que poderia lotar essa turma do ex-prefeito de Cacoal nos mesmos gabinetes onde costuma lotar outros aliados políticos. Essa prática causa prejuízos aos cofres públicos, mas não provoca as mesmas insatisfações que são verificadas em setores que precisam funcionar de verdade. A Casa Civil é mesmo o lugar ideal, porque as pessoas podem se dedicar a participar de passeios com o governador, eventos festivos, viagens, comemorações, mas ficam distante de setores como a educação, saúde e outros que são igualmente importantes e que prestam serviços à sociedade. Essa história de fazer a educação de cabide de emprego e abrigo de amigos e aliados políticos do governador realmente não combina com as necessidades que o estado tem e com a obrigação de oferecer serviços de qualidade aos rondonienses.

ASSÉDIO SEXUAL
O vereador William Cândido de Souza, do município de Ji-Paraná, foi condenado na última semana, pelos crimes de assédio sexual e importunação sexual. No ano passado, o vereador chegou a ser preso pela acusação de ato libidinoso, e sofreu um pedido de afastamento do cargo, mas o pedido foi negado pela Câmara Municipal de Ji-Paraná. A decisão dos vereadores de proteger o colega parece não ter surtido um efeito suficiente, porque ele foi denunciado pelo Ministério Público e condenado pelo Poder Judiciário, pela prática dos crimes de assédio e importunação sexual. A decisão da justiça não é definitiva, porque ainda cabe recurso, mas a imagem política do vereador certamente ficará muito arranhada, principalmente pelo fato de ele divulgar a imagem de pai de família, defensor dos bons costumes e e se declarar cristão. O estado de Rondônia já não tem uma boa imagem nacional, quando o assunto se relaciona com os crimes praticados contra mulheres. Em função disso, os agentes políticos deveriam ter alguma preocupação em combater esse tipo de crime, porque essa prática não combina em nada com a função dos políticos, uma vez que eles são eleitos com a obrigação de defender a sociedade. A coluna não tem nenhum interesse em fazer juízo sobre o caso do vereador de Ji-Paraná, porque a decisão ainda pode ser revertida em instâncias superiores, mas o fato de um vereador ser denunciado pelo Ministério Público acusado de cometer crimes dessa natureza realmente joga lama na Câmara Municipal de um município importante como é Ji-Paraná.

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