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Colunas Espaço Aberto

Coluna ESPAÇO ABERTO – Fúria brinca com fogo ao desprezar a imprensa da capital

4 minutos de leitura

Confira as notícias do dia, por Cícero Moura.

PREFEITURA E GOVERNO
Adailton Fúria parece ainda não ter compreendido uma diferença fundamental entre administrar Cacoal e disputar o Governo de Rondônia.

Foto: Reprodução / Redes Sociais

CAMPO
Agora o palco é outro, a exposição é muito maior e cada erro político ou de comunicação ganha dimensão estadual. E alguns sinais começam a preocupar.

ERRO
A recente gafe no debate é um exemplo. Fúria tentou atingir Marcos Rogério atribuindo ao senador R$ 14 milhões destinados ao Museu da Bíblia.

Foto: Redes Sociais / RemaTV

ERRO 2
O problema é que, conforme o material publicado, a participação atribuída a Marcos Rogério foi de aproximadamente R$ 483 mil; os R$ 14,1 milhões correspondiam ao conjunto de emendas de diferentes parlamentares.

DESINFORMAÇÃO
Para quem pretende governar Rondônia, não é um erro pequeno. Se o candidato sobe ao palco para confrontar um adversário usando números, alguém precisa conferir esses números antes.

DETALHE
Campanha para governador não comporta improvisação dessa natureza. Raramente dá certo, como ocorreu com Hildon Chaves, em 2016, na eleição para prefeito.

PROXIMIDADE
Mas há algo que considero ainda mais preocupante: a aparente falta de interesse de Fúria em construir uma relação institucional saudável com a imprensa de Porto Velho.

OBSERVAÇÃO
É bom deixar uma coisa muito clara: candidato não precisa bajular jornalista. Jornalista também não deve esperar tapinha nas costas de político.

OBSERVAÇÃO 2
A relação correta é profissional. A imprensa pergunta, cobra, critica e fiscaliza; o candidato responde, explica e apresenta suas posições.

DESPREZO
O que não parece inteligente é simplesmente agir como se os veículos da capital fossem irrelevantes.

FORÇA
Porto Velho não é apenas mais um município na disputa. É a capital, o maior colégio eleitoral do Estado e o centro de grande parte da comunicação política de Rondônia.

CENTRO
É daqui que programas de rádio, televisão, portais, podcasts, colunas e redes de informação espalham diariamente conteúdo para todo o Estado.

CONSTATAÇÃO
Ignorar essa realidade não demonstra independência. Pode demonstrar despreparo.

VICE
E talvez Fúria ainda não tenha sentido com maior intensidade o preço dessa postura por uma circunstância importante: seu candidato a vice, Everton Leoni, vem justamente do ambiente da comunicação.

VICE 2
Leoni tem histórico na imprensa, conhece jornalistas, comunicadores e veículos e possui trânsito construído ao longo de muitos anos nesse meio.

Foto: Redes Sociais / Everton Leoni

VICE 3
Essa característica pode funcionar como uma ponte importante entre a chapa e setores da comunicação com os quais Fúria, aparentemente, ainda não conseguiu estabelecer uma relação mais próxima.

VICE 4
Na minha avaliação, esse histórico de Leoni pode inclusive estar contribuindo para que Fúria ainda não tenha se tornado alvo de críticas muito mais pesadas na imprensa da capital.

SPARRING
Mas há um problema: vice não pode passar a campanha inteira funcionando como bombeiro de relacionamento.

POSTURA
Se Fúria pretende ser governador, precisa construir ele próprio pontes, compreender o papel institucional da imprensa e aceitar que comunicação política profissional não se faz apenas falando para quem concorda, escolhendo ambientes confortáveis ou apostando exclusivamente nas redes sociais.

COMENTÁRIOS
Aliás, o episódio recente envolvendo sua própria equipe deveria servir de alerta. O material publicado registra a saída do marqueteiro João Kaleche e relata avaliações de jornalistas sobre centralização das decisões e autossuficiência na condução da campanha.

CONTRAPONTO
Kaleche negou que sua saída tenha ocorrido especificamente em razão da gafe do debate, uma ressalva importante.

PONTUAL
Portanto, não se trata de decretar que Fúria é arrogante ou incapaz de ouvir. Isso seria transformar percepção em fato.

AUTOSUFICIENTE
Mas existe uma pergunta legítima: Fúria está ouvindo quem entende de comunicação ou acredita que pode fazer tudo sozinho?

RISCO
Porque candidato que passa a ouvir apenas a própria voz começa a correr um risco enorme de acreditar que toda crítica é perseguição, que toda advertência é oposição e que todo conselho contrário é inconveniente.

REALIDADE
Política não funciona assim. Muito menos uma campanha para governador. Fúria é competitivo e tem méritos políticos evidentes para ter chegado à condição de candidato ao Governo.

AMADORISMO
Justamente por isso causa estranheza vê-lo cometer erros perfeitamente evitáveis. A imprensa não precisa de Fúria. E Fúria também não precisa ser amigo da imprensa.

CONVIVÊNCIA
Mas quem pretende governar Rondônia precisa saber conviver com ela. Hoje existe Everton Leoni, com experiência, relacionamento e portas abertas no meio da comunicação, ajudando naturalmente a diminuir distâncias.

DIA SEGUINTE
Amanhã isso talvez não seja suficiente. E Fúria deveria perceber isso enquanto ainda existe tempo para corrigir a rota.

FATO
Porque uma eleição pode até não ser ganha dentro de uma redação, de um estúdio de televisão ou diante de um microfone.

FATO 2
Mas uma sucessão de erros, isolamento e resistência ao contraditório pode, sim, ajudar a perdê-la.

FRASE
Na política, acreditar que não precisa de ninguém é uma maneira perigosa de começar a ficar sozinho.

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