Coluna Ponto Crítico – Por Felipe Corona

Gastos dispararam ao longo de 2025, ultrapassaram R$ 2 milhões em um único mês e levantam dúvidas sobre prioridades do órgão em tempos de aperto para o contribuinte

Farra
Enquanto o cidadão enfrenta filas, burocracia e taxas cada vez mais caras para resolver pendências relacionadas ao trânsito, o Departamento Estadual de Trânsito de Rondônia (Detran-RO) viveu um ano de intensa movimentação pelos aeroportos e rodovias do país. Em 2025, o órgão desembolsou nada menos que R$ 12.200.024,33 apenas com diárias destinadas a servidores.
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Os números, disponíveis nos portais oficiais de transparência, revelam uma verdadeira escalada nos gastos ao longo do ano. Em janeiro, as despesas com diárias somaram modestos R$ 17 mil. Poucos meses depois, porém, os valores passaram a navegar confortavelmente acima da casa de R$ 1 milhão por mês.
Farra 3
O auge da temporada de viagens aconteceu em outubro, quando o órgão registrou impressionantes R$ 2.182.923,20 em diárias. Novembro não ficou muito atrás e consumiu mais R$ 1.891.540,20 dos cofres públicos.
Farra 4
Oficialmente, boa parte dos deslocamentos foi destinada às comissões examinadoras responsáveis pela aplicação de provas para emissão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) em municípios do interior. Também entram na lista fiscalizações, campanhas educativas, manutenção de unidades e ações administrativas.
Todo mundo
Mas os relatórios mostram que não foram apenas os examinadores que colocaram o pé na estrada. Integrantes da alta administração e servidores de setores estratégicos participaram de congressos, fóruns, seminários, encontros e visitas técnicas em diversas regiões do país, tudo devidamente custeado pelo contribuinte rondoniense. O principal “ator” dessa gastança toda é o diretor-geral (irmão do governador), Sandro Rocha, que gosta bastante de voar.
Todo mundo 2
Entre os destinos aparecem cidades conhecidas não apenas por eventos institucionais, mas também pelo forte apelo turístico. Gramado (RS), por exemplo, recebeu representantes do Detran durante o Congresso Nacional de Trânsito e Mobilidade. Também houve deslocamentos para Foz do Iguaçu (PR), além de viagens técnicas para Santa Catarina, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul.

Dinheiro público
Naturalmente, capacitações e intercâmbios fazem parte da administração pública. O problema é quando a conta cresce a ponto de ultrapassar R$ 12 milhões em apenas um ano, transformando o que deveria ser exceção em rotina administrativa. Especialmente, quando assim como o “mano de Rocha”, Sandro gosta de partir para destinos estrangeiros, como Europa e Estados Unidos, que têm o trânsito beeeemmm diferente de Rondônia.
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Em tempos em que diferentes órgãos públicos falam em austeridade, eficiência e responsabilidade fiscal, os números do Detran acabam despertando uma pergunta inevitável: havia realmente necessidade de tantas viagens, tantos deslocamentos e tantas diárias? E outra: o que tantas viagens e diárias (inclusive em dólares e euros) trouxeram de benefício para Rondônia???
Dinheiro público 3
Confira os gastos mensais registrados pelo órgão em 2025: Janeiro: R$ 17.132,50; Fevereiro: R$ 600.520,40; Março: R$ 962.103,10; Abril: R$ 946.137,70; Maio: R$ 1.019.575,73; Junho: R$ 888.777,20; Julho: R$ 1.339.816,10; Agosto: R$ 751.091,20; Setembro: R$ 1.174.576,40; Outubro: R$ 2.182.923,20; Novembro: R$ 1.891.540,20; Dezembro: R$ 425.830,60 e total gasto em diárias durante 2025: R$ 12.200.024,33.
Turismo
Os números estão publicados nos sistemas oficiais de transparência. E, diante deles, fica difícil não concluir que, para alguns setores da máquina pública, o trânsito parece ter fluído muito bem em 2025, especialmente quando o destino incluía passagem, hospedagem e diária pagas pelo contribuinte.

Retrocesso
E em mais uma bola fora do desgoverno Marcos Rocha (PSD) e companhia, que parece ter desenvolvido alergia a pequenos produtores, feirantes e trabalhadores informais, a Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico (Sedec) comunicou o encerramento do apoio logístico e da estrutura fornecida pelo Governo de Rondônia à tradicional Feira da Décima Avenida, em Porto Velho.
Retrocesso 2
A informação foi divulgada pela coordenação da feira por meio de nota pública na última quarta-feira (17) e caiu como uma bomba entre os cerca de 800 trabalhadores que dependem diretamente das atividades realizadas no local para garantir o sustento de suas famílias.
Retrocesso 3
O episódio gerou ainda mais indignação porque, segundo os organizadores, havia o compromisso da própria gestão estadual de manter o suporte até o final deste ano. Pelo visto, a palavra oficial passou a ter prazo de validade menor que frutas expostas nas bancas da própria feira.

Movimentação
Reconhecida como um dos principais pontos de fortalecimento da agricultura familiar, do pequeno comércio e do empreendedorismo popular na capital, a Feira da Décima Avenida movimenta semanalmente centenas de produtores rurais, comerciantes e consumidores, gerando emprego, renda e circulação de recursos dentro da economia local.
Medo
Agora, sem a estrutura fornecida pelo Estado, cresce a preocupação sobre a continuidade do projeto e sobre o impacto financeiro que a medida poderá causar para centenas de famílias que dependem da feira para complementar ou garantir a própria sobrevivência.
Balela
Enquanto o governo segue ocupado produzindo discursos sobre desenvolvimento econômico, quem efetivamente produz riqueza na ponta tenta entender por que um dos poucos projetos que funcionam foi colocado na lista de cortes.
E aí?
Feirantes e organizadores cobram explicações e defendem a construção de alternativas para evitar que a atividade seja inviabilizada. O receio é que a retirada do apoio represente mais um golpe contra pequenos produtores justamente em um momento de dificuldades econômicas para boa parte da população.
Incompetência
Até o momento, o Governo de Rondônia não apresentou explicações públicas sobre os motivos que levaram ao encerramento do apoio à Feira da Décima Avenida.

Segue o jogo
Já a coordenação do evento informou que, apesar das dificuldades impostas pela decisão, a feira continuará funcionando normalmente às segundas-feiras. Afinal, enquanto a burocracia estadual parece desistir dos trabalhadores, os trabalhadores seguem fazendo aquilo que sempre fizeram: trabalhando.
*Esta coluna foi escrita com informações publicadas no dia 18 de junho pelo site Rondoniaovivo.
**Os sites que publicam esta coluna reservam o direito de manter integralmente a opinião dos seus articulistas sem intervenções. No entanto, o conteúdo apresentado por este “COLUNISTA” é de inteira responsabilidade de seu autor.













