Lúcio Albuquerque
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Há coisas que na vida de repórter eu soube – muitas vezes, como o que vou agora contar, de várias fontes que vivenciaram o fato, e que ouvi de personagens diversas, mas especialmente dos jornalistas Euro Tourinho, durante 60 anos e pouco diretor do jornal Alto Madeira, Rochilmer Rocha (O Guaporé e A Tribuna) e o historiador Esron Menezes.
Todos confirmaram: o trabalho e a visão de futuro do duas vezes governador do Território (1954/58 e 1958/61) Paulo Leal teve seu grande momento em janeiro de 1961, a 2 meses de quando foi substituído devido à mudança do presidente saindo Juscelino e entrando Jânio Quadros.
Naquele janeiro JK considerou inaugurada a BR-29, nome inicial da BR-364, anunciada para ir até Rio Branco e que chegou até Porto Velho, dando à Amazônia Ocidental uma via de acesso rodoviário com o resto do país, ligação que o próprio Paulo Leal imortalizou em seu livro “O Outro Braço da Cruz”.
Engenheiro rodoviário, ele também tinha um cacife que outros governadores, talvez exceções como Aluízio Ferreira e Jorge Teixeira, não tiveram. Paulo Leal era irmão do chefe de gabinete do presidente JK e isso com certeza permitiu-lhe uma aproximação melhor com o chefe da Nação.
Ainda em 1959 ele faz acontecer o caso do “Caminhão Bandeirante”, por estrada de SP a Cáceres (MT), daí pelos rios Guaporé e Mamoré a Guajará-Mirim e pela Madeira-Mamoré até Porto Velho. Ainda em 1958 Paulo Leal convidou vários jornalistas de São Paulo para virem a Porto Velho e conhecerem além da capital, Guajará-Mirim.
Um dos convidados, o escritor e jornalista Manoel Rodrigues Ferreira (“Ferrovia Do Diabo”) que chega a JK, por reportagens inseridas em vários jornais paulistanos, sobre a Madeira-Mamoré. E ao qual Juscelino se refere em “Por que construí Brasília”.
Em 1961 Paulo Leal deixa o governo e em 1966 é eleito deputado federal, com 51,94 pela Arena. Assume em 1967, mesmo ano que renuncia e assume uma secretaria de Governo e renuncia, assumindo seu suplente o jornalista Emanuel Pontes Pinto.
Em 1970 Paulo Leal era o nome da Arena mais cotado para ser deputados federal e chega a Porto Velho no dia da convenção, um domingo, por volta das 14 horas, e no aeroporto é informado que a convenção, prevista para acabar às 16 horas, fora encerrada às 12 e Emanuel Ponte Pinto sagrado candidato.
Todas as pessoas que ouvi garantiram que essa mudança, resquício da renúncia de Paulo Leal em 1967, facilitou em 1970 o aparecimento na cena política de Rondônia do desconhecido advogado Jerônimo Santana, reeleito em 1974 e 78.
Manoel R. Ferreira entrega a JK a encadernação das reportagens sobre o Território
“Ferrovia do Diabo”, de Manoel R. Ferreira, é o livro nais conhecido sobre a EFMM













