Coluna do Xavier – CACOAL: A EDUCAÇÃO, OS DIRETORES E AS INTERFERÊNCIAS POLÍTICAS…

 

A educação de Rondônia sofre com inúmeros problemas que são essencialmente relacionados com o fator indisciplina de alunos e omissão dos pais. Mas isso todos os profissionais do setor já estão muito acostumados, porque é uma tendência crescente no país inteiro. No caso de Rondônia, já tivemos dezenas de colegas agredidos dentro de escolas e a SEDUC nunca deu uma resposta, sempre fingiu que não tem nada a ver com o assunto. Somando-se a esses graves problemas, no primeiro ano em que assumiu o governo, Marcos Rocha extinguiu a escolha democrática de diretores de escolas, que acontecia através de consulta realizada com a comunidade escolar. O ato de extinção não aconteceu por mero acaso. Foi uma medida cuja finalidade era exatamente no sentido de que houvesse interferências nas gestões de escolas estaduais, aliás, interferências que possuem sempre um caráter absolutamente negativo, porque a escolha de diretores feita por gente que está muito distante das escolas somente piora a situação, uma vez que tira a autonomia dos diretores. Assim, esse processo seletivo para escolher diretores de escolas, definido por Marcos Rocha nos últimos meses, é um dos institutos mais fajutos e sem credibilidade na educação de Rondônia…

O teste seletivo para diretores tem como base um edital completamente equivocado e cheio regras que nunca funcionaram. E não foi a primeira vez que a SEDUC fez isso! Quando Albaniza Batista ainda era secretária, houve uma seleção para diretores de escolas em Porto – Velho que teve os mesmos problemas, porque a Superintendência Regional de Ensino da capital, em parceria com a ex-secretária, fez diversas manobras para desclassificar pessoas muito qualificadas e colocar seus apaniguados. Na época, já se cogitava a possibilidade de ocorrer a mesma coisa no interior. Albaniza Batista deixou o cargo, mas o problema virou moda. O governador Marcos Rocha resolveu nomear como secretário meu conterrâneo Massud Badra, que assumiu o cargo com a missão de fazer da SEDUC um órgão mais técnico, segundo o que foi divulgado. Massud Badra é uma pessoa absolutamente correta, uma pessoa íntegra, uma pessoa simpática e muito honesto, mas não entende nada de educação. A SEDUC continua com velhos problemas, entre eles esse teste seletivo muito fajuto realizado para diretores de escolas. No caso de Cacoal, Massud Badra, que faz diversas declarações dizendo ser um técnico, deveria procurar saber certinho a situação das nomeações de diretores. Desde o início da publicação do edital, eu comentei diversas vezes com o Superintendente Regional de Cacoal que não acreditava nesse teste. Mas ele dizia que era o próprio secretário que faria as escolhas, após os testes. É evidente que ninguém acredita nessa história, nem o próprio professor Bertino Neto.

Para que fique clara a situação, eu já registrei, aqui mesmo nessa coluna, diversos fatos em que defendi publicamente a Superintendência Regional de Ensino de Cacoal e a pessoa do superintendente. E fiz isto, porque em todas as vezes que elogiei ou defendi a Superintendência Regional de Ensino estava correta. Quando houver necessidade de fazer novos elogios, vou fazer com a mesma independência que registro minhas discordâncias. Esse teste seletivo para diretores de escolas de Cacoal nunca foi tratado com seriedade pela SEDUC. Se o edital fosse mesmo sério, o professor Gildeon Alves da Cruz não teria sido empossado como diretor, porque ele nem aparece na lista dos candidatos aprovados. Se o edital fosse levado a sério pela SEDUC, a professora Claudete da Mota jamais teria sido tratada com tamanho desrespeito. Ela pode ter um milhão de defeitos, mas a Superintendência de Ensino de Cacoal jamais deveria ter feito com ela o que fez. Outra situação que desejo deixar bem clara que é nunca acreditei nessas notas de testes seletivos, principalmente esses que trazem o critério de entrevista no edital. É evidente que esse papo furado de entrevista serve apenas para sacanear pessoas que não agradam os políticos picaretas que manobram essas nomeações.

Com relação à escola Bernardo Guimarães, local onde trabalho, discordo totalmente da maneira desleal como foi tratado o professor Nilton da Mata. Isso não significa que haja qualquer restrição pessoal, de minha parte, em relação à professora Dandara Tomiatti, que assumiu o cargo de diretora da escola. Na realidade, não tenho absolutamente nenhum motivo para ter restrições pessoais em relação a ela. Não foi Dandara que fez sacanagem contra ninguém e talvez ela seja até vítima. Se fosse o secretário de educação a pessoa que escolhe diretores, o que nunca foi, ele tinha o dever de ouvir os profissionais que trabalham na escola, porque todos nós fomos desrespeitados pela Superintendência de Ensino. Claro que vai aparecer algum bajulador do governo ou de seu grupo político para dizer que nomear e exonerar diretores é um direito do governo. Lógico que é, porque Marcos Rocha não acabou com a eleição de diretores à toa. A intenção era promover esse tipo de lambança. É justamente o fato de ser do governo a atribuição de nomear que a SEDUC deveria levar a sério o teste seletivo. E quando questiono a forma como as coisas aconteceram, obviamente que não vou atribuir nenhum tipo de culpa às pessoas que fizeram entrevistas com os candidatos, porque tenho plena convicção de que essas pessoas não possuem autonomia para manobrar nenhuma nomeação. Em alguns casos, elas certamente discordam de como as coisas aconteceram, mas não podem se manifestar, por razões óbvias…

Finalmente, vale a pena registrar que não tenho absolutamente nada contra nenhuma pessoa que foi nomeada. Ao contrário disso, sempre torci para que algumas delas permanecessem nos cargos. Mas reitero minha total indignação com relação ao edital desse teste seletivo para diretores; reitero minha total discordância em relação à forma como a Superintendência Regional de Ensino de Cacoal conduziu as coisas e reafirmo que não acredito na isenção desse teste. O secretário Massud Badra, que faz questão de dizer que tem atuação técnica, deveria cancelar esses testes fajutos que a SEDUC faz, da mesma maneira que ele agiu de maneira rápida contra aquele formulário ridículo que a SEDUC tentou impor para as professoras aprovadas no concurso público. Quando houver algum fato que justifique um elogio à Superintendência Regional de Ensino de Cacoal, ao Superintendente Bertino Neto ou a qualquer outra pessoa do setor de educação, eu farei os devidos elogios aqui neste espaço, mas não é o caso, no momento, razão pela qual quero deixar registrada a minha total indignação com todos os fatos que envolvem esses testes seletivos fajutos… Tenho dito!!!

FRANCISCO XAVIER GOMES

Professor, Jornalista e Advogado

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