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Rondônia

COLUNA DO XAVIER – CACOAL:  A EDUCAÇÃO, OS MORANGOS E A PARTICIPAÇÃO FAMILIAR…

5 minutos de leitura

Por Francisco Xavier Gomes 

CACOAL:  A EDUCAÇÃO, OS MORANGOS E A PARTICIPAÇÃO FAMILIAR…

A formação de crianças e adolescentes é, naturalmente, uma missão muito difícil, porque as pessoas desta faixa etária necessitam de uma atenção permanente, em casa e também na escola. Frequentemente, ouve-se pessoas desinformadas afirmando que a culpa por alguns índices negativos das escolas públicas brasileiras é dos professores. Algumas pessoas mais desinformadas ainda chegam a afirmar que, “no tempo delas”, o ensino era “melhor” e havia muito mais qualidade. Todas essas afirmações não passam de desculpas esfarrapadas e servem apenas para tentar esconder os verdadeiros motivos dos resultados negativos obtidos por muitos alunos. Não é simples encontrar a solução para a maior parte dos problemas, mas é muito simples constatar os principais fatores que levam uma quantidade grande de estudantes a terem resultados negativos na escola. É claro que não existem somente dois ou três fatores, mas alguns deles são absolutamente determinantes. Entre esses fatores, pode-se afirmar, sem nenhuma dúvida, que estão: a falta de educação, a omissão dos pais e o abandono das crianças e adolescentes pelas famílias…

No estado de Rondônia, para especificar somente a unidade da federação em que vivemos, os índices de qualidade da educação poderiam ser muito melhores, caso o abandono de crianças não fosse um fato que revela índices alarmantes e preocupantes. No mês de setembro de 2022, um relatório do Tribunal de Justiça de Rondônia, realizado em todas as comarcas do estado, revelou que, apenas no ano de 2021, o número de crianças sem o nome do pai na certidão de nascimento foi de 20.391. Um estado que tem mais de 20 mil crianças registradas sem o nome do pai, num período de 12 meses, terá enormes dificuldades para encontrar os índices de qualidade satisfatórios na educação. É praticamente impossível imaginar que essas crianças terão condições de seguir a vida escolar obtendo qualidade no ensino. É evidente que existem as exceções, porque há muitas mães que criam os filhos sozinhas e que são crianças e adolescentes com excelentes resultados escolares. Mas tentar esconder a verdade é puro cinismo! As mães que conseguem isso são verdadeiras heroínas, porque não é fácil. Não é fácil mesmo! Elas fazem o duplo papel de pai e mãe, precisam trabalhar para manter os filhos e ainda cuidam de casa. Embora este fato seja muito comum em Rondônia, está muito longe de representar a regra. É uma exceção crudelíssima!!!

Um dos maiores problemas na educação de uma criança ou adolescente é o abandono. E, infelizmente, também existem muitas crianças que possuem pai e mãe residentes na mesma casa e são igualmente abandonados por ambos.  Se uma criança ou adolescente não tem a vida escolar acompanhada pelos pais, esta criança não terá nenhum rendimento escolar. Isto é uma realidade muito evidente. E esses números são infinitos. Existem inúmeras crianças que não recebem a devida educação em casa, nunca viram os pais lendo um livro, nunca tiveram sua vida escolar fiscalizada pelos pais e são completamente abandonadas, todos os dias, nos portões das escolas. A quantidade de pais que deixam os filhos no portão das escolas, todos os dias, e passam o ano inteiro sem entrar na escola é gigantesca. E todos eles alegam que não têm tempo e que precisam trabalhar. É claro que uma criança tratada desta maneira pelos pais terá um rendimento escolar sem qualidade, porque não há condições de ser diferente. E estamos falando de crianças que moram com pai e mãe. Em Cacoal, esse fenômeno acontece todos os dias. O detalhe curioso, nestes casos, é que todos os pais que fazem isso costumam ser muito agressivos, quando aparecem na escola, após 20 ou 30 convocações seguidas. A falta de compromisso deles com os filhos é transformada em revolta e agressões contra os professores e contra a escola. E fatos como este acontecem todos os dias nas escolas de Rondônia. Claro que Cacoal nunca foi exceção…

Os pais que abandonam os filhos no portão da escola todos os dias e nunca comparecem para as reuniões são os principais causadores dos baixos rendimentos de seus filhos. A escola tem o papel de ensinar a parte científica. O dever de educar os filhos e acompanhar a vida escolar é dos pais. Mas muitos deles acreditam que comprar mochilas bonitas, tênis, celular de luxo e roupas de marca é cuidar da vida escolar dos filhos. Nunca foi!! O ato de zelar pela vida escolar do aluno não pode ser confundido com o ato de fazer compras para mimar os filhos. Muitas dessas crianças e adolescentes são vítimas do abandono dos pais. Todas as crianças que têm a vida escolar acompanhada pelos pais possuem sempre excelentes resultados na escola. O resto é papo furado!!! Pode até existir algum caso raro de aluno abandonado pelos pais que tem bons resultados, mas isto é realmente muito raro. Desde a década de 60, 70, 80, 90, e nos anos 2000, não existe nenhum caso de aluno abandonado pelos pais que não se tornou um aluno problemático. E dizer que não tem tempo para cuidar da vida escolar dos filhos é pura falta de caráter. Muitos desses pais não conseguem, sequer, levar o filho à escola no horário correto. É muito desleixo!! Experimente plantar morango em seu quintal e abandone por 12 meses, que você verá os resultados…

E ainda existem aqueles que, cinicamente, divulgam em suas redes sociais o bordão “deus, pátria e família”, mas que nunca cuidaram da vida escolar dos filhos. Existem muitos pais que nunca abriram o caderno ou livros dos filhos. Alguns não sabem nem a série em que o filho é matriculado e outros tantos não sabem o nome de nenhum dos professores dos filhos. Filhos são como morangos, precisam ser plantados e cuidados regularmente. Quem não cuida da vida escolar dos filhos não é de Deus; não tem nenhum zelo pela família e age como um apátrida dos mais inconsequentes. Colocar a culpa na escola, nos professores e até mesmo no Conselho Tutelar é muito fácil. O difícil mesmo é cuidar dos morangos… Tenho dito!!!

FRANCISCO XAVIER GOMES

Professor da Rede Estadual e Jornalista

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